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Edição de 31-03-2020
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    Arquivo: Edição de 30-11-2006

    SECÇÃO: Crónicas


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    Big Bang

    Desde menino que tenho interesse em observar as acções telúricas. Passava horas a ver o Adelino e o Carrapato a saibrar a vinha da Fonte.

    Desbancar os xistos, à pá e a ferro, era um cinema de desenhos animados! Quando a marreta partia as lajes, e os detritos saltavam, tinha que me arredar da vala. Num movimento brusco, do Adelino Doutor, o ferro feriu um dedo do Carrapato. Ao ver pingar o sangue, e falar em álcool, corri a casa a pedir socorro! Não havendo álcool, levei um púcaro de aguardente, correndo para curar o Carrapato! Esbaforido, e tendo perdido metade do líquido na corrida, entreguei o púcaro. Na vez de retirar o lenço que embrulhava o dedo, desinfectando a ferida, bebeu a aguardente!...

    Vendo o meu espanto, disse:

    O dedo vai ser curado por dentro!...

    As notícias do dia-a-dia trazem, agora com mais frequência, as desgraças ambientais. As alterações climáticas, fruto do desenvolvimento global das sociedades, são responsáveis pelas secas, tempestades, furacões, deslizamentos de terras, transgressões marinhas, sismos, etc. O Alentejo, onde os bovinos já morreram por falta de pasto (Verão passado), está a sofrer inundações! Como será no amanhã?

    Se houver bom senso, poder-se-á atenuar as catástrofes fazendo melhorar a gestão dos recursos energéticos, e controlando o dióxido de carbono, a enviar para a atmosfera. Ouvir dizer: "Plantar uma árvore é consumir vinte e dois quilos de dióxido de carbono", é uma esperança.

    Ilustração RUI LAIGINHA
    Ilustração RUI LAIGINHA
    Os sismos e os tsunamis são flagelos frequentes. Como os prever?

    Há estudos científicos de grande valia, e quase certas as explicações geológicas.

    Os americanos já pensam olear as placas tectónicas, para que choques, entre elas na zona sísmica de S. Francisco, sejam controlados.

    E prever os terramotos?

    O estudo dos animais sensíveis às ondas sísmicas continua. Assim, baratas especiais podem indicar a vinda de um tremor de terra (saem dos esconderijos antes dos cataclismos). O princípio é o mesmo do ditado popular: "Tempestade no mar, gaivotas em terra". Conforme a intensidade assim são maiores os efeitos. Nas grandes tempestades na Foz do Douro, as gaivotas chegam à cidade da Régua!

    O cãozito tequel tem-me levado a pensar na origem dos fenómenos da vida terrestre. Como consegue adivinhar que os donos vão sair para Soutelo, antes dos preparativos imediatos?

    Deitado na alcofa, no banco do carro, por vezes coberto, o que o leva a levantar-se, antes do café do Cavalinho?

    Mais: dá conta que está a chegar à aldeia, por maior que seja o silêncio e o piso da estrada ser igual até ao portão!

    Há uma certeza: as ondas, as radiações ou os odores tornam-no privilegiado. A genética canina irá dar a resposta.

    A organização da matéria é responsável dos fenómenos passados e actuais da História geológica da Terra. Tudo é consequência do Big-Bang e do sincronismo originado.

    Se as partículas cósmicas, da grande explosão, fossem de quantidade igual, entre positivas e negativas, o Universo seria um Buraco Negro! Os astros e a vida são consequências dessas cargas iónicas. Esse determinismo, na origem da terra, teria chegado às memórias dos seres vivos?

    A acção do código genético do Roby, o tal cãozito de estimação, fez das suas, após a chegada a Soutelo: entrou no armazém de engarrafamento e, enquanto os vinhos eram dados a provar às visitas, meteu-se entre as garrafas colocadas no chão de cimento, fazendo-as tilintar como fosse um furão à procura de caça; claro, partiu uma de vinho do Porto!

    Por: Gil Monteiro

     

     

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