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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 15-11-2007

    SECÇÃO: Editorial


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    Professor hoje!

    Hoje, ao contrário do que era hábito, os professores deixaram de falar das aulas, dos programas, dos projectos, das metodologias adoptadas, de novas estratégias para obter melhores resultados, das preocupações com turmas difíceis, dos problemas dos seus alunos, da troca de saberes entre colegas.

    Tenho um amigo que dizia que quando dois professores se encontravam só falavam de aulas, de programas, de alunos... Será que continua a ser assim?

    No ano que passou eu só via os professores a fazerem contas, a contar pontos e mais pontos, tristes, sem entusiasmo para inovar, com medo, muitas vezes sem saber porquê.

    As carreiras congeladas, um futuro inseguro, e mais grave ainda, desconhecido.

    Aprendemos que as regras do jogo podem ser alteradas a qualquer momento.

    O medo é sempre inibidor da inovação, o medo tolhe a criatividade, a vontade de vencer.

    Se alguém ainda luta, ainda acredita em alguma coisa, é olhado com desconfiança, como um colaboracionista do poder e não como alguém que acredita no seu trabalho.

    Na sala de professores passei um ano a ouvir falar de concursos, de pontuações, de injustiças de desânimo, deixei de a frequentar com a frequência que mantive durante quase toda a minha carreira, evitava, queria acreditar no meu trabalho, apostar nos meus alunos...

    Este ano são as aposentações, cada cabeça cada sentença, e lá andamos nós atrás dos delegados sindicais a ver se nos vamos embora.

    Todos os anos se reformavam colegas, entravam colegas novos, mas toda esta transição era feita com naturalidade, com homenagens dos colegas, em paz.

    Nestes últimos anos os professores falam de papéis de burocracias, mas nunca de ensino.

    Os professores perderam o encanto, muitos dos que animavam as escolas, bons profissionais, que apostaram nos alunos e nunca quiseram cargos burocráticos que muitas das vezes serviam para completar horários. Ninguém se importou com isso no momento da avaliação.

    Não admira portanto que, neste momento, os professores só pensem no dia da sua aposentação.

    Daniel Sampaio lembrou e bem, na cerimónia de anúncio dos vencedores do primeiro Prémio Nacional de Professores, que o mal-estar da classe docente é “significativo” e apelou a um melhor relacionamento entre o Ministério da Educação e os professores.

    Reconheceu ainda que este fenómeno de mal-estar existe em muitos países, na verdade esta “ambiguidade e complexidade das funções da escola” a que já me tenho referido é a principal causa deste fenómeno e o Ministério da Educação não se poder aliar dele.

    E como diz Daniel Sampaio: «Os professores perdem tempo de mais a estudar despachos e portarias, o que seria mais bem gasto se fosse a pensar a sua actividade».

    Por: Fernanda Lage

     

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