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Edição de 30-09-2022
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    Arquivo: Edição de 22-03-2012

    SECÇÃO: Crónicas


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    Relógio biológico

    A cidade do Porto encanta os visitantes, desde o primeiro contacto. Não imaginaria como seria a estadia permanente, em tempo de frequência da sua Universidade (UP), hoje a maior do País e das mais cotadas internacionalmente! A sedução cresceu. De lugar de formação académica a residência profissional, continuando até ao crescimento dos netos, foi sempre o sítio escolhido. Enfim: fiquei portista!

    A Marginal, a Foz, o Palácio de Cristal, e tantos outros locais ou monumentos continuaram (continuam) o deslumbramento. Mas, é curioso, que no princípio, o Porto Antigo, desde a Ribeira até à Sé, Praça, Clérigos e Santa Catarina, não tenha causado grande impacto em transmontano transplantado de Vila Real, como estudante ou de aldeia duriense, entre os granitos e os xistos. Seria o apelo do mar na Foz? As ondas do mar lembravam os sucessivos serros dos montes!? Ou era o fascínio do meio ambiente de nascimento embalado na cidade de acolhimento? Foi a mesma apelação da água salgada que devia ter deslumbrado muito dos nossos marinheiros transmontanos de antanho, como Fernão de Magalhães (Sabrosa) ou Diogo Cão (Vila Real).

    Quem frequentou as praias do Porto, só no verão e nos meses de setembro e outubro, por vezes, em novembro, fica perplexo ao ver banhistas na Foz, em meados de março! O tempo de ir, ao encontro de ver só o mar no inverno, já lá vai!...

    Vi, no domingo passado, biquínis e calções de banho, dentro e fora das calmas ondas, perto do paredão da Foz do Douro. Em homenagem aos afoitos aquistas, saí do carro, tirei a camisa, e apanhei sol.

    Reverso da medalha:

    Regressar a casa, ouvir na TV: «Os agricultores já gastaram as forragens de verão, por falta de chuva nos campos; as colheitas de citrinos e hortícolas ameaçadas... ; as abelhas sem flores...», e a técnica da Meteorologia acrescentava: «Há locais onde não cai um pingo de chuva há 44 dias (!), e estamos quase no fim do inverno».

    – Como será o futuro clima de Portugal?!

    A água é um bem precioso. Sem ciclos da água não há vida. Matar a sede passou a ser uma grande obra de caridade!

    Iremos a caminho de um clima tropical? Teremos que nos habituar a novos fatores biológicos? Vamos ter muitas agulhas a acertar, ou emigrar para nova residência?! Pessoas, com dores novas da cabeça, agora, dizem: «É do tempo, não consigo respirar, e sinto a boca seca»...

    Nunca se tinha visto, em pleno inverno, tanta gente a utilizar garrafas de água nos espetáculos!

    O relógio biológico que me faz despertar, durante o sono, em minutos precisos, passou a acordar-me para ir beber água, apesar do ar da cidade do Porto ser húmido, graças à Foz do Douro e ao mar.

    Se os relógios marcam as horas, os cronómetros dos seres vivos marcam os minutos do tempo, desde o nascer ao morrer.

    Na minha rua há uma fila de magnólias, entre as duas vias e os passeios. Como desabrocham cedo, lembram as amendoeiras em flor. Pois bem, este ano, o soberbo tom das flores apareceu depressa e durou poucos dias, contra o que era costume. Foi uma rápida amostra de primavera. O calor e a falta de água deviam ter sido as causas, pois a magnólia do fundo da rua, com mais humidade, em solo inclinado e de menor luz solar, ainda tem flores!

    Por: Gil Monteiro

     

     

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