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Edição de 31-01-2026
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    SECÇÃO: Destaque


    ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026

    Seguro vence, mas não evita segunda volta com Ventura

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    António José Seguro ou André Ventura, um deles será o futuro Presidente da República. Ambos vão discutir a vitória na segunda volta das Eleições Presidenciais. Facto confirmado a 18 de janeiro passado, altura em que os portugueses foram às urnas para escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa no cargo mais alto da nação. Naquela que seria então a primeira volta das Presidenciais de 2026, Seguro e Ventura ficaram, respetivamente, no primeiro e segundo lugar de uma lista de 11 candidatos (!), com 31,11% e 23,52%. Em relação à concorrência, os dois candidatos mais votados foram os únicos que ultrapassaram a fasquia do milhão de votos. Mas antes de analisarmos os resultados desta primeira volta, olhemos para alguns factos que a antecederam. Desde logo o já referido número de candidatos (11), o maior leque de pretendentes, digamos, à cadeira da Presidência da República em 50 anos de Democracia. Dizer também que estas foram (ou estão a ser) de igual forma uma das Eleições Presidenciais mais imprevisíveis de sempre. Nas semanas que antecederam o ato eleitoral da primeira volta a incerteza quanto a quem passava à segunda volta era uma constante, já que os favoritos estavam separados (de acordo com as muitas sondagens realizadas) por escassos pontos percentuais. Segunda volta que em Democracia só por uma vez tinha acontecido, em 1986, quando Mário Soares derrotou Freitas do Amaral e foi eleito para o seu primeiro mandato enquanto Chefe de Estado. Pois bem, atendendo a tudo isto o início da noite eleitoral de 18 de janeiro último foi envolta em dúvidas, as quais rapidamente foram dissipadas com o avançar do tempo em relação aos dois candidatos que passariam à segunda volta.

    SEGURO FOI O CANDIDATO MAIS VOTADO NA PRIMEIRA DAS PRESIDENCIAIS DE 2026
    SEGURO FOI O CANDIDATO MAIS VOTADO NA PRIMEIRA DAS PRESIDENCIAIS DE 2026
    Seguro foi o vencedor da primeira volta, com os já referidos 31,11% dos votos, sendo este o melhor resultado de um candidato apoiado pelo PS desde a reeleição de Jorge Sampaio em 2001. Na “primeira parte” desta corrida a Belém, o candidato apoiado pelos socialistas foi o mais votado em 18 dos 20 círculos eleitorais. O seu melhor resultado foi registado no Distrito de Castelo Branco, onde obteve 40,20%. Ironia ou não, em termos da totalidade dos resultados nacionais, esta é a maior vitória do PS (em eleições nacionais) desde que ficou “órfão” de António Costa, figura esta que em 2014 afastou da liderança do partido… António José Seguro. No rescaldo da noite eleitoral de 18 de janeiro, Seguro prometeu – já em jeito de campanha para a segunda volta – que «jamais serei um presidente de uma parte dos portugueses contra a outra parte dos portugueses. Jamais! Serei o presidente de todos os portugueses e faço esse juramento perante vós». Afirmando que este triunfo na primeira volta havia sido uma «vitória da democracia», Seguro disse ainda que há muito «a mudar no país», prometendo, no entanto, «uma mudança tranquila», ao mesmo tempo em que se comprometia a levar por diante uma campanha de moderação na segunda volta.

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    André Ventura é agora o outro candidato na corrida a Belém, obtendo 1.326,657 votos (o equivalente a 23,52%), mais do que duplicando os resultados por si obtidos nas Presidenciais de 2021. Aliás, Ventura subiu em cerca de um ponto percentual o resultado do partido que lidera, o Chega, em relação às Eleições Legislativas de 2025.

    A nível de círculos eleitorais destas Presidenciais, Ventura venceu em Faro e na Madeira. Na alocução pública após terem sido conhecidos os resultados desta primeira volta e que o davam como candidato mais votado dos partidos do arco da direita, o líder do Chega começou por dizer que «a direita fragmentou-se como nunca, mas os portugueses deram-nos a liderança», cantando vitória sobre «o candidato do montenegrismo e sobre o que se dizia liberal», como referiu então. Olhando para o que poderá ser a segunda volta destas Presidenciais, Ventura frisaria que «nós só perderemos estas eleições por egoísmo do PSD e da Iniciativa Liberal (IL), que se dizem de direita», adiantando que dali até ao próximo dia 8 de fevereiro (data para a segunda volta destas eleições) iria «ser uma luta do espaço não socialista contra o espaço socialista em Portugal».

