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Edição de 28-02-2026
Jornal Online

SECÇÃO: Editorial


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Ucrânia vive em guerra há 4 anos

Quando a invasão da Ucrânia pela Federação Russa se iniciou, a 24 de fevereiro de 2022, muitos analistas previam um conflito breve. Falava-se em semanas, talvez meses. A realidade, porém, impôs-se com brutal clareza: quatro anos depois, a guerra continua intensa, prolongada e profundamente destrutiva.

O Presidente russo, Vladimir Putin, falou de uma “operação militar especial” justificada pela necessidade de “desmilitarizar” a Ucrânia. As forças militares russas entraram nas repúblicas ucranianas separatistas de Donetsk e Luhansk,

Quatro anos depois, ao longo da linha da frente, em zonas como Pokrovsk ou no sul do país, sucedem-se confrontos diários, ataques de drones, bombardeamentos e artilharia pesada. A guerra não estagnou, transformou-se. Tornou-se tecnológica, difusa e persistente.

A Ucrânia recuperou território em contra-ataques recentes, mas os avanços são medidos em quilómetros conquistados a um custo humano elevadíssimo, que já matou mais de cem mil militares ucranianos. A Rússia, apesar de ganhos limitados face à dimensão do território ucraniano, mantém pressão constante. O resultado é uma linha de frente volátil e uma população exausta.

Milhões de ucranianos fugiram para países europeus, incluindo Portugal, procurando segurança e dignidade. Outros foram mobilizados para um conflito inesperado, iniciado por um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, órgão cuja missão primeira é precisamente preservar a paz internacional. O paradoxo não poderia ser mais evidente: quem detém direito de veto sobre decisões globais é parte ativa numa guerra de agressão.

Dentro do país, muitos vivem privados de liberdade plena, de estabilidade económica e de qualidade de vida. A ameaça constante molda o quotidiano. Escolas fechadas, infraestruturas destruídas, famílias separadas. O medo tornou-se rotina.

Entretanto, a diplomacia avança a passos cautelosos. Negociações envolvendo Kiev, Moscovo e os Estados Unidos foram descritas como tendo registado “progresso significativo”, mas permanecem distantes de um acordo estrutural. O Presidente Volodymyr Zelensky afirma que o país não está a perder, mas reconhece o peso colossal da guerra. A resistência é um facto; a vitória, é ainda uma incógnita.

A guerra na Ucrânia não ocorre num vazio geopolítico. No Mediterrâneo Oriental, o conflito entre israelitas e palestinianos reacendeu-se com intensidade dramática. Apesar de cessar-fogo intermitente, continuam a registar-se mortos, feridos e uma crise humanitária severa. O mundo assiste, quase em simultâneo, a múltiplos focos de instabilidade.

Nos Estados Unidos, Donald Trump regressou à presidência prometendo resolver rapidamente os conflitos globais. Contudo, o cenário internacional parece antes ter ganhado novas camadas de tensão. As relações entre grandes potências endureceram, o discurso político radicalizou-se e a perceção de insegurança aumentou.

Entre China e Taiwan, Coreia do Norte e Coreia do Sul, Rússia e Europa, apenas no hemisfério norte, acumulam-se barris de pólvora. A retórica estratégica substitui frequentemente o diálogo sereno. As alianças reconfiguram-se. A confiança internacional enfraquece.

O que está em causa não é apenas território ou influência geopolítica. Está em causa a própria ideia de ordem internacional baseada em regras, cooperação e responsabilidade partilhada. Quatro anos de guerra na Ucrânia são quatro anos de desgaste para o sistema internacional.

Urge uma inversão deste ciclo. Não por ingenuidade, mas por sobrevivência coletiva. O ser humano não pode permanecer permanentemente à beira do abismo, consumindo recursos em armamento enquanto crises climáticas, sociais e ambientais exigem cooperação global.

A paz não é um ideal romântico; é uma condição estratégica para a sustentabilidade harmoniosa e duradoura entre o Homem e a Natureza. Sem estabilidade, não há desenvolvimento sustentável. Sem confiança, não há futuro comum.

A Ucrânia vive em guerra há quatro anos. O mundo não pode habituar-se a isto!

Por: Manuel Augusto Dias

 

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