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    Arquivo: Edição de 10-07-2009

    SECÇÃO: Crónicas


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    Reino mágico

    É à arte de Miguel Torga, e ao seu Reino Maravilhoso – o natalício Trás-os-Montes – que devo o título da crónica.

    Olhando, de Soutelo do Douro, a Foz do Tua, e zonas envolventes, vimos uma paisagem mágica! É mesmo. Não me refiro à confluência dos rios, nem às pontes metálicas, da linha do Douro e do Tua, nem à ponte da Arrábida em miniatura, projectada pelo Professor Edgar Cardoso, antes da Arrábida do Porto, nem ao túnel do comboio, rasgando a montanha, a caminho de Mirandela…; mas sim, ao alinhamento dos valados verdes de vinha aprumada e alinhada, serpenteando os montes, é obra de duendes, e lembram um Reino Mágico.

    Se nos trigais escoceses são desenhadas figuras fantasmagóricas, da noite para o dia, sem justificação lógica, o mesmo se teria passado nos vinhedos?! (Não. É o cultivo mecanizado e moderno!).

    – Porquê tanto aprumo e os alinhamentos dos vinhedos? – indaguei, quando o jipe do João parou:

    – As máquinas constroem patamares de declives graduados nos terrenos, e cortam as vides tenras, entre os sucalcos. Vistos à distância, fascinam e encantam, lembrando as curvas de nível de carta geológica!

    A faina fluvial e os comboios apitam de alegria, aumentando o sonho imaginário – os habitantes do tal Reino até saudaram o solstício da chegada do Verão, nas penedias do Marão!

    Não é só encantamento. Vejamos:

    Uma garrafa de vinho de Soutelo do Douro, de rótulo “Arrobeiros” (homenagem aos vinicultores que vendiam as uvas à arroba), foi comprada em Toronto, e regressou vazia aonde foi enchida! O portador, emigrante no Canadá, disse:

    – É aqui que se vende disto? - mostrando a garrafa e a rolha usada!!!

    Pois bem, ao encarar o surpreendente comprador, eufórico por voltar a ter o vinho duriense, e vindo do outro lado do mar, recordei da quinta de Provesense, quando menino, a leitura da sina pelas ciganas, e ouvia sempre:

    – Está escrito, nas linhas da mão, que ainda vai atravessar as águas do mar!

    Curioso!, na leitura das mãos estaria também o destino das garrafas de vinho?!

    O vinho generoso engarrafado atravessou sempre os mares, espalhando a magia do Reino Maravilhoso de Torga, agora, uma garrafa de vinho de pasto, a ir e vir ao Canadá, cumprindo tal sina, é um prodígio!

    Não é preciso falar nas romarias, onde os anjinhos, as bandeiras, os andores, a banda de música, e o ar sério do Senhor Prior; ou os descantes populares e outros, para se ter a alma cheia de encanto transmontano.

    Os caretos e os mascarados do entrudo, nas suas vestimentas e atitudes, só em Trás-os-Montes e Alto Douro podiam reinar. É tal o alvoroço provocado por eles, que o rapazio faz a festa da puberdade. Mais tarde, quando eram inspeccionados para a tropa, outros festejos tinham lugar.

    Quem não se lembra das arruadas dos mancebos (muitos) da freguesia de S. Pedro e da freguesia da Sé, em Vila Real, no dia das inspecções militares!? Além dos bombos e música até metiam foguetes!

    Se “o sonho comanda a vida”, como escreveu António Gedeão, é preciso a magia para cumprir a vida!

    Por: Gil Monteiro

     

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