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Edição de 28-02-2026
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    SECÇÃO: História


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    | “ERMESINDE DEPOIS DE ABRIL” (1)

    O ano 1974

    Inicia-se, com este artigo, uma nova secção em A Voz de Ermesinde, intitulada “Ermesinde depois de Abril”, dedicada à análise e à divulgação da vida política, social, institucional e cívica da freguesia desde a Revolução de 25 de Abril de 1974 até à atualidade. A criação desta rubrica justifica-se plenamente no contexto do ano de 2026, em que se assinalam cinquenta anos da consolidação efetiva do regime democrático em Portugal, simbolizada pela entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa de 1976 e pela realização das primeiras eleições presidenciais, legislativas e autárquicas em liberdade.

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    A história nacional desses anos é amplamente conhecida. Menos estudada, porém não menos relevante, é a forma como a transição democrática foi vivida no plano local, nas vilas e cidades onde o novo regime ganhou corpo concreto através de mudanças institucionais, mobilização popular, redefinição de lideranças e emergência de novas formas de participação cívica.

    O dia 25 de Abril de 1974 marcou o fim do regime autoritário do Estado Novo, iniciado com a vigência da Constituição de 1933, derrubado pela ação do Movimento das Forças Armadas, coordenado operacionalmente por Otelo Saraiva de Carvalho. A notícia da Revolução chegou rapidamente a Ermesinde, como ao restante país, sendo recebida com expectativa, esperança e também com prudência, num território onde as estruturas do poder local e associativo se encontravam ainda fortemente marcadas pelo modelo corporativo do regime deposto.

    Poucos dias depois, a 1 de maio de 1974, a freguesia foi marcada pelo falecimento de José Ferreira do Vale, figura de relevo na vida social local. Fundador da “Sopa dos Pobres” e protagonista de múltiplas iniciativas filantrópicas (grande amigo também deste jornal), José Ferreira do Vale foi o último presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde durante o período da Primeira República. A sua morte, ocorrida num momento de rutura histórica, foi profundamente sentida.

    O novo clima político fez-se sentir de forma particularmente intensa nos primeiros dias de maio. A 2 desse mês, um grupo de ermesindenses favorável à instauração do regime democrático reuniu-se com o objetivo de promover alterações profundas nas lideranças da Junta de Freguesia e de diversas entidades e instituições locais de grande peso social, como os Bombeiros Voluntários, a Casa do Povo, o Ermesinde Sport Clube e o Clube de Propaganda da Natação. Este movimento refletia a vontade de alinhar as estruturas locais com os princípios democráticos emergentes, numa lógica de rutura com práticas herdadas do passado.

    Durante o mês de junho de 1974, surgiu a Frente Democrática Popular de Ermesinde (FDPE), organização de base local que, embora não resultasse de uma ação partidária estruturada, agregou diversas individualidades comprometidas com a democratização da vida política e social da freguesia. Alguns dos seus membros pertenciam já a organizações políticas, nomeadamente ao Partido Comunista Português, o que se refletia em parte do discurso e das propostas apresentadas. Ainda assim, a Frente assumiu-se sobretudo como uma plataforma de intervenção cívica local, num contexto marcado pela fluidez organizativa típica do período revolucionário.

    A clarificação política tornou-se uma preocupação central. A 1 de julho de 1974 foi divulgado um documento dirigido à população de Ermesinde, destinado a esclarecer as diferenças e os objetivos do Movimento Democrático de Ermesinde (MDE) e da FDPE. A existência simultânea destas estruturas ilustra bem a diversidade de posicionamentos e estratégias que caracterizaram os primeiros meses do pós-25 de Abril no plano local.

    Paralelamente à agitação política, registaram-se avanços significativos no domínio social.

    A 19 de agosto de 1974 entrou finalmente em funcionamento, na Gandra, o novo Posto Clínico da Previdência de Ermesinde, após oito anos de obras. Esta infraestrutura passou a servir não apenas a população da freguesia, mas também residentes de Alfena, São Pedro Fins, Água Longa e parte de Águas Santas, representando um progresso relevante no acesso aos cuidados de saúde numa região em crescimento demográfico acelerado.

    No campo da liberdade de expressão, setembro de 1974 trouxe um momento particularmente simbólico. A Voz de Ermesinde publicou então o artigo “O drama dos pobres mineiros”, da autoria de Manuel Moreira Pereira, escrito nove anos antes e sucessivamente impedido de publicação pela censura. O seu aparecimento no jornal constituiu um gesto de afirmação da nova liberdade de imprensa e de recuperação de uma memória social até então silenciada.

    Também a organização administrativa local começou a refletir os novos tempos. A 25 de setembro de 1974, a Junta de Freguesia de Ermesinde deliberou sobre o horário de atendimento ao público da sua Secretaria, tornando-o regular e acessível, incluindo a abertura ao sábado. Medidas deste género, aparentemente simples, traduziram uma nova conceção de proximidade entre as instituições e os cidadãos.

    No plano simbólico e urbano, outubro de 1974 ficou marcado por alterações visíveis. O cabeçalho de A Voz de Ermesinde foi renovado, passando a apresentar a imagem da nova Igreja Matriz, então em construção, sinal de uma freguesia em transformação. Nesse mesmo período, prosseguiam as obras do novo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, já com a entrada da primeira tranche de um subsídio significativo, num total de um milhão e oitocentos mil escudos, evidenciando o apoio público a uma instituição central da vida local.

    Entretanto, a reorganização do poder municipal conheceu passos decisivos. A 25 de outubro de 1974 foram empossados os membros da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Valongo, presidida por

    (...)

    leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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