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Edição de 31-01-2020
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    Arquivo: Edição de 30-11-2006

    SECÇÃO: Opinião


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    Valorizar o concelho de Valongo

    Um conhecido diário noticiava, há uns tempos atrás, que a cidade do Porto havia perdido cerca de 30 mil residentes nos últimos quatro anos, que se deslocaram, na sua grande maioria, para os concelhos à volta daquela cidade. Vila Nova de Gaia e Maia são os municípios que mais cresceram com este fluxo migratório em grande parte pela melhoria das suas acessibilidades e/ou pela qualidade de vida que oferecem.

    Valongo tem acompanhado, ainda que de forma mais lenta, esse crescimento que ao longo dos anos se vem verificando no anel do Grande Porto. Há, sem dúvida, um deficit na qualidade da oferta de Valongo, que o faz ser preterido em favor de outros concelhos da Grande Área Metropolitana do Porto. A atestá-lo está o facto de centenas de habitações estarem, ainda hoje, por vender, deixando muitos dos investidores "à beira de um ataque de nervos", pois vêem que o seu investimento não tem retorno.

    Mas isso são "contas" de outro "rosário" que nos farão voltar ao assunto numa das próximas edições do jornal.

    As acessibilidades ao Grande Porto estão hoje mais facilitadas. A conclusão do troço norte do IC24 (também conhecido pela designação de CREP), entre Sobrado e o Freixieiro, e a entrada em funcionamento do lanço do IP4, de Águas Santas a Matosinhos, vai permitir que a fluidez do trânsito que desagua na Via de Cintura Interna do Porto, se processe com mais rapidez e acabem os congestionamentos que são, hoje, o pão nosso de cada dia dos cidadãos que entram e saem da cidade. O Presidente da Câmara, Rui Rio, estará hoje, mais feliz pois viu a Administração Central resolver um estrangulamento do trânsito causador de muitas dores de cabeça aos automobilistas que atravessam, diariamente, aquela via.

    Também o concelho de Valongo poderá ficar mais rico com a entrada em funcionamento das novas vias. Falta, é certo, a segunda fase da CREP (ligação a sul de Campo a Vila Nova de Gaia) mas, concluída esta, passará a ser um dos concelhos com melhores acessibilidades no Grande Porto.

    As Zonas Industriais de Alfena e Campo estão, hoje, mais valorizadas – as ligações ao porto Douro e Leixões e ao aeroporto Sá Carneiro estão mais acessíveis – podendo atrair para o concelho unidades industriais de qualidade (sector terciário), geradoras de mais riqueza e de mais e melhores postos de trabalho, abrindo mais perspectivas a uma juventude que se vê, actualmente, obrigada a procurar emprego "fora de portas".

    Valongo passará, agora também, a ser mais procurado por novos residentes.

    Lentamente, porque os erros cometidos ao longo de décadas foram tantos que hoje é necessário os responsáveis políticos e técnicos investirem na modernidade, na inovação e na qualidade da oferta, que o recupere do atraso e lhe dê capacidade concorrencial com outros concelhos que tiveram mais visão estratégica e mais ousadia na gestão.

    Sabe-se que, hoje, há uma salutar concorrência das cidades que têm cuidados especiais no atrair e seleccionar os investidores para apostas na qualidade, seja ao nível da habitação, em equipamentos culturais e sociais ou em Institutos de Educação e, por isso, são procuradas por quadros jovens e por uma classe média evoluída, que trazem mais coesão social e massa crítica para o seu interior.

    São autarquias com líderes atentos e equipas dinâmicas que procuram corresponder aos desafios da competitividade ao nível do urbanismo, do ambiente e do social.

    As requalificações ambientais da Serra de Santa Justa, do Vale de Couce e das bacias do Rio Leça e do Rio Ferreira, por exemplo, são projectos metropolitanos que deveriam, desde há muito tempo, mobilizar os políticos. Continuam, no entanto, à espera de um plano de intervenção global - as medidas pontuais não são suficientes – que torne, no futuro, o Concelho mais atractivo e sustentável.

    Valongo ainda está a tempo de corrigir a estratégia (errada) que vem seguindo ao longo deste tempo e que o tornam, a par da Amadora na região sul, um dos piores dormitórios das Áreas Metropolitanas onde estão inseridos.

    Poderá sempre dizer-se que somos exagerados na apreciação; mas a realidade é o que é. Valongo é, hoje, uma terra descaracterizada, com uma classe empresarial desconfiada, e sem um plano estratégico que potencie os seus recursos naturais e mobilize a sociedade civil do concelho.

    Até quando?

    Por: Afonso Lobão

     

     

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