    ANDRÉ VENTURA NO MOMENTO EM QUE EXERCIA O SEU DIREITO DE VOTO FOI O CANDIDATO MAIS VOTADO NO ARCO DA DIREITA
    ANDRÉ VENTURA NO MOMENTO EM QUE EXERCIA O SEU DIREITO DE VOTO FOI O CANDIDATO MAIS VOTADO NO ARCO DA DIREITA
    Quem acalentou chegar precisamente à segunda volta foi João Cotrim de Figueiredo. De acordo com as sondagens que foram saindo nos dias e semanas que antecederam o ato eleitoral de 18 de janeiro, o candidato apoiado pela IL discutia taco a taco com Ventura e Seguro a passagem à segunda volta. No entanto, acabaria por ficar em terceiro lugar nas intenções de voto dos portugueses, com 16,00%, longe, na verdade, do segundo lugar que lhe daria a passagem a essa almejada segunda volta. Cotrim de Figueiredo assumiu este objetivo falhado como «uma derrota pessoal. Não é uma derrota da equipa e da ideia de que Portugal pode ser mais e melhor. É uma derrota pessoal do candidato, que não conseguiu traduzir essas ideias», disse. Questionado sobre quem iria apoiar na segunda volta, o ex-presidente da IL assegurou que não tencionava apoiar nem Seguro nem Ventura, projetando, no entanto, que seria «provável que tenhamos um presidente socialista em Belém», acrescentando ainda a esta visão pessoal «ficará a dever-se a um erro estratégico do PSD. Luís Montenegro não pôs o interesse do país à frente do seu partido».

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    Também muito longe de uma ida à segunda volta ficou Gouveia e Melo, com 12,32%. Não deixou de ser uma surpresa, tendo em conta que mesmo antes do anúncio oficial de que iria ser candidato, as sondagens então vindas a pública davam o almirante como favorito a ser o próximo Presidente da República. No entanto, e com o passar dos meses, o independente Gouveia e Melo foi caindo nas sondagens e as urnas acabariam por confirmar essa queda, não indo além do quarto lugar. Admitindo que este resultado ficou aquém do que idealizou aquando da sua candidatura a Belém, o almirante afirmaria, no entanto, que esta havia sido «uma experiência que muito me honrou», e que dali em diante iria continuar disponível para servir Portugal. «O país continuará a contar comigo, com a minha participação cívica, com a minha voz», disse.

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    O grande derrotado da noite foi, quiçá, Marques Mendes. Derrota esta que pode ser extensiva ao PSD (ou Aliança Democrática, se acrescentarmos nesta equação o CDS-PP) e ao… governo. Marques Mendes que nestas Presidenciais teve o apoio do PSD e do seu presidente, Luís Montenegro, que é o atual primeiro-ministro; e de várias figuras do partido que atualmente desempenham cargos de ministros no atual elenco governativo, não foi além de 11,30% dos votos. Números que traduzidos para o contexto histórico fazem deste o pior resultado de sempre (em Eleições Presidenciais) entre candidatos apoiados pelo PSD. No entanto, o candidato assumiu esta pesada derrota como sendo uma responsabilidade somente sua. «Não fico amargurado, não fico ressentido, não guardarei qualquer mágoa ou rancor. Gosto muito do meu país, honrou-me muito servi-lo e honrou-me muito ser candidato a Presidente da República», disse ainda Marques Mendes.

