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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 30-03-2010

    SECÇÃO: Crónicas


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    Selecção natural

    Se a selecção natural foi argumento fundamental para interpretar a evolução dos seres vivos e fossilizados, veio à baila, no intuito de dar justificação a comportamentos estranhos de animais e plantas. Mas, foram os estudos de Darwin e Wallace, no campo biológico, e Lyell, nos dados geológicos, que auxiliam a interpretar a evolução dos seres observados. Há um contra: são necessários muitos anos, senão milénios para conclusões, enquanto a nossa longevidade é pequena. No entanto, a ciência moderna prova a evolução pelas gerações dos microorganismos, em meios controlados – vejam-se as estirpes dos seres microscópicos estruturados contra os antibióticos ou os vírus da gripe! O apuro dos animais domésticos (cavalos, bois, cães, etc.) é outro argumento demonstrativo, ainda que por processos provocados. A clonagem é outro caso a considerar… Foi preciso cuidar do quintal portuense para relembrar a Selecção Natural, ao recolher dados da acção agrícola!

    Uma ameixoeira, tendo evoluído para velha, já com heras a parasitarem o tronco, foi tombada pelo vento. Chegou ao fim da existência? Não. Na luta pela vida, com o caule a pedir eutanásia, conseguiu florir! E, ao verem-se os ramos floridos, junto à relva, dói a alma para dizer: - Henrique, liga a motosserra! …

    Para as considerações apontadas é preciso haver uma aprendizagem e formação rurais, e gosto pela Natureza. Pelo conhecimento das lavandiscas (alvéolas), fazendo companhia aos bois, durante as vessadas, comendo as larvas das leivas, feitas pelas passagens do arado, leva a examinar o comportamento das aves, a procurarem alimentos, na terra remexida pelo Henrique.

    São as pombas, pardais e os melros os mais assíduos. Antigas rolas de cativeiro e passarinhos (já nidificaram no abacateiro) têm aí um habitat passageiro. Se as pombas chegam a fazer poças nos canteiros, os melros de bico bem amarelo comem sementes e alguns frutos. Serão descendentes de melros de gaiola? Bicos bons para assobiar parecem ter!

    Para chegar às considerações sobre a selecção natural, tenho de referir a existência dos abacateiros do quintal. São duas pereiras-abacate a produzirem frutos! Quando os ofereço, pensam que os comprei no mercado, vindos Chile! Se digo que são nascidos e criados no Porto ficam perplexos. As sementes tropicais (caroços) colocadas em vasos para flores, germinaram e foram transplantadas.

    Tenho peras-abacate para comer, dar a comer e oferecer, durante meses. É só apanhar os frutos e, passados uns dias, estão de casca escura e deliciosos a degustar. Quando informo sobre a origem, não querem acreditar que foram criados na cidade do Porto! É preciso informar como os abacateiros começaram a frutificar num terreno citadino. Pelos vistos, o ambiente da zona das Antas é bom! As peras-abacate, em tamanho e gosto, são iguais ou superiores às importadas – e são comidas na hora!

    Outros abacateiros, levados para Soutelo do Douro, não tiveram sucesso. As fortes geadas “queimaram” as plantas, mesmo protegidas com coberturas plásticas.

    Pois bem, os novos produtos (renovos) do quintal nunca foram danificados ou comidos por animais – desconhecidos nas suas dietas! Mas, este ano, os cataclismos chegaram ao Porto (!). Os frutos caídos foram utilizados, como alimento, pelos pássaros. Será que os melros vão passar a novos hábitos alimentares, com consequente inscrição genética?

    Como os caracteres hereditários levam séculos a terem novas mutações, espero que os melros continuem de penas negras e bicos amarelos!

    P.S. – Primeiro texto elaborado pelo autor em computador. Nunca é tarde, há sempre um amanhã…

    Por: Gil Monteiro

     

     

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