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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-01-2007

    SECÇÃO: Crónicas


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    Inovar é preciso

    O verbo inovar tem significado bem preciso. Ser imperiosa a inovação é que não lembra a muita gente! Iria dizer: a origem da vida é inovação; sem evolução e adaptação dos seres vivos ao ambiente não haveria sobrevivência; o próprio ambiente se modifica.

    Durante as guerras Púnicas (Roma e Cartago), Aníbal tinha elefantes selvagens domesticados a servirem de escudos e a desbaratarem os exércitos romanos. Hoje, os habitats desses elefantes são areias do deserto, onde passam ralis!

    As festas do Natal e Ano Novo são bem características da evolução rápida dos costumes e do conhecimento. Telemóveis e jogos de computadores preenchem as prendas à volta dos presépios e árvores de Natal. Só as crianças, que mal sabem ler, têm direito a roupas ou bonecos sofisticados, capazes de darem saltos até à lareira, onde os cavacos crepitam no borralho!

    Tudo muda, e como se disse: é obrigatório mudar. Surpreendente é a mudança rápida e quase abrupta: o cantar dos Reis não são mais os "vivas" às portas das casas; pelo contrário, são os coros e tocatas a irem às casas das pessoas importantes, onde está preparada a mesa para os receber!

    Aprendi a fazer um presépio com o Sr. Prior de São Martinho de Anta, quando ministrava a catequese, e na serra da Senhora da Azinheira (porquê?). Seriam os ares propícios aos conhecimentos bíblicos? Talvez. Lembro que, ao calcorrear o íngreme caminho, a miudagem fazia uma paragem para contemplar (rezar?!) numa buraquinha, no solo granítico em ferradura, feita pela burrinha da Sagrada Família, quando fugia para o Egipto!

    OS PRESÉPIOS

    DA CAPELA DE ROALDE

    Ilustração RUI LAIGINHA
    Ilustração RUI LAIGINHA
    Mais tarde, os presépios da capela de Roalde ficaram famosos. A inovação foi do Armando, aluno do Seminário de Vila Real. A neve, que cobria o musgo, era feita com o serrim fino da serração dos Matos, e os caminhos para a gruta estavam marcados a ocre amarelo, resultante da erosão das rochas xistosas do caminho da fonte da Tenaria, junto da nascente e da lameira de corar a roupa encardida.

    As figuras eram feitas de barro cozido. As ovelhinhas e os pastores eram do gosto da pequenada, pois estava-se na época da transumância dos rebanhos, com pastores de ceifões, a ocuparem os montes e lameiros da Tenaria, vindos da Serra da Estrela.

    Com o andar dos tempos, os roaldenses levaram consigo o presépio na alma, e não esqueceram: a Missa do Galo e o Menino Jesus deitado em pelote, nas palhinhas da manjedoura; no dia de Ano Novo, já vestido, era maior; nos Reis já estava em pé e de manto comprido, recebendo os beijos dos fiéis da Missa, antes do leilão das oferendas para a festa de Santa Maria Madalena!

    O presépio actual foi-se adaptando à árvore de Natal ou vice-versa. Uma mesa redonda de tampo chumaçado mostra os montes de Belém, revestidos a musgo, e a gruta, onde as figuras tradicionais estão presentes, não esquecendo a vaquinha "aquecendo" o Deus Menino; a farinha triga dá o tom da neve e a farinha de milho os caminhos. Ao lado está o pinheiro carregado de enfeites e luzes chinesas. As prendas são postas por baixo e ao redor da mesa. Finda a ceia natalícia, finge-se que o Pai Natal bate à porta para entregar os presentes.

    O Professor não é mais o mestre antigo, senão seja-se:

    Abertas as prendas, calhou a um neto, de dois anos, um jogo de frutos pintados em madeira; logo o avô, leccionando o nome dos frutos, obteve respostas correctas do pivete em: uvas, bananas etc., quando mostrou a gravura do morango e não recebeu resposta, repetiu com paciência,… morango!, – e ouviu perplexo:

    "Morango com açúcar"!!!

    Por: Gil Monteiro

     

     

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