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    Se retirarmos o PS desta equação, a esquerda viveu outra noite eleitoral de pesadelo, se compararmos com os recentes atos eleitorais que aconteceram no país. Os candidatos apoiados pelo PCP, pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo Livre, juntos, não foram além de 4,38% por cento dos votos e ficaram a uma longa distância dos cinco principais favoritos a chegar à segunda volta. Destas três forças partidárias com assento na Assembleia da República, a candidata apoiada pelo BE, Catarina Martins, foi a que obteve uma melhor votação, com 2,06%, um resultado que mesmo assim é o pior de sempre (em Presidenciais) registado por um candidato apoiado por este partido desde que este (em 2001) apresentou “concorrentes” a Belém. Também António Filipe, candidato apoiado pelo PCP, obteve o pior resultado de um candidato apoiado por este partido desde que se realizam Eleições Presidenciais em Democracia (desde 1976). O candidato comunista não foi além de 1,64% das intenções de voto neste ato eleitoral. Muito pior foi a prestação de Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre, que com os seus 0,68% ficou atrás do satírico (e cómico) candidato (independente) Manuel João Vieira. O candidato que prometia Ferraris e vinho canalizado aos portugueses conquistou mais de 60.000 votos (o equivalente a 1,08%), ficando então à frente de um candidato apoiado por um partido com assento na AR, como é Jorge Pinto. Mais abaixo destes dois candidatos posicionaram-se os independentes André Pestana (com 0,19%) e Humberto Correia (com 0,08%). Ainda nesta noite eleitoral catastrófica para BE, PCP e Livre, os três candidatos apoiados por estes partidos declararam publicamente o seu apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições. Após admitir o «muito abaixo do esperado» resultado por si obtido, Catarina Martins frisou que a resposta democrática passaria a partir de então por votar em Seguro na segunda volta. Também Jorge Pinto afirmou o seu voto no candidato socialista no próximo dia 8 de fevereiro. Já António Filipe sublinharia ser essencial «derrotar os propósitos reacionários de André Ventura», apelando em seguida ao voto em Seguro, não que isso, ainda nas suas palavras, significasse um «apoio às suas (de Seguro) posições políticas, mas sim a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura», disse o candidato apoiado pelo PCP. E se a esquerda se uniu de pronto a António José Seguro, a direita (PSD e IL) optaram de imediato por oficialmente não apoiar nenhum dos dois candidatos que vão disputar a segunda volta. Apesar desta neutralidade da direita, foram várias as personalidades ligadas quer ao PSD, quer ao CDS-PP, quer à IL, que nos dias seguintes a esta primeira volta anunciaram que iriam votar em… Seguro. Por exemplo, foram os casos de Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto; de António Capucho e de José Pacheco Pereira, dois militantes do PSD; de Cecília Meireles, de Diogo Feio, de Francisco Rodrigues dos Santos e de Paulo Portas, três nomes ligados aos CDS-PP; ou do líder da bancada da IL, Mário Amorim Lopes. Dias depois do ato eleitoral, o próprio Marques Mendes anunciou o seu apoio a António José Seguro, referindo-se ao socialista como «o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação». Também o ex-Presidente da República Cavaco Silva anunciou uma semana depois o seu voto em Seguro. Veremos o que acontece no próximo dia 8 de fevereiro, dia em que os portugueses serão de novo chamados às urnas para escolher o próximo Presidente da República.

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    Olhemos agora para a abstenção desta primeira volta das Presidenciais. E aqui regista-se uma boa notícia, tendo em conta que a taxa de abstenção caiu para 47,66%. É preciso recuar 20 anos (aquando da primeira eleição de Cavaco Silva) para ver uma taxa de abstenção tão baixa, ou por outras palavras, que a participação não era tão elevada.

    VITÓRIA DE SEGURO SOBRE VENTURA FOI MAIS EXPRESSIVA NO DISTRITO DO PORTO

    Tal como sempre fazemos em cada ato eleitoral nacional, vamos agora olhar como foi a votação a nível distrital e concelhio nesta primeira volta das Presidenciais de 2026.

