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Edição de 31-03-2024
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    Arquivo: Edição de 31-01-2024

    SECÇÃO: Destaque


    Entrevista com o presidente do Centro Social de Ermesinde, Henrique Queirós Rodrigues

    «As diversas modalidades do Centro (…) representam o encontro do Centro Social de Ermesinde consigo mesmo, com a sua missão»

    Numa altura em que os Corpos Gerentes de uma das mais prestigiadas Instituições de Solidariedade, que é o Centro Social de Ermesinde, viram renovada a sua legitimidade democrática para continuar a gerir os destinos desta Casa, “A Voz de Ermesinde” ouviu, em entrevista, o seu timoneiro de há quase um quarto de século, Henrique Queirós Rodrigues. Como os leitores terão oportunidade de confirmar, pelas suas palavras, o Centro Social evidencia um enorme dinamismo e fica-nos a certeza da garantia de um futuro próspero e sustentável.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    A Voz de Ermesinde (AVE) - Gostava que começasse por fazer uma breve síntese/relatório das concretizações do último mandato (abordando também as contingências provocadas pela pandemia)

    Henrique Queirós Rodrigues (HQR) - Como bem salienta, o mandato de quatro anos que agora findou foi exercido sob o signo da pandemia de Covid 19, que acompanhou quase todo o mandato – e cujos efeitos ainda persistem, e persistirão, nos novos hábitos a que tivemos que nos adaptar.

    Mas mesmo na sua forma mais devastadora, felizmente já passada, mais de metade desse mandato decorreu com a pandemia a contaminar a nossa vida.

    Não posso falar desse tempo sem começar por referir e agradecer a forma como os trabalhadores do Centro Social de Ermesinde (CSE) ajudaram muitos utentes a preservar a vida, a saúde e o bem-estar.

    Falou-se muito, e com justiça, do esforço e do trabalho dos médicos e enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde e do que esses profissionais conseguiram levar a cabo no combate à pandemia, correndo riscos; mas não houve o mesmo reconhecimento público do trabalho, igualmente empenhado e arriscado, dos trabalhadores das Instituições como o Centro Social de Ermesinde, que prestam serviços pessoais aos seus utentes, numa relação que exige contacto físico direto – justamente o contrário do afastamento social que constituía uma das recomendações para evitar a infeção.

    Trata-se de serviços prestados pessoa-a-pessoa, que não podem ser entregues a robôs.

    «… os trabalhadores do Centro Social

    de Ermesinde salvaram muitas vidas»

    Essa abnegação dos trabalhadores é ainda mais de realçar nos casos em que as suas funções são exercidas em prestações pessoais relativamente aos mais velhos, o grupo etário mais vulnerável à infeção – como sucede, no que nos diz respeito, relativamente ao Lar e ao Serviço de Apoio Domiciliário (SAD).

    De resto, o Governo acabou por legislar – valha-nos ao menos isso, à falta de melhor reconhecimento –, no sentido de o Lar e o SAD serem considerados serviços essenciais, isto é, serviços que nunca podem fechar, mesmo, ou principalmente, em situação de calamidade.

    O mesmo se diga dos trabalhadores que exercem funções nas cozinhas e refeitórios, no âmbito da higiene e limpeza, porque a higienização permanente dos espaços constituía também uma das recomendações de saúde pública e os utentes não podiam deixar de tomar as refeições – como se tudo corresse normalmente.

    E como não lembrar também os trabalhadores que providenciaram pela aquisição de materiais de proteção, de bens alimentares e fornecimentos em geral, que garantiram o funcionamento da Instituição nesse contexto difícil e permitiram que os trabalhadores que lidam diretamente com os utentes pudessem desempenhar as suas funções com a normalidade possível.

    Agora, que o principal perigo passou e que nos encontramos numa espécie de rescaldo, parece-me que faltou uma palavra de reconhecimento público por parte do Governo, alargando aos trabalhadores das IPSS’s que exercem funções em serviços considerados essenciais o agradecimento nacional pelo trabalho exemplar que levaram a cabo.

    Não tenho dúvidas em afirmar que os trabalhadores do Centro Social de Ermesinde salvaram muitas vidas.

    AVE - Para além dessa vivência difícil com a pandemia, fale-nos, por favor, de outras realizações do anterior mandato que ache relevantes.

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    HQR - Quanto aos principais tópicos que possam caracterizar esse mandato, do ponto de vista das competências do CSE, penso que poderemos referir a unificação entre a Associação Ermesinde Cidade Aberta e o Centro Social de Ermesinde, através da integração daquela Associação no Centro Social, reforçando a capacidade de resposta da Instituição aos problemas sociais que tem por missão resolver.

    Também me parece de anotar como relevante o processo de transferência de competências da Segurança Social para o Município, no âmbito do processo de descentralização administrativa, que se traduziu, no que nos diz respeito, na circunstância de o nosso parceiro no contexto do Rendimento Social de Inserção e no Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social ter deixado de ser a Segurança Social e passar a ser o Município de Valongo.

    As IPSS’s são instituições de proximidade às populações; e convivem melhor com políticas descentralizadoras do que com o centralismo.

    Ao fim de um ano de experiência no novo modelo, creio que mudámos para melhor.

    Ainda sobre a pergunta que coloca, relativa às marcas mais impressivas do mandato cessante, não posso deixar de referir os muito significativos investimentos em obras de reabilitação e melhoramentos das instalações: as obras de substituição dos telhados do lar e da creche e jardim de infância, que continham fibras de amianto, bem como da reabilitação das fachadas e vãos, também da creche e jardim de infância, e a remodelação de uma das casas do Largo da Feira, para qualificar a nossa resposta de Serviço de Apoio Domiciliário.

