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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 30-05-2008

    SECÇÃO: Crónicas


    foto

    Robin

    O Robin era um cãozinho fantástico. Morreu assassinado!

    Foi a companhia mais que serena da Maria Fernanda. Foram quinze anos de dedicação à dona e, secundariamente, ao resto da família e amigos. Mas um cão corpulento e vadio, ao virar da esquina, abocanhou-o, apesar de ir à trela, conduzido pelo Mário, a passar uns dias na sua casa, enquanto a Maria Fernanda, internada no Hospital de Santa Maria, era sujeita a uma cirurgia.

    Não sobreviveu do ataque do bandido canino, mesmo com a ajuda do Mário e da operação veterinária. O atacante furou-lhe um pulmão!

    As palavras saíram engasgadas quando o levaram morto a casa da dona. Todos se comoveram e alguns choraram… Não foi o sentir da má guarida, foi antes a dedicação ao animal.

    Mesmo quando o Ricardo Filipe o levou, numa caixinha para o enterrar em Soutelo do Douro, se acabaram as lágrimas! Ficava a triste saudade.

    Falta dizer que o Robin era um tequel de pelo curto, mais conhecido por “salsicha”, e “só lhe faltava falar”, como repetia a dona deprimida pelo acontecimento.

    Sempre gostei de cães. Na quinta de Soutelo residem: um arraçado de Serra da Estrela, um Lavrador, muito bonito e meigo, abandonado pelos donos de passagem pela aldeia, e um Boxer.

    Quando frequentei a Escola de Provesende, a residir com os caseiros, na quinta familiar, tive um pequeno rafeiro só meu. Os bichos da quinta, mesmo a passarada, eram constantemente perseguidos pelo cão e pelo dono. Chegou a apanhar um coelho pequenito!

    Quando regressava à quinta, estava à espera, por vezes, ia ao meu encontro, enquanto descia o pinheiral até chegar ao armazém, antes da casa dos caseiros e da residência.

    O grande defeito do atrevido era o não poder passear na estrada, (entre o Senhor Jesus e a quinta da Cavadinha), pois atirava-se aos poucos automóveis que passavam, e impedia o convívio com o cantoneiro Henrique que, enquanto compunha as valetas e deitava areia ao macadame, ia conversando como amigo ou deixava-me brincar com a carreta!

    Passei a sofrer por esse cão: apanhou uma pancada da carreira do Taboada, que fazia o correio do Pinhão a Vila Real, e nunca conseguiu sossegar nos passeios pela estrada. Mal ouvia o ruído de um motor fugia para as vinhas e, por vezes, desaparecia!

    Do Porto a Soutelo do Douro, o finado Robin era “um relógio”.

    Deitado na ceirinha, mal saímos do IP4, saltava ao colo da dona para apanhar o ar da janela. Subindo para Mesão Frio, dava conta da chegada ao café costumeiro, mesmo encoberto nas curvas do caminho, sabia que íamos parar. Mais admirado ainda: antes de Soutelo acordava, deitava as patitas ao vidro e começava a ladrar de contentamento. Mal se entrava no portão, e se apitava, os três cães residentes festejavam-no, apenas se abria a porta do carro! Nunca teve medo, talvez a fatalidade!

    Na primeira ida à aldeia, depois de enterrado (canteiro ajardinado, junto a um fontanário), ao chegarmos, e ao toque da buzina, não apareceram os cães! Seria por o Robin não estar?!

    Por: Gil Monteiro

     

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