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Edição de 15-09-2017
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    Arquivo: Edição de 09-11-2012

    SECÇÃO: Cultura


    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER

    Wikiterra – uma enciclopédia de como criar e mostrar teatro

    Nos passados dias 2,3 e 4 de novembro, o público ermesindense pôde assistir a uma reposição da peça “Wikiterra” – uma produção conjunta das companhias Estaca Zero Teatro e Cabeças no Ar e Pés na Terra, que já tinha estado em cena no Teatro Latino (Sá da Bandeira), no Porto.

    A peça, criação coletiva original, pretende fazer uma abordagem enciclopédica “digital” crítica e divertida, da história do mundo (ou do planeta, melhor dizendo), abarcando várias eras, desde os primórdios de antes da era dos Homens até à atualidade.

    Representada por quatro excelentes atores (na gestualidade e na voz), propondo vários quadros que se vão sucedendo com leveza e comicidade várias – o que permite leituras de um público muito amplo (nas idades e nas preocupações), a peça surpreende pela sua escolha dos flashes do mundo e, sobretudo, por alguns artifícios dramáticos muito bem concebidos e executados, como quando a cabeça decapitada de uma personagem é exibida ao público, ou como quando a perna de uma personagem é esticada até mais do dobro do seu comprimento, como se fosse borracha, nesta ou noutra personagem.

    A cena dos dinossauros é muito divertida e é um dos exemplos de propostas aceites por públicos de todas as idades, conseguindo ainda a grande virtualidade de interagir com o público, situação aliás que está presente em muitos momentos da peça, que tem que ser de uma evidente geometria variável para se encaixar no público presente.

    O dinossauro (e outras personagens) de muletas é um dos exemplos da comicidade feliz encontrada pelo Estaca Zero Teatro e pela encenação de Hugo Sousa. Sem conseguirmos (ou querermos) deslindar a quota-parte de uns e outros, há que reconhecer que o resultado desta simbiose é inegavelmente feliz.

    Peça criada a partir de uma ideia original do Estaca Zero Teatro, temperada com a intervenção criativa e integradora do encenador convidado, como explicaram no fim aos espetadores (mesmo que os mais inquisitivos fossem curiosamente os mais jovens), num processo de desvendamento teatral muito enriquecedor para o público e para os protagonistas da produção, “Wikiterra” desfia o percurso humano, sempre numa dimensão de universalidade e de contemporaneidade muito arguta.

    A peça põe em cena o homem primitivo, as lutas entre Egípcios e Gregos e entre estes e os Romanos, e depois entre estes e os Bárbaros, pela marca civilizacional dominante. Convoca Joana d'Arc, Galileu, traz Napoleão fora de tempo para a boca de cena, no que é um divertido recurso estilístico dramatúrgico, e segue por aí fora, até ao tempo da economia global, com passagem pelos momentos trágico-dramáticos da peste negra, da Revolução Francesa ou do Nazismo (e de passagem, pelas utopias ou pelas distopias que estão longe de perecer, umas e outras).

    Parte da receita dos espetáculos de Ermesinde reverteram a favor de várias associações de solidariedade social que acordaram colaborar com a divulgação da peça.

    FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

    Conceito, texto original, dramaturgia e espaço cénico

    CRIAÇÃO COLECTIVA

    Encenação e desenho de luz

    HUGO SOUSA

    Banda sonora original

    PAULO COELHO DE CASTRO

    Por: LC

     

     

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