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Edição de 31-10-2019
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    Arquivo: Edição de 15-03-2005

    SECÇÃO: Crónicas


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    Andar de comboio

    Antes da invenção dos comboios, como meio de transporte, iria jurar que já povoavam a imaginação das crianças, tal é, foi e será a sua atracção. Os jovens e adultos não estão livres dessa magia. O dito: “Estás a ver passar os comboios?!” não deixa de corroborar o ponto de vista. Sonho, sonha-se com eles. A fantasia continua com uma viagem no Expresso do Oriente. Daria corpo a tanta ficção lida e vista no cinema.

    Seguindo o slogan, faça férias cá dentro, fui de Alfa Pendular do Porto a Lisboa. Foi óptimo. Quando temos qualidade, seja no que for, não lhe damos o devido relevo.

    O automóvel, tão útil e necessário, escraviza-nos. Não vamos ali abaixo sem levar o carro. Assim, não é de admirar que nunca tivesse utilizado os modernos comboios!

    Logo na entrada da carruagem, parada numa plataforma da estação de Campanhã, começou o espanto. Uma funcionária e uma colega prontificaram-se a indicar os assentos e a colocar os sacos de mão nas bagageiras. O aspecto da carruagem e o tratamento lembraram o interior de um avião. Instalado, lendo o jornal, logo a hospedeira veio oferecer os serviços para o almoço próximo.

    Situado nos tempos idos, quando se ia de comboio da meia-noite e se chegava, já dia a Lisboa, perguntei:

    - Onde fica a carruagem restaurante?!

    Ilustração Rui Laiginha
    Ilustração Rui Laiginha
    -O almoço é servido nos lugares - informou a risonha menina.

    Durante a refeição, parecida com a dos aviões, ia deliciando a vista nos campos alagadiços do Mondego, perscrutava o Choupal e lembrava os rouxinóis das baladas de Coimbra. Mas, o bazófias era bem outro!...

    Passar por Santarém foi o máximo das recordações:

    As “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garrett, a chegada ao Vale de Santarém e o encontro da Joaninha dos olhos verdes, pica sempre a memória. (É o livro mais lido, começado e poucas vezes acabado?);

    A tomada de Santarém aos mouros sempre impressionou. (a alta falésia do lado do Tejo e a acção guerreira de D. Afonso Henriques, aprendida na Escola Primária, não foi omitida);

    A Lezíria do Tejo, o rio e os animais “livres” nos pastos lembram outro Portugal diferente.

    A chegada a Santa Apolónia é outro mundo. A Lisboa Antiga começa logo no Museu Militar!...

    No tempo da Escola em Provesende, agora aldeia típica do Património Mundial do Douro Vinhateiro, ia a pé ao Pinhão só para ver e apreciar os comboios. Os cruzamentos das carruagens, o fumo das máquinas e os viajantes, só os filmes de Manoel de Oliveira podem retratar.

    Regressava à Quinta, na camioneta (carreira) do Taboada, saindo no Senhor Jesus. Tive, e tenho o hábito de sempre parar na fonte. Bebia, agora faço que bebo da água deliciosa. A fonte foi reconstruída, mas, a abundante água é imprópria para consumo!

    Espero um milagre para a voltar a beber, nem que seja necessário pedir, como antigamente, ao Senhor Jesus para fazer o milagre da despoluição.

    Assisti à mudança do Esquife do Senhor Jesus da sua ermida para a igreja. As pessoas, com fé no sobrenatural, pediam chuva. Era ano de seca mas, ainda a Imagem não tinha chegado a Provesende, já os primeiros pingos de chuva molhavam a poeira do caminho!...

    Por: Gil Monteiro

     

     

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