    Trata-se de obras que foram cofinanciadas pela Área Metropolitana do Porto e levadas a cabo durante a pandemia.

    Ainda neste âmbito, de obras realizadas durante o mandato cessante, não posso deixar de referir também a substituição do telhado do Centro Comunitário das Saibreiras, igualmente para remoção do amianto e integralmente financiado por receitas próprias da Instituição.

    O período entre 2020 e 2023 foi também de consolidação da resposta-benjamim do CSE: a Escola de Segunda Oportunidade de Valongo, fruto de uma parceria entre o CSE, o Município de Valongo, o Ministério da Educação e o Agrupamento de Escolas de Ermesinde e destinada a promover a inclusão de jovens que abandonaram precocemente o sistema educativo.

    Trata-se de mais um exemplo da convergência entre o Centro Social de Ermesinde e os sectores mais vulneráveis da comunidade – pois que é para esses que o CSE deve prioritariamente olhar.

    AVE - E que projetos é que a Direção tem para o próximo mandato? Que investimentos mais relevantes estão na calha?

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    HQR - O Largo da Feira constitui um dos poucos espaços de referência simbólica que liga Ermesinde ao seu passado, uma memória do bulício dos dias de feira, próprio de uma comunidade rural.

    Quando vim para a Direção do CSE, para finalizar a construção do Lar de S. Lourenço, entendi virar o Lar para o Largo da Feira, invertendo a solução do projeto inicial, que lhe definira a frente voltada para o Jardim de infância.

    Tratava-se de escolher entre uma solução mais encolhida, voltada para dentro, e uma outra mais airosa, com a frente do Lar aberta para o Largo da Feira – um espaço que sempre defendi dever constituir como que um prolongamento da Instituição e das suas valências.

    Foi até possível alargar essa conexão do Lar com o Largo, através da compra da Padaria da Feira - prédio onde hoje se encontram as instalações do Centro de Formação e os pavilhões da Escola de Segunda Oportunidade -, e que a Junta de Freguesia de Ermesinde vendeu, em muito boas condições, ao Centro Social de Ermesinde – era Jorge Videira o Presidente da Junta.

    O Largo da Feira tem constituído o principal espaço de expansão das instalações do CSE, conferido uma movimentação e vitalidade que tem transformado o Largo num espaço com um nível de ocupação que o distingue bem do desalento que marcou os primeiros anos após a mudança do local da feira.

    Para tanto, o CSE tem prosseguido uma estratégia de aquisição das casas que bodejam o Largo, onde vem instalando novos serviços, por um lado; e, por outro lado, garantindo a manutenção da escala urbanística daquele espaço numa dimensão amigável para as pessoas.

    O CSE tem gerado «um movimento e uma ocupação, ao longo do dia, e mesmo aos fins-de-semana, que restituiu ao Largo [da Feira] boa parte da vida que tivera»

    Hoje, dão para o Largo da Feira o Lar de S. Lourenço, o Centro de Formação, a Escola de Segunda Oportunidade, o Centro de Recursos do SAD, as residências para os jovens do Programa Erasmus de Voluntariado Europeu, o Jornal “A Voz de Ermesinde”.

    Enfim, gerando um movimento e uma ocupação, ao longo do dia, e mesmo aos fins-de-semana, que restituiu ao Largo boa parte da vida que tivera.

    Durante o mandato que agora se inicia, pretende a Direção, em espaços que já possui ou que espera possuir, criar novas respostas residenciais para os mais velhos, ensaiando, em articulação com o Lar e com o SAD, soluções diferenciadas que assegurem um processo de envelhecimento ativo e saudável; e pretende ainda a expansão das instalações da Escola de Segunda Oportunidade e a afetação de uma das residências ao Programa Erasmus.

    Em meu entender, as IPSS’s são também entidades com um importante papel no desenvolvimento local e na promoção do bem-estar geral das comunidades onde se encontram enraizadas.

    No que toca especificamente ao Largo da Feira, o aproveitamento das invejáveis condições ambientais, que o tempo preservou, para benefício da população de Ermesinde, suscitou uma convergência de vontades, entre o CSE e a Junta de Freguesia, traduzida numa parceria para a colaboração das duas entidades na revitalização desse Largo.

    Saúdo a atenção que a Junta de Freguesia pretende votar a este espaço e, pela nossa parte, faremos o que estiver ao nosso alcance para o sucesso do trabalho colaborativo a que nos propomos, em conjunto com a autarquia.

    AVE - Pode falar-nos agora de duas valências, igualmente importantes para a comunidade ermesindense, que são a Escola de Segunda Oportunidade e o Centro de Formação?

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    HQR - Trata-se, como diz, de duas valências relevantes do Centro Social de Ermesinde.

    A primeira decorre de um Protocolo de Cooperação entre os parceiros Câmara Municipal de Valongo, Centro Social de Ermesinde, Agrupamento de Escolas de Ermesinde e a DEGEst, que foi assinado no dia 14 de outubro de 2019, nas instalações do Centro Social de Ermesinde.

    Claro que no mundo ideal, não haveria abandono escolar precoce – e não haveria necessidade de uma Escoa de Segunda Oportunidade, que acreditamos se vai manter e até expandir no que respeita à sua frequência.

    Mas não vivemos no mundo ideal – que não existe.

    Existe o nosso mundo, infelizmente imperfeito.

    E quanto ao Centro de Formação – melhor dizendo, Centro de Formação e Emprego -, se fosse apenas um Centro de Formação, já teria muito

    (...)

    leia esta entrevista na íntegra na edição impressa.

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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