O DESAFIO DA EDUCAÇÃO
Síndrome de Asperger
O grande desafio que se coloca aos pais é a procura de melhores respostas para as diferentes situações ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.
Este espaço pretende informar e responder a questões generalizadas na área do desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem e suas implicações no percurso escolar. Para um maior esclarecimento: [email protected] ou www.elisabetepinto.com
A Síndrome de Asperger (SA) é uma perturbação de desenvolvimento, considerada uma variante de autismo. De uma forma geral, esta síndrome caracteriza-se por alterações ao nível do comportamento social, dos interesses, da linguagem e das funções motoras, sociais e cognitivas (Martins, Fernandes & Palha, 2000).
As características mais frequentes da SA são (Borges e Shinohara, 2007):
a) Repetição de palavras e/ou frases ouvidas de outros (ecolália);
b) Voz pouco emotiva e sem entoação (monocórdica);
c) Interesses restritos – focalização da atenção num só assunto durante um longo período de tempo em detrimento de temáticas sociais (por exemplo, interesse excessivo por colecções e cálculos);
d) Presença de habilidades invulgares como cálculos matemáticos complexos e memorização de grandes sequências;
e) Interpretação à letra – incapacidade para interpretar por exemplo metáforas e ironias;
f) Dificuldade na comunicação não verbal, incluindo contacto ocular, uso de expressões faciais, gestos e movimentos corporais;
g) Pensamento concreto;
h) Dificuldade na compreensão e expressão de emoções;
i) Falta de auto-censura (falam tudo o que pensam);
j) Fixação em rotinas, rituais, assuntos específicos e dificuldade de adaptação a mudanças;
k) Atraso no desenvolvimento motor incluindo a coordenação motora grossa e fina, nomeadamente na escrita;
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Foto SONYA ETCHISON |
l) Dificuldades na organização e planeamento de tarefas;
As principais características que distinguem o Asperger do autismo é, que na primeira, a inteligência e a linguagem mantêm-se normais ou acima da média, enquanto que no autismo se verifica uma alteração nestas áreas (Borges e Shinohara, 2007).
O diagnóstico de SA inclui duas fases, a primeira abrange a utilização de um questionário a pais e professores e a segunda envolve uma avaliação clínica efectuada por médicos e/ou psicólogos, tendo em conta vários critérios estabelecidos que incluem as dimensões: comportamento social, interesses, linguagem, funções motoras e sensoriais e cognição (Atwood, 1998).
A intervenção psicológica na SA inclui o treino de competências sociais em grupo. Esta foca-se em aspectos como o contacto ocular, o sorriso e a partilha com os pares. Este trabalho pode ser desenvolvido através de dinâmicas de grupo e de roleplaying (representação de papéis e situações). A intervenção deve ter como objectivos melhorar a interacção apropriada com pais, pares, professores, outros cuidadores e membros da comunidade e ainda aumentar a percepção das emoções e sentimentos dos outros através da comunicação não-verbal (Batshaw, 1997).
Relativamente à intervenção dos pais, estes devem ensinar a criança a iniciar, manter e terminar uma determinada interacção, como por exemplo uma conversa. Podem também incentivar a presença de um amigo que brinque com a criança em casa e/ou inscrever a criança em associações/clubes como escuteiros, música ou teatro, promovendo assim as suas experiências sociais (Martins, Fernandes & Palha, 2000).
Quanto à escola, é importante envolver a criança em jogos de cooperação e de equipa e em actividades de manutenção física. O professor/educador deve ensiná-la a ser flexível e a partilhar, deve também servir de modelo de relação com a criança, prepará-la para qualquer mudança, dar-lhe instruções directas e acompanhadas de exemplos, assegurando-se sempre de que estas foram compreendidas. Realça-se ainda a necessidade de introduzir regras de conduta social, do comportamento e de participação numa conversa, desenvolvendo competências para saber quando responder, interromper ou mudar de assunto. Por último, aconselha-se o uso de desenhos e de histórias sociais para incentivar a mudança, e a utilização de material concreto na apresentação de conceitos abstractos. Em todas estas abordagens é fundamental o reforço positivo (elogio ou abraço) sempre que a criança faz algo bem (Martins, Fernandes & Palha, 2000).
Os pacientes com Síndrome de Asperger, ao contrário dos pacientes com autismo, têm maior consciência das suas diferenças. Este facto conduz a um maior sofrimento/frustração o que poderá reflectir-se em dificuldades psicológicas na vida adulta (Tantam, 1989).
Apesar dos inúmeros estudos já publicados acerca deste tema, verifica-se a existência de algum desconhecimento sobre a forma mais adequada de lidar com as especificidades da SA, em escolas e instituições. Assim sendo, é importante que os pais e os docentes procurem (in)formações junto de equipas multidisciplinares. Todos juntos poderemos ajudar estas crianças a sentirem-se mais integradas e felizes.
Por: Elisabete Pinto*
*com Joana Pinto (psicóloga) e Rita Regêncio (terapeuta da fala)
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