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Edição de 28-02-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


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PASSEIOS DE BICICLETA À DESCOBERTA DO PORTUGAL REAL...

“Sim, este é o Sr. Padre que vai dar a missa”

Acordei ensonado naquela bela manhã em Barca de Alva, o diabo da cama não parava de ranger. Estava pior do que eu. O ardor das pernas já tinha passado para as costas,e destas para os ombros e para todo o corpo. Era um invólucro de dor. Como era possível estar pior do que no dia anterior? As dores são sinal que estamos bem? Uma ova. Só é sinal de que estamos vivos. Por esse motivo saltei para a estrada. Hoje andaria o que o corpo ditasse.

Estrada N 221, com paisagens deslumbrantes de vinhedo e olival. Várias excursões cruzaram comigo, naquela estrada bem tratada. Optamos quase sempre pelas vias rápidas, para se ter um ganho de tempo, mas perdemos a alegria e admiração de cruzarmos as aldeias iguais ou quase tão parecidas como as que retivemos nas nossas lembranças de meninos.

Quando dei por mim estava numa dessas aldeias (Vilas). O que me chamou a atenção foi as suas casas de granito e pequenas. Tirei os pés dos pedais e percorri as suas ruas estreitas a pé. Todas as casas ostentavam os seus vasos com flores, as escadas de granito e as sacadas de madeira, madeira essa com mais tempo de existência do que quem as contemplava. Voltei para a estrada. Mas logo parei.

À minha direita tinha um lindíssimo edifício. Sim, a Igreja Matriz de Escalhão. Dedicada a N.ªSr.ª dos Anjos, reconstruída no século XVI, em substituição da primitiva , possivelmente erguida no reinado de D. Dinis, havendo descrição da mesma já no ano de 1320. O seu interior é coberto por uma abóboda estucada e pintada, sendo o Altar-Mor em talha de alto-relevo. Antes de admirar esta bela Igreja, ao tentar entrar vestido com a indumentária de ciclista, uma senhora pousou o seu olhar penetrante e autoritário, e medindo-me da ponta das sapatilhas até ao que resta do meu pouco cabelo proferiu:“O senhor não vai entrar nesses preparos”. Parei. Sorrindo lá fui dizendo: “Claro que não, só vinha ver se estava a ser realizada alguma missa, mas vou até ao café vestir umas calças”. Recebendo uma resposta autoritária e seca, “Acho Bem”. Toma lá e embrulha, pensei eu.

CASTELO DO SABUGAL
CASTELO DO SABUGAL
Atravessei a estrada.No largo estavam a ser montadas as estruturas das barracas para alguma festa. Entrei no café e pedi umas sandes e um sumo. O empregado ao servir-me, ouviu logo um ralhete, vindo de uma mesa com mulheres idosas: “Olha lá. Nós estamos com pressa, que está na hora da missa e serves esse senhor à nossa frente?”. Ele muito sério respondeu: “Então não sabe que a missa passou para as dez horas, por causa do padre estar doente e ser substituído por outro?” E continuando perante o olhar desconfiado do grupo:“Acabei de servir o padre primeiro, porque ele ainda tem que ir vestir o hábito e as senhoras já estão todas embonecadas”. Perante a admiração voltou à carga. “Sim, este é o Sr.Padre que vai dar a missa”. Fui outra vez medido. Agora por meia dúzia de olhos. No meio do silêncio que se instalou ouviu-se: “Ai valha-me Deus. Estamos num Mundo perdido.”Saindo apressadas para a Igreja. Vestindo as calças lá me predispus a visitar a dita, ouvindo no entanto um conselho: “É melhor não ir amigo. Se o apanham lá está perdido a aturar aquelas velhotas”!

Voltando à estrada, passei por Figueira de Castelo Rodrigo e subi ao castelo, passei para a estrada 332 em direção a Almeida e por aqui almocei num café, no interior da fortaleza. No fim do repasto segui até Vilar Formoso e tão entusiasmado andava a percorrer a cidade que quando dei por mim estava a passar a fronteira para Espanha. Parei e sorri. Não, para Espanha não. Dei a volta e, qual não é o meu espanto estava a ser mandado parar por uma patrulha da GNR.Expliquei-lhes aquela manobra informando-os que pretendia seguir para o Sabugal. Simpáticos lá me informaram por onde deveria ir.Estrada que percorre uns bons kms junto da fronteira, mais tarde fletindo para o interior nacional.

(...)

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Por: Manuel Fernandes

 

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