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Edição de 31-07-2026
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07-09-2026 09:21
Roubado cofre com mais de 50 mil euros em ouro de casa de mulher de 71 anos em Ermesinde
Uma mulher de 71 anos, residente em Ermesinde, viu-lhe ser roubado um cofre com mais de 50 mil euros em ouro e dinheiro.

De acordo com os familiares da vítima, a mulher conheceu a suspeita num autocarro e acabou por lhe abrir as portas de casa.

Num email enviado à nossa redação, os familiares da lesada contam toda a história, começando por dizer que bastaram três visitas à residência da mulher de 71 anos, em Ermesinde, para que uma relação de confiança terminasse com o desaparecimento de um cofre contendo peças de ouro avaliadas em mais de 50 mil euros, dinheiro e uma chave. É a sequência dos acontecimentos que continua a deixar a família profundamente inquieta e que está agora a ser investigada pelas autoridades.

A história começou de forma aparentemente casual. A idosa conheceu num autocarro uma mulher de cerca de 50 anos, também residente em Ermesinde. Segundo a família, a mulher apresentou-se como alguém ligada ao meio hospitalar e terá contado que, nas suas folgas, cuidava de um idoso. As duas trocaram contactos e, posteriormente, a mulher começou a insistir para que se encontrassem para tomar café.

Num primeiro encontro, já na residência da idosa, ofereceu-se para ajudar nas tarefas domésticas, apesar de essa ajuda não lhe ter sido solicitada. Apresentou a iniciativa como uma forma de ajudar. A partir daí, segundo as filhas da vítima, começou a desenvolver-se uma relação de proximidade e confiança.

A mulher ligava frequentemente à idosa, dizia-lhe repetidamente que gostava muito dela, abraçava-a e fazia constantes demonstrações de carinho. Insistia também em marcar novas datas para regressar à residência e ajudar a arrumar e limpar a casa. Apesar da idosa pagar as horas em que a mulher permanecia a ajudá-la nas tarefas domésticas, surgiram pedidos de dinheiro emprestado.

Segundo os familiares, a mulher pediu dinheiro em duas ocasiões, logo na primeira visita à residência, e na terceira e ultima visita.

No primeiro pedido a idosa aceitou emprestar-lhe o valor solicitado, confiando na relação que, entretanto, se tinha criado. Quando aconteceu o segundo pedido de empréstimo sem que o primeiro tivesse sido devolvido, despertou a desconfiança da idosa, que decidiu não voltar a emprestar e decidiu contar às filhas o que estava a acontecer partilhando com elas os pedidos de dinheiro que lhe tinham sido feitos. Foi posteriormente que a família detetou o desaparecimento de algum dinheiro e um cofre. No seu interior estavam diversas peças de ouro, avaliadas em mais de 50 mil euros.
Mas, para a família, o valor dos bens desaparecidos não pode ser medido apenas em euros. Muitas das peças pertenciam ao marido, pais, aos avós e aos bisavós da idosa e foram sendo transmitidas ao longo de várias gerações.

«Mais do que ouro, desapareceram peças que pertenciam ao meu pai, aos meus avós e aos meus bisavós. Eram objetos que faziam parte da nossa história e da nossa família. Não se tratava apenas do valor monetário: eram memórias, recordações e bens que atravessaram várias gerações. Sentimo-nos arrombados, invadidos e profundamente violados na nossa intimidade e na nossa história familiar», afirma uma das filhas.

O desaparecimento dos bens foi comunicado às autoridades.

Entretanto, algumas das peças que se encontravam dentro do cofre foram localizadas em estabelecimentos de compra de ouro, onde terão sido vendidas pela mulher que se encontra sob investigação.

Segundo a família, essas peças foram reconhecidas e identificadas como pertencentes à idosa. No âmbito das diligências realizadas, foi efetuada uma busca domiciliária e apreendido um telemóvel. A recuperação dos bens está, no entanto, longe de estar concluída. Continuam por localizar várias outras peças e um relógio que também se encontravam no interior do cofre. É precisamente por isso que a família decidiu tornar público um apelo.

«Se alguém tiver comprado peças de ouro ou um relógio nestas circunstâncias, pedimos que contacte a família ou a polícia. Estamos dispostos a devolver o valor que essa pessoa pagou pelos bens, desde que seja possível confirmar que pertenciam à nossa família. O nosso objetivo é recuperar as peças que têm um valor sentimental que o dinheiro nunca poderá substituir».

Mas existe um outro elemento da história que continua a gerar desconforto às filhas da vítima.

Segundo a família, depois de o desaparecimento do cofre ter sido descoberto, e enquanto a mulher ainda não tinha conhecimento de que a família já tinha percebido o que tinha acontecido e que a investigação já tinha iniciado, esta continuou a manifestar vontade de voltar à residência da idosa e a procurar oportunidades para aí se deslocar novamente, contactando idosa regularmente para marcar nova visita.

«Não podemos afirmar qual era a intenção dela ao querer continuar a ir a casa da minha mãe. Mas, depois de sabermos que o cofre tinha desaparecido e de termos percebido que algumas peças já tinham sido vendidas, não conseguimos deixar de questionar por que razão continuava a querer regressar àquela casa. Era uma situação que nos deixou profundamente desconfortáveis, pensar que era possível que quisesse procurar mais bens».

O processo encontra-se atualmente sob responsabilidade do Ministério Público.

Para a família, porém, este caso levanta uma questão que vai muito além do desaparecimento de um cofre. A preocupação está na facilidade com que uma pessoa pode conquistar a confiança de um idoso e, a partir daí, passar a ter acesso à sua residência, às suas rotinas e ao conhecimento sobre os bens que possui.

«A minha mãe abriu a porta da casa a alguém que, através de palavras de afeto, abraços e constantes demonstrações de carinho, conseguiu fazê-la acreditar que gostava genuinamente dela e que estava ali para a ajudar. Dizia-lhe repetidamente ‘gosto muito de si’, apresentava-se como alguém ligada ao meio hospitalar e dizia que também cuidava de outro idoso. Aos poucos, foi conquistando a confiança da minha mãe. E foi precisamente essa confiança que, na nossa perspetiva, a tornou vulnerável», relata a filha.

A família diz que as consequências do sucedido foram muito além da perda dos bens.

A idosa já enfrentava problemas de depressão crónica e ansiedade e, segundo as filhas, o trauma provocado por toda esta situação teve um impacto muito significativo no seu estado emocional, agravando de forma acentuada a sua condição psicológica.

Para as filhas, foi particularmente doloroso assistir ao sofrimento da mãe perante a perda de objetos que faziam parte da história da família e, simultaneamente, perante a quebra de uma relação na qual tinha depositado confiança.

É por isso que pretendem que o caso sirva também de alerta para outras famílias. Idosos que vivem sozinhos ou que necessitam de ajuda nas tarefas quotidianas podem ficar particularmente vulneráveis quando terceiros passam a ter acesso à sua residência, às suas rotinas e ao conhecimento sobre os seus bens.

As filhas garantem que não pretendem deixar cair o caso e que farão tudo o que estiver ao seu alcance para que a justiça seja feita, quer relativamente ao desaparecimento dos bens, quer relativamente às consequências que este episódio teve na vida da mãe.

«Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que a justiça seja feita. Não apenas pelo desaparecimento dos bens que pertenciam à nossa família e que tinham um valor sentimental incalculável, mas também pela nossa mãe, pelo sofrimento que viveu e pelo agravamento do seu estado de saúde depois de tudo isto. Não queremos que o que aconteceu seja esquecido e, acima de tudo, não queremos que possa acontecer novamente a outra pessoa idosa».

 

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