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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 20-09-2007

    SECÇÃO: Crónicas


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    Férias

    As férias serão um período de descanso? Deviam sê-lo. A finalidade nem sempre é cumprida. E já se vai ouvindo: "Agora que as férias acabaram, precisava de descansar!" Não quereria dizer sossego?

    Todos os trabalhos humanos tiveram as suas pausas. Mesmo os dos escravos e dos condenados às galés. Como é obvio, sem esses repousos, morreriam mais cedo, e adeus trabalho!... Até os animais tiveram e têm direito a estatuto de produção de energia. Se, quando era menino, assistia deliciado aos movimentos dos púcaros da nora, puxados pelo burro do Sr. Matos, ficava perplexo vendo a rega do milho parar, para o burro descansar: comer feno, beber água e endireitar a cabeça! O João, lá longe, deixava a sachola no rego, e vinha dar dois dedos de conversa, com o dono do animal, e decedentar-se com uns golos de vinho da cabaça, mergulhada na água fresca do rego saído da nora.

    Sofisticando o repouso dos animais, chegamos ao seguinte:

    Na visita a um parque biológico da Austrália, após ver os cangurus domesticados a pastar é proporcionado aos turistas tirarem uma fotografia de coala ao colo. A bicha dos interessados pode ser retida. Razão? O simpático animal modelo tem de ser substituído!, nem mais uma foto? Terminou o seu horário de trabalho! "Entraria em stress", justificou o tratador, quando faltavam apenas três interessados.

    A palavra férias é usada apenas nos tempos idos e actuais. Antigamente dizia-se: "O Sr. Ferreira já foi para águas".

    Quando o primo Armando vinha de Lisboa passar uns dias, em Setembro, à quinta de Provesende, nunca o ouvi dizer que estava de férias, apesar de ser engenheiro técnico! Quando os emigrantes dos anos cinquenta, regressavam para a festa da Senhora da Azinheira de S. Martinho, dizia o Zé do viúvo: - Consegui vir de "vacanças"!

    Ilustração RUI LAIGINHA
    Ilustração RUI LAIGINHA
    Mesmo que as férias não dêem para descansar das fadigas, e cuidados acumulados, tranquilizam o espírito. " É o carregar de baterias," como diz o Zeferino.

    Fazer turismo é também observar novas gentes, e espraiar a alma em novos horizontes, e ir ao encontro dos novos locais visitados, recolher imagens (como estive) e comprar "recuerdos".

    Só quando mostramos a cidade do Porto e arredores a estrangeiros é que ficamos a saber (no concreto) o que motiva os turistas e a riqueza que temos!

    Ao ouvir na rádio que o ecoturismo aumentou e já vai em nove a dez por cento na (Europa), congratulei-me com o regresso às origens dos citadinos, ainda que só de passagem. As grandes férias de ruralidade viram aí!?

    Em detrimento da praia em Lavra, irei a S. Martinho de Anta à Senhora da Azinheira. Tive o prazer de ir à Serra, ouvir as bandas de música nos coretos, e recordar o orador - Pe. Cardoso, cumprimentar o sr. Pe. Avelino e abraçar o Toninho Juca de Roalde. Será melhor do que apanhar nortadas ou mergulhos na Foz do Douro!

    Os destinos turísticos têm modas. Visitar a muralha da China é um sonho! Bem mais perto, a Croácia está na berlinda. Satisfazendo a solicitações familiares, fui conhecer a Costa do mar Adriático. Os países balcânicos foram sempre preocupantes, desde que aprendi a causa da 1ª Guerra Mundial (assassínio do herdeiro da coroa austríaca, em visita à Sérvia).

    Pela primeira vez visitei um museu de arte Naif. E foi preciso ir à capital da Croácia. Zagreb ficaria na memória pelo seu insipiente museu de arte ingénua, pois as três salas de exposição tinham apenas um único sanitário.

    Os necessitados tiveram que ir para a bicha e esperar. Enquanto isso, deu para aprofundar a observação dos quadros. Mesmo à porta do W.C., estava um. A espera deu para ver o nome do autor. Chamava-se MIJO!

    Por: Gil Monteiro

     

     

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