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    Comecemos por ver o que aconteceu no Distrito do Porto, onde António José Seguro foi o candidato mais votado ao registar 31,77% dos votos, um resultado muito semelhante ao que foi obtido a nível nacional. Porém, a diferença entre Seguro e Ventura foi maior no nosso distrito do que a nível nacional: quase 11 pontos percentuais (10,9%) a nível distrital face aos cerca de oito pontos percentuais (7,92%) no plano nacional. No Distrito do Porto, Ventura registou 20,87% dos votos, seguido de muito perto por João Cotrim de Figueiredo, com 17,50%. António José Seguro foi o candidato mais votado na quase totalidade dos concelhos do nosso distrito, tendo perdido para André Ventura apenas no concelho da Póvoa de Varzim. Foi em Baião onde Seguro alcançou a sua melhor votação em termos distritais, com 44,80%. Cotrim de Figueiredo ultrapassou Ventura na corrida pelo segundo lugar em três concelhos: Matosinhos, Porto e Maia. Na luta pelo quarto lugar, há uma troca no distrito se compararmos com o que aconteceu em termos nacionais, ou seja, Marques Mendes superou por cerca de escassas duas décimas Gouveia e Melo, contrariamente ao que aconteceu a nível nacional em que o almirante ficou à frente do candidato apoiado pelo PSD. Diferença acentuada entre o que aconteceu no plano nacional face ao plano do nosso distrito registou-se na abstenção, onde aqui (distrito) a taxa de abstenção se cifrou em 35,05%, menos 12,61% do que a nível nacional.

    SOBRADO CONTRARIOU TENDÊNCIA NACIONAL, DISTRITAL E CONCELHIA

    À semelhança do aconteceu a nível nacional, também no Concelho de Valongo António José Seguro foi o candidato mais votado na primeira volta das Eleições Presidenciais. O candidato apoiado pelo PS obteve no nosso concelho 31,93% dos votos, um resultado idêntico ao que foi alcançado a nível nacional: 31,11%. André Ventura ficou no segundo lugar no plano concelhio, com 23,40% dos votos, números de igual modo em tudo semelhantes aos que o líder do Chega registou a nível nacional: 23,52%. Também Cotrim de Figueiredo obteve a nível concelhio uma votação muito parecida à que registou em termos nacionais, na casa dos 16%, o que lhe garantiu o terceiro lugar no nosso concelho. A abstenção, essa foi de 34,95%, ligeiramente menor do que a que foi registada a nível distrital e muito menor do que a averbada em termos nacionais.

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    Ao nível de freguesias, António José Seguro venceu em quatro das cinco freguesias do concelho. A exceção foi Sobrado, que deu a vitória a Ventura, com 28,89%, contra os 23,99% do candidato apoiado pelo PS. Foi em Ermesinde onde Seguro registou a sua melhor votação ao nível de freguesias: 34,15%. Aliás, foi também na nossa freguesia onde André Ventura teve a menor votação em termos das freguesias do nosso concelho: 20,53%. Foi igualmente em Ermesinde onde a diferença entre os dois candidatos que passaram à segunda volta foi maior, isto é, Seguro ficou à frente de Ventura com mais 13,62%. Em Campo, foi onde essa diferença entre estes dois candidatos foi menor, com a vantagem do socialista a ser apenas de 2,19% sobre o líder do Chega.

    Mas foi em Sobrado onde a votação nacional, distrital e concelhia foi contrariada. Ou seja, para além de André Ventura ter sido ali o candidato mais votado, também o terceiro lugar foi de Marques Mendes, com 18,06%, relegando o terceiro candidato mais votado em termos nacionais, do nosso distrito e no nosso concelho, Cotrim de Figueiredo, para o quarto lugar. Foi também nesta freguesia que Manuel João Vieira ficou à frente de Jorge Pinto e António Filipe, dois candidatos apoiados por aparelhos partidários. Factos, ou curiosidades, se lhes quisermos assim chamar, que não são de admirar, tendo em conta que historicamente Sobrado sempre foi uma freguesia virada à direita. Contrariamente a Campo, um bastião de esquerda, onde o PCP sempre predominou, e que nestas eleições confirmou essa teoria (?), já que ali o candidato António Filipe obteve a sua melhor votação em termos de freguesias do nosso concelho: 3,01%. Um número bem acima do que foi obtido pelo candidato comunista no plano nacional. No que concerne à abstenção ela foi menor na freguesia de Valongo (33,10%) e mais elevada em Ermesinde (36,13%), mas ainda assim dois números que ficam muito abaixo da taxa registada a nível nacional.

    Por: MB

     

     

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