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Edição de 30-11-2022
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    Arquivo: Edição de 15-11-2007

    SECÇÃO: Tecnologias


    Porque é que o Linux terá sucesso em desktops? (1)

    Acredito que o Linux se tornará o sistema operativo padrão consagrado para os desktops. Embora ainda vá demorar algum tempo para que muitos utilizadores se libertem dos vínculos com o Windows, existe uma boa razão para acreditar que este dia chegará. Considere que a comunidade global já está começando a apoiar os formatos de documentos padrão. Além disso, à medida que browsers como o Firefox conquistam maior participação de mercado, os utilizadores estão menos tolerantes com os sites que podem ser acessados apenas com o Internet Explorer. Contudo, a transição é lenta e continuará a ser lenta. A maioria das pessoas só vai deixar de utilizar o Windows quando estiver em questão o factor financeiro.

    O CLIENTE GENÉTICO PERFEITO

    Um desktop é compatível com diversos métodos de hábitos de trabalho. Por exemplo, pode-se editar um documento com um processador de textos local, como o Microsoft Word, do Windows, ou pode-se utilizar o Google Docs. Precisa-se do Windows para utilizar o Word, mas qualquer sistema operativo com um bom browser poderá trabalhar bem com o Google Docs. Desde que seja eliminado o problema de migrar para um novo formato de documento, a questão passa a ser: "Por que estou pagando tanto para utilizar um Windows cheio de problemas, sobrecarregado e inseguro?". Simplificando, elimine a força de inércia dos sistemas herdados, e o desktop mais barato e menos problemático se tornará mais desejável.

    A longo prazo, o Linux será o cliente genérico perfeito. Este é o aspecto central do desenvolvimento de softwares gratuitos, que faz deste o ponto focal para a computação genérica e aberta. À medida que as pessoas continuam a utilizar o Linux como base para telefones móveis, ou gravadores de vídeo digital, (Digital Video Recorders, como TiVo e Dish Network), roteadores e outros sistemas dedicados, ele está a tornar-se presente praticamente em todas as plataformas, excepto o PC. Isso apenas torna mais provável que ele domine o PC no futuro.

    Quanto mais o Linux se torna a plataforma padrão consagrada para o desenvolvimento de software de qualquer tipo, mais atraente ele fica como a plataforma para computação pessoal. Qualquer superposição entre dispositivos e PCs economiza a duplicação de esforços. O vasto repositório de softwares gratuitos disponíveis mediante uma simples solicitação faz o Linux ser ainda mais atractivo como a base para desenvolvimento.

    Muitas das tarefas que o Linux deve realizar num PC ele já conclui em dispositivos, como telemóveis. Talvez, nunca cheguemos a presenciar a era dos computadores em rede por US$100, mas a computação em rede está avançando, conforme se evidencia pela crescente dependência de sistemas de e-mail com base na web e pelo surgimento de aplicações em rede, como o Google Docs. Devemos agradecer ao Ajax e Java pelos ricos recursos para clientes, actualmente disponíveis no seu browser para PC e/ou para telemóvel.

    Quanto mais dependermos desse tipo de computação, mais invisíveis os sistemas operativoss se tornarão. A maioria das pessoas não sabe ou não se preocupa com que sistema operativo o seu telemóvel funciona. Sempre podemos preocupar-nos mais com o que estamos a executar no nosso PC, mas a diferença entre os dois desaparecerá gradativamente. Quando isso acontecer, o Linux deverá ser a melhor opção, porque ele já é prevalecente em muitos dispositivos. O Linux só não pode obter sucesso como um cliente genérico de computação em rede. As pessoas continuarão a utilizar os seus PCs como uma estação de trabalho capacitada, mesmo quando isso não for apropriado. Fazer isso é da natureza dos utilizadores de computadores. Por essa razão, o Linux precisa de uma experiência em desktop que seja persuasiva. Ele já dispõe do Compiz Fusion, mas mesmo que a capacitação para 3D no Linux não exija os mesmos recursos de hardware que o Vista, muitos utilizadores do Linux ainda se recusarão a instalar o Compiz ou resolverão desactivá-lo.

    O desktop precisa de um avanço mais substancial em seus conceitos. O novo KDE, denominado KDE4, parece ser promissor nesse sentido. Aparentemente, os desenvolvedores do KDE estão tentando acrescentar algo de novo à experiência em desktops, que não seja apenas “para inglês ver”. O KDE4, ou partes dele, será executado no Windows e no Mac OS-X, mas ele será totalmente nativo no Linux, e deverá beneficiar o Linux mais do que qualquer outra plataforma.

    O KDE4, a proliferação do Linux nos dispositivos, a tendência para a computação genérica em rede, o facto de que o Linux é “livre” (tanto em termos de liberdade quanto pelo facto de ser gratuito), e outros factores contribuem para o seu inevitável sucesso nos desktops. Mas o Linux ainda precisa de algo mais. Ele precisa de oportunidades para suplantar os sistemas herdados e também tem de superar alguns importantes obstáculos.

    AS OPORTUNIDADES DO LINUX

    Tanto os sucessos quanto os fracassos da Microsoft proporcionam uma substancial gama de oportunidades para o Linux conquistar uma significativa participação no mercado de desktops. É muito difícil, especialmente no nível corporativo, mudar os sistemas operativos dos desktops, por isso, qualquer sistema herdado, como o Windows, sempre terá uma enorme vantagem. Mas a Microsoft tem cometido tantos erros ultimamente, que alguém lhe deve dar o crédito por encorajar os utilizadores a procurar por um sistema operativo alternativo. O Windows já era considerado notoriamente inseguro, mas a Microsoft está agravando esse problema com o Vista, que é caro, tem muitas falhas, é incompleto, tem um processo de licenciamento muito complexo, fica comprometido com questões de DRM (Digital Rights Management), é desafiado no que se refere a hardware, e frequentemente é actualizado sem permissão do utilizador.

