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    Arquivo: Edição de 15-06-2005

    SECÇÃO: Crónicas


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    Porto no coração

    A mui nobre, sempre leal e invicta cidade do Porto teve, tem e terá uma alma grande. E o coração será pequeno?

    Não. A lealdade e a generosidade são a rodos, desde Portucale à actualidade. O Burgo nunca teve ocupação inimiga, foi sempre invicto.

    Os mouros viveram no Porto, mas não fizeram verdadeira ocupação, não mudaram os costumes ou a religião.

    Vímara Peres e bispos foram independentes da moirama. Mais, não encontramos nos arredores vestígios de ocupação ou legados árabes.

    Só um povo de coragem, acção e sabedoria se consegue impor ao invasor. Na vez de ser colonizado, transforma o conquistador. É o colonizado a colonizar! Para tal desiderato, só gente de bom e enorme coração o consegue. O Porto conseguiu...

    É caso único, no País e diria no Mundo, um Rei deixar em testamento o coração à cidade!, que nem era a capital do Reino, como fez D. Pedro IV.

    O Rei Soldado contactou e viveu no meio dos leais cidadãos do Porto. Foi um deles e implantou o liberalismo. Sem os bravos do Mindelo, e o querer do povo no Cerco do Porto, dentro e fora dos limites da cidade, não haveria progresso e evolução social. Não seria possível a abolição da escravatura no Brasil, mais tarde .

    Muitos exemplos poderíamos apontar sobre o comportamento histórico dos portuenses de bom coração. Mas, se podemos ir à Lapa prestar vassalagem ao coração de D. Pedro, sim, digo D. Pedro, apesar da estátua de D. Pedro V nos contemplar na praça da Batalha e representar o rei que visitou Camilo na cadeia da Cordoaria (!), outros recordam o pulsar da nobreza e lealdade.

    Se a Pide não tivesse assassinado o General sem medo, Humberto Delgado teria oferecido o coração à cidade do Porto, como o afirmou na maior manifestação política de que foi alvo, dia 14 de Maio de 1958, na Praça, Clérigos e Praça de Carlos Alberto. Ter havido tão deslumbrante apreço para o político e deste para o povo, só há uma justificação: bom coração.

    Só no Porto é possível uma mágica noitada de S. João. A confraternização e alegria de todos, com todos e para todos, apenas é possível na Invicta Cidade. O primeiro que vivi, caloiro na faculdade da Praça dos Leões, deixou-me, e ainda me deixa, deslumbrado! Foi a fascinação de um transmontano habituado ao rigor das serranias !...

    A Queima das Fitas foi outra manifestação de carinho, da gente tripeira para os seus (outros) estudantes.

    Ainda a Queima vinha longe, já os Fenianos, Palácio de Burmester, Casino da Póvoa e Terreiro da Sé se alindavam para os grandes dias! As noites prévias na Baixa já tinham verbenas e carros a darem voltas ao cavalo na Praça. Mas, o auge era o dia do Cortejo. Os estudantes de capa e batina ou fantasiados, mesmo com pijamas orientais, saíam e entravam no cortejo, confraternizando com os assistentes nos passeios.

    As moças bonitas, diria todas bonitas, eram perseguidas, pela malta estudantil para beijocas e outras meiguices...

    Só a mim!, junto das Cardosas, e ao subir o passeio, perseguindo cachopa fugidia, fui agarrado por tantas mãos e recebi tantos beijos de lábios pintados que fiquei mais colorido do que os índios nos filmes de cowboys, e ainda recordo ouvir:

    – Queres beijinhos?!, toma, toma!! ...

    *Director do Colégio

    Vieira de Castro

    Por: Gil Monteiro

     

     

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