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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 30-05-2006

    SECÇÃO: Local


    JSD promoveu debate sobre a Educação

    A estrutura concelhia de Valongo da Juventude Social Democrata promoveu, no passado dia 15 de Maio, na Sala da Lareira da Vila Beatriz, um debate subordinado ao tema “Jovens – Educação e Futuro em Valongo”. Presentes para animar o debate estiveram Paula Sinde, presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária de Valongo, e Arnaldo Soares, presidente da Junta de Freguesia de Alfena, mas um homem que esteve igualmente ligado ao ensino.

    A fazer as vezes de cicerone, o presidente da JSD concelhia, Daniel Gonçalves, foi o terceiro dos dinamizadores do debate, que moderou, dirigindo a Mesa.

    Artur Pais, cuja presença chegou a ser anunciada, não pôde, afinal, estar presente, por incompatibilidades de agenda..

    Fotos RUI LAIGINHA
    Fotos RUI LAIGINHA
    Paula Sinde, começando por traçar um quadro da situção educativa no concelho, pôs a tónica naquilo que viria a ser a principal pedra de toque no debate, a necessidade de valorizar socialmente a escola e promover a qualificação do ensino profissional.

    A presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária de Valongo referiu que atingiriam os 45% o número de jovens que abandonam a sua formação escolar antes de completarem o seu 12º ano de escolaridade. A situação é ainda mais grave, afirmou Paula Sinde, pelo facto desses jovens saírem para o mercado de trabalho sem nenhuma qualificação profissional. As coisas poderiam ser diferentes se os jovens optassem mais pela via profissionalizante, que lhes possibilitaria o acesso ao emprego com muito melhores condições no fim do 12º Ano.

    Aquela docente defendeu também que se devia estimular a formação contínua e apontou o papel positivo que poderia ter o ensino recorrente. Como exemplos no terreno, citou o caso da própria Escola Secundária de Valongo, em que os jovens poderiam frequentar os cursos profissionalizantes de Ordenamento de Território e Ambiente e Design de Equipamento, ambos com excelente perspectivas de empregabilidade garantidas pela própria autarquia, mas nos quais não se verificaram inscrições.

    Para isso muito contribuiria a imagem negativa de que estes cursos ainda gozam (como o pejorativo e injusto qualificativo de que «o ensino profissionalizante é para os burros»).

    A EXPERIÊNCIA

    NEGATIVA

    DAS PARCERIAS

    COM AS EMPRESAS

    Paula Sinde referiu a importância determinante de se estabelecerem parcerias entre a escola, e as empresas, mais uma vez referindo o exemplo negativo de várias empresas, que ao invés de verem o acolhimento de jovens estagiários, como uma grande oportunidade de formação adequada a um futuro desempenho na empresa, o vêem antes como um empecilho que atrapalha o normal processo produtivo.

    Uma última ideia lançada pela docente foi a necessidade de articular entre si os diversos graus de ensino.

    A INTERVENÇÃO

    DE ARNALDO

    SOARES

    foto
    Arnaldo Soares, economista e o actual presidente da Junta de Freguesia de Alfena, quis enveredar por uma abordagem mais pragmática e debruçou-se sobretudo pela extensão global dos novos mercados de trabalho.

    Assemelhou a Carta de Bolonha ao território criado pela moeda “euro”. «Já não estamos em Portugal, estamos na Europa», sublinhou.

    A ambição de estar muitos anos no mesmo emprego acabou, hoje estamos no terreno da mobilidade e é preciso competir constantemente, considerou o autarca.

    Já não podemos sobreviver à custa da mão-de-obra barata, como o fizemos até aqui. «Ou aumentamos a produtividade ou não há riqueza». E dando um exemplo da mudança de mentalidade que se exigiria, perguntou: «Já imaginaram [em Portugal] um engenheiro mecânico sujar-se de óleo»? Pela velha mentalidade que tem imperado até aqui, isso seria impossível, mas vai ter que mudar. «A grande revolução é mudar a mentalidade», defendeu Arnaldo Soares.

    A legislação laboral, quer queiramos, quer não, vai mudar, avisou também o autarca.

    E mostrando o funcionamento da «nova economia», perguntou: «Se vocês forem empresários e precisarem, em certa altura, de mais empregados, vão criar postos de trabalho, de que depois não se possam livrar»?

    E, finalmente, concluindo, considerou que a educação é a grande esperança para o mundo. «Só a educação poderá limitar a pobreza e levar à pacificação do mundo».

    A INTRODUÇÃO

    DE DANIEL

    GONÇALVES

    Daniel Gonçalves, o presidente da Jota local tinha iniciado a sessão com a apresentação de vários estudos, caracterizando o concelho do ponto de vista educativo, destacando como positivo, entre outros, alguns índices como a relativamente baixa taxa de analfabetismo no concelho, e como negativos, a elevada taxa de abandono escolar.

    Caracterizando os aspectos mais negativos da Educação no concelho, poder-se-iam apontar. o abandono e o insucesso escolar, o absentismo, os baixos níveis de escolaridade, a insuficiência de recursos e a insegurança.

    PERÍODO

    DE DEBATE

    COM OS JOVENS

    Após o período das intervenções iniciais passou-se a um período de debate, com alguns dos jovens presentes a apresentarem as suas questões. Entre estas avultaram a questão da subsistência de uma mentalidade tacanha e pouco inovadora. Um dos jovens deu até o exemplo de como, numa empresa, se preferiu despedir um jovem quadro que tinha provado, num contrato por objectivos, a eficácia de novos métodos. Ele seria remunerado com um décimo da poupança introduzida com várias alterações de procedimentos – só o uso do e-mail em vez do correio normal permitiu significativos ganhos – mas no fim, a empresa preferiu dispensá-lo, e voltar aos velhos métodos, ainda que, com prejuízos para si própria. Outra intervenção sublinhou o facto da escola não promover uma educação atenta e valorizadora de competências sociais mais amplas, assentando demasiadamente num sistema de avaliações que sobrevaloriza os desempenhos “quantitativos” nas provas, em vez de uma avaliação que tivesse em conta uma formação integrada, de futuros profissionais capazes de se relacionarem facilmente em qualquer equipa de trabalho.

    Paula Sinde, concordando em grande parte, considerou mesmo que, embora sendo defensora dos exames, eles faziam muitas vezes que a exigência de nota empurrasse para uma competição desumana, qualificando-os ainda como «completamente desarticulados da realidade».

    A escola deveria permitir uma avaliação mais adequada e com incentivos à participação em actividades sociais.

    Por: LC

     

     

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