    Como foi observado anteriormente, as pessoas deverão estar mais propensas a mudar para um novo sistema operativo quando a questão passar a envolver dinheiro. A Microsoft deveria ser esperta, no sentido de continuar proporcionando suporte técnico para o Windows XP, que é considerado "suficientemente bom", uma vez que qualquer iniciativa para forçar as pessoas a fazerem a actualização para o Vista poderá criar a referida situação "de passar a envolver dinheiro". O risco de se ajustar a um novo sistema operativo torna-se muito mais agradável quando isso permite economizar o custo de actualizar para um desktop do qual se sabe que não se vai gostar.

    Talvez o erro mais grave da Microsoft tenha sido sua fracassada tentativa de utilizar a SCO como um instrumento para criar medo, incerteza e dúvidas sobre o Linux. Quem apoiou a SCO agora está aguentando as consequências. Isto torna muito menos provável que os analistas de alto nível cometam o mesmo erro, agora que a Microsoft está atacando o Linux directamente, ao afirmar que ele viola as suas patentes de software.

    Quando lançou o Windows 95, a Microsoft deu início a uma estratégia que terminaria por deixá-la numa situação bastante complicada. Por um lado, ela teve sucesso ao aproveitar a sua única vantagem, integrando aplicativos de 32 bits do Windows para eliminar praticamente toda a concorrência no sector de aplicações para desktop de uso comum. O problema é que a Microsoft acabou ficando sem amigos. Por exemplo, se o Lotus Smartsuite e o WordPerfect Office ainda estivessem competindo com o Microsoft Office, seria praticamente impossível para o Linux entrar no mercado de desktops. As companhias ficariam felizes em colectar os seus rendimentos com os aplicativos do Windows. Não haveria nenhum incentivo para apoiar outra plataforma para desktop.

    Infelizmente para a Microsoft, esse não é um erro que ela possa consertar facilmente. Ela não pode arcar com as consequências de desistir da sua significativa participação de mercado com o Office apenas para tentar reconquistar alguma lealdade para a plataforma Windows. Agora que os danos já foram causados, as companhias estão mais inclinadas a apoiar plataformas nas quais o campo de actuação seja estável, e é aí que está a oportunidade para o Linux e outros sistemas operativos para desktop. 

    Mas enquanto a Microsoft torna quase impossível para a concorrência obter lucro com as aplicaçõess para desktop de uso comum do Windows, o Linux não necessariamente aproveitará essa oportunidade. As melhores aplicações de uso comum para o Linux são aquelas gratuitas e de fonte aberta. Embora muitas companhias estejam começando a reconhecer a superioridade do software gratuito, a maioria ainda não descobriu como ganhar dinheiro com ele – pelo menos, elas percebem que não podem ganhar dinheiro do mesmo modo que faziam no antigo mercado.

    Outro problema com essas oportunidades geradas pelas atitudes da Microsoft é que elas simplesmente tornam mais fácil para qualquer sistema operativo alternativo conquistar participação no mercado de desktop, não necessariamente o Linux. O Mac OS-X poderá colher tais benefícios, e provavelmente já está fazendo isso. O Linux poderá ficar em vantagem, a longo prazo, mas a curto prazo é necessário que sejam feitas algumas mudanças adicionais no Linux para que ele possa explorar essas oportunidades, além de também ter de superar alguns obstáculos importantes.

    Obstáculo: são necessários mais sistemas Linux pré-instalado.

    Segundo a experiência pessoal de muitos utilizadores do Windows e do Linux, este é, sem dúvida, muito mais fácil de ser instalado do que o primeiro, já que reconhece o hardware apropriadamente durante a instalação. Obviamente, o Linux pode ser difícil de ser instalado quando ocorre algum problema no reconhecimento do hardware, mas o mesmo pode acontecer com o Windows.

    Alguém pode argumentar que, actualmente, os instaladores do Linux estão fazendo um trabalho melhor de reconhecimento de hardware. Isso é irrelevante. A instalação mais fácil é aquela que não se precisa fazer. É por isso que muitas pessoas acreditam, quer seja verdade ou não, que o Linux é mais difícil de ser instalado do que o Windows. É que eles têm de instalar o Linux, mas não precisam de instalar o Windows. Quando compram um PC, o Windows já vem instalado. O Mac OS-X tem a vantagem, nesse aspecto. Compre um Mac, e o seu sistema operativo desktop estará instalado.

    O modo de superar este obstáculo é óbvio. Obtenha-se o Linux pré-instalado em PCs, e os utilizadores do Linux não precisarão lidar com os aspectos da instalação. Ubuntu e Dell formaram uma parceria para disponibilizar o Linux pré-instalado. Isso é um grande começo, mas é apenas um começo. O Linux precisará de um suporte técnico muito mais amplo nas pré-instalações, a fim de ter sucesso nos desktops.

    Nicholas Petreley *

    * Ex-editor do “Linux Journal”, neste artigo o autor refuta uma argumentação contrária relativamente à possibilidade de sucesso do Linux nos desktops.

     

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