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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 15-01-2006

    SECÇÃO: Cultura


    Notas à margem

    ETIMOLOGIA

    DA PALAVRA LEÇA

    O rio Leça, navegável, antes de 1483, até à ponte de Guifões, deixou de o ser devido às azenhas que então começaram a ser construídas junto a Matosinhos, como dá notícia o padre João Vieira Castro Cruz, numa revista do século XIX.

    Refere também «que sobre a etymologia do nome Leça, ha varias opiniões, concordando todos os escriptores em que é derivado de Lethes. No tempo dos godos se lhe dava o nome de Lera, que parece ser palavra phenicia».

    E acrescenta:

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    «Outros dizem que no tempo dos árabes se denominava este rio Lethes ou Letes; mas segundo Argote, não é derivado de Lethes (esquecimento) mas de laetus (alegre) por causa de sua margens aprasiveis».

    Mais adiante, citando António do Carmo Velho de Barbosa, abade de Leça do Balio, na sua "Memoria Histórica" impressa em 1852, diz que «derivando o nome de Leça do grego Léssa, que significa Levis, isto é, cousa de pouca importância, pobre: e assim pretende que se daria tal nome a este rio, como dizendo – rio de pouca agua».

    De concreto, sabe-se que o rio Leça nasce em Santo Tirso, percorre no seu trajecto grande parte do concelho da Maia e fertiliza ainda algumas freguesias de Valongo e todas as localidades situadas nas margens que o ladeiam.

    Num outro documento publicado no século XIX pode ler-se: «Traz o Rio Leça peixes muito gostosos como mugens, bogas, escalos, barbos, trutas e enguias». Mas isto era no século XIX.

    CASA DE VEIA

    A propósito da Casa de Veia, lê-se num texto do século XIX: «A casa, sim, essa demonstra e põe em foco a alma de quem a habita. Vêde o illustre archeólogo e professor snr. Joaquim de Vasconcelos na aula, nas conferencias, na rua, só, sem o elemento íntimo de que vive e para que vive, – a família».

    E mais adiante:

    «Parece que n'aquella cabeça e naquelle cérebro só se agitam os grandes problemas da sciencia e que em mais nada pensa, que nada mais o commove».

    «Pois, muito bem, vêde-o agora no aconchego do seu lar, no meio dos seus, ao lado de sua extremosa esposa, a distintíssima senhora que é uma das nossas legítimas glorias litterarias, a snr.ª D. Michaëllis de Vasconcelos; vede-o com os seus netos – e a sua feição é outra».

    E noutro passo, ainda:

    «Foi em Águas Santas, na sua bela vivenda de verão, que assim o fixamos».

    «Lindo trecho de natureza aquele recanto da sua quinta! Ao fundo dum valle opulento onde os milhares põem a cor dum verde glauco…».

    Como era diferente e delicada esta saborosíssima e escorreita prosa do século XIX, quando comparada com o cifrado e aberrante linguajar utilizado nos mais globalizantes instrumentos de comunicação dos nossos dias!

    Por: AM

     

     

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