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    Arquivo: Edição de 31-03-2008

    SECÇÃO: Crónicas


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    Ortografia

    Escrever, ao correr da pena e sem erros ortográficos, é difícil. Mesmo os grandes mestres não estão imunes à escrita incorrecta. Um dos maiores escritores da nossa língua, Jorge Amado, ao escrever uma mensagem, no livro de honra duma instituição cultural de Coimbra, deixou escapar um erro!

    Numa edição recente do romance “Tieta do Agreste”, do mesmo autor, na introdução é dito que os erros foram corrigidos – seria, o que agora se diz, fixar o texto?

    Ler Jorge Amado é um prazer. O autor de “Gabriela, Cravo e Canela” mereceu o prémio Nobel dos leitores do Mundo! Ainda que alguns termos da ortografia sejam dissonantes, na forma e construção, só enriquecem o Português.

    É pena que, a partir de 1943, quando foram suprimidas as consoantes mudas no Brasil, passando húmido a úmido, não tenham sido extintos também o trema e o acento circunflexo do Antônio! Não sei se espanta mais ler iniqüidade ou ação! Enquanto hidreléctrico é o nosso hidroeléctrico e a hortênsia continua a ter direito ao agá (h)! E tampouco na vez de tão-pouco?!

    Era bom que, no futuro Quinto Império de Fernando Pessoa e Chico Buarque de Holanda, houvesse acordo ortográfico – evolução natural da língua. Regionalismos o quanto baste, mas que possam ser compreendidos, tanto pelos portugueses como pelos brasileiros ou angolanos.

    Se na escrita actual fosse utilizado o Português clássico, quem o leria com gosto?, Camilo, José Saramago, Jorge Amado ou Mia Couto, seriam agentes culturais, hoje?

    Para realizar os exames da 4ª classe, tive de caminhar de Provesende a Sabrosa. Os catorze alunos candidatos, recorde na altura, pois os professores só propunham um ou dois alunos a exame!, tinham aulas intensivas até à véspera de prestar provas, na sede de concelho.

    Antes de chegar ao Senhor do Calvário (Celeirós), o Prof. Matos chamou a atenção para o nome, no portão de ferro de uma quinta, onde estava escrito Celleiroz!, e a lição continuou: pharmácia em vez de farmácia, como o letreiro antigo no interior da Farmácia do Sr. Cascarejo de Provesende, e mãi por mãe! …

    Aluno da Faculdade de Ciências (UP), ao dar a volta dos tristes, na Baixa Portuense, após as bilharadas do Café Avis, fui surpreendido por ver, no painel de letras luminosas, no edifício do Passeio das Cardosas, a seguinte notícia:

    «O actor António Villar (com dois eles) ao filmar uma cena, nos estúdios da Andaluzia, caiu do cavalo, podendo ficar cego de um olho…».

    A infelicidade do célebre actor português, comparável ao galã Clark Gable (!), foi muito sentida.

    O nome António Vilar escrito com duplo ele (l) deixava de ser Vilar e passava a Vilhar (em castelhano), e adeus nacionalidade lusa! – «a Nossa Pátria é a Língua Portuguesa», – bem disse Fernando Pessoa.

    Continuando a volta pela Rua de Santo António (31 de Janeiro), Santa Catarina, Bolhão e Sá da Bandeira, regressámos à Praça, para ler novas notícias, surpresa!, dizia uma:

    «Sevilha – admiradoras de António Villar ocorreram ao hospital, oferecendo um dos olhos, ao artista»!

    Por: Gil Monteiro

     

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