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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 15-01-2006

    SECÇÃO: Cultura


    A festa de Reis

    Fotos Hélder Ferreira
    Fotos Hélder Ferreira
    A festa de Reis ou festa dos Santos Reis, como é conhecida na liturgia, celebra-se em muitos países da Europa, sendo em Espanha a sua celebração mais importante que a do Natal.

    No nosso país esta comemoração tem vindo a perder importância, mas ainda há muitas famílias que fazem a consoada na véspera de Reis.

    Para além da refeição tradicional era hábito “cantar os Reis” que, com a implantação da República, se passaram a chamar Janeiras. Estas em Portugal cantam-se do Natal até aos Reis. São cantares que celebram o nascimento do Menino Deus, mas também festejam o novo ano que se inicia.

    Mais uma vez vou referir Trás-os-Montes, «uma das reservas de silêncio e arcaísmo mais notáveis da Europa» (1). Os festejos natalícios estão intimamente integrados, mesmo quando os rituais apontam para uma certa bipolarização entre o cristão e o pagão, e lá vamos encontrar «um ciclo festivo de Inverno que se inicia no solstício e se prolonga até S. Sebastião, com maior incidência nos dias de Natal, Santo Estêvão, Ano Novo e Epifania» (2).

    São, no entanto diferentes os rituais de terra para terra: «Umas são dedicadas aos Santos, a Jesus Cristo – no seu nascimento e na sua adoração pelos Reis Magos –, outras são celebradas em honra dos deuses, do Sol e da Natureza, no espaço profano que é a rua e a praça pública» (2).

    De qualquer forma, são sempre actos sagrados que foram convivendo, de uma forma mais ou menos tolerante, conforme a hierarquia cristã o foi ou não permitindo. Um destes exemplos é a festa de Santo Estêvão, os mordomos ou “reis” assistem à missa junto ao altar-mor, ostentando a coroa e o ceptro.

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    Na refeição comunitária, à cabeceira da mesa sentam-se os representantes do poder religioso e do poder laico – o sacerdote e os mordomos –, o pão que foi benzido pelo sacerdote durante a missa é agora partido em fatias e distribuído a todo o povo.

    No final da refeição, o padre benze a mesa e os frutos da terra e reza em memória dos mortos. Nesta altura, os mascarados, que até então faziam as habituais diabruras e brincadeiras, levantam a máscara, sossegam e colocam-se à volta da mesa para assistirem à transmissão do poder, laico e profano. O sacerdote retira a coroa da cabeça do rei cessante e coloca-a na cabeça do novo rei.

    Em Ermesinde, para além dos cantos das Janeiras, realizava-se a Festa do Menino e representavam-se as Reisadas. Hoje ainda se cantam os Reis na nossa terra. E, este ano, gostei de ver grupos de amigos, de diferentes idades, a cantar de porta em porta. Foi com muito prazer e “honra” que eu e os meus familiares recebemos as Janeiras. E espero que esta tradição não morra.

    Obrigados e um Bom Ano!

    1 Paulo Alexandre Loução, “Alma Secreta de Portugal”.

    2 António Pinelo Tiza, “Inverno Mágico”, Ritos e Mistérios Transmontanos.

    Por: Fernanda Lage

     

     

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