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15-05-2026 11:54
GNR alerta para aumento das burlas digitais e apela à prevenção dos cidadãos
A crescente sofisticação das burlas informáticas e telefónicas levou a Guarda Nacional Republicana a lançar um novo alerta à população, depois de, no primeiro trimestre de 2026, terem sido registadas cerca de 300 burlas por “Falso Funcionário” e mais de 670 burlas informáticas relacionadas com obtenção ilegítima de dados pessoais e bancários.
Os números revelam uma realidade preocupante e demonstram que os grupos criminosos estão cada vez mais organizados, utilizando técnicas tecnológicas avançadas e métodos de manipulação psicológica para enganar as vítimas.
Segundo os dados divulgados pela GNR, uma das técnicas mais utilizadas atualmente é o chamado “spoofing”, mecanismo através do qual os burlões falsificam a origem das comunicações para aparentarem ser entidades oficiais, bancos, forças de segurança ou empresas conhecidas. Assim, no visor do telemóvel ou no endereço de email surge um contacto aparentemente legítimo, levando muitas pessoas a confiar na autenticidade da mensagem ou da chamada.
A Guarda sublinha que estes crimes recorrem frequentemente à chamada “engenharia social”, isto é, à manipulação emocional e psicológica das vítimas. Os burlões criam cenários de urgência, intimidação ou autoridade para levar as pessoas a agir sem refletir. Frases como “a sua conta será bloqueada”, “tem uma dívida urgente” ou “está envolvido num processo judicial” são usadas para provocar medo e precipitação.
Entre as formas mais comuns de spoofing encontram-se a falsificação de números de telefone ou remetentes de SMS, a utilização de emails aparentemente enviados por bancos ou entidades públicas e, em casos mais sofisticados, a falsificação de endereços IP para contornar sistemas de segurança.
Os dados estatísticos revelam a dimensão crescente do problema. Em 2024 foram registadas 974 burlas por falso funcionário e 2651 burlas informáticas relacionadas com obtenção ilegítima de dados. Em 2025, os casos de falso funcionário aumentaram para 1092 ocorrências. Já nos primeiros três meses de 2026 contabilizam-se 298 burlas por falso funcionário e 671 burlas informáticas.
Especial preocupação merecem os casos em que os criminosos se fazem passar por agentes de autoridade. Segundo a GNR, 86% das tentativas de burla em nome da GNR, PSP ou Polícia Judiciária acabaram consumadas. Também se verificaram burlas em nome de bancos, empresas de energia, serviços de saúde e Segurança Social.
Face a esta realidade, a GNR recomenda especial prudência no contacto com chamadas, mensagens ou emails suspeitos. Nenhuma entidade bancária ou organismo oficial solicita códigos de segurança, palavras-passe ou transferências bancárias imediatas por telefone ou SMS. Os cidadãos devem evitar clicar em links desconhecidos, desconfiar de mensagens com tom ameaçador ou demasiado urgente e nunca fornecer dados pessoais ou bancários sem confirmação prévia da autenticidade do contacto.
A Guarda aconselha ainda os utilizadores a manter os equipamentos atualizados, utilizar antivírus e evitar divulgar contactos pessoais nas redes sociais. Em caso de suspeita, o mais importante é interromper imediatamente o contacto, guardar todas as provas disponíveis e comunicar a situação às autoridades e à entidade envolvida, nomeadamente ao banco, para tentar bloquear eventuais movimentos fraudulentos.
A GNR relembra igualmente que a apresentação de queixa é fundamental, mesmo quando a burla não chega a consumar-se, pois só o conhecimento das ocorrências permite às autoridades reforçar a prevenção, investigar os grupos criminosos e canalizar meios para as zonas e fenómenos de maior risco.
Num tempo em que o crime se tornou cada vez mais digital e invisível, a informação, a prudência e a denúncia continuam a ser as principais formas de defesa dos cidadãos.