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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 15-03-2006

    SECÇÃO: Destaque


    Fotos MIGUEL BARROS
    Fotos MIGUEL BARROS
    REUNIÃO DA JUNTA DE FREGUESIA DE ERMESINDE

    Proibição da venda de flores e cera nos cemitérios aqueceu a reunião

    A derradeira sessão pública da Junta de Freguesia de Ermesinde, ocorrida a 1 de Março último, foi tomada por um assunto que já se julgava “morto e enterrado”, o qual se referia à proibição da venda de flores e cera dentro do cemitério de Ermesinde, medida esta que, relembre-se, havia sido tomada há cerca de dois meses atrás pelo Executivo. Descontentes com esta decisão, dois paroquianos mostraram na última reunião toda a sua revolta , tendo Artur Pais relembrado uma vez mais que a Junta teve de decretar esta proibição pelo facto de a comercialização destes materiais dentro daquele espaço ser considerada ilegal. Para além deste caso, a reunião ficou igualmente marcada pela recusa da maioria do Executivo em aceitar a proposta da CDU em criar um Gabinete de Apoio à população nas instalações da Junta.

    A proibição da venda de flores e cera decretada pelo Executivo da Junta de Freguesia de Ermesinde (JFE) há cerca de dois meses atrás conheceu na última reunião pública novos e acalorados contornos. Tudo começou quando no período inicial destinado à intervenção do público o paroquiano Paulino Maia usou da palavra para dar a conhecer aos presentes o seu profundo descontentamento para com a posição tomada pela Junta. Maia argumentou que a JFE ao decretar a proibição da comercialização de flores e cera dentro do cemitério demonstrou uma insensibilidade enorme para com as duas pessoas (marido e mulher) que faziam a venda destes materiais. «É um casal com grandes dificuldades financeiras, pois eu conheço-os bem, e que para atenuar um pouco essas dificuldades vendiam então flores e cera no cemitério. Sempre dava para ganhar mais algum dinheiro para endireitarem a vida deles. Agora a Junta proibiu essas vendas, e eu pergunto, como é que estas pessoas vão viver?», questionou o indignado paroquiano. Seguidamente, uma das principais “personagens” desta história, mais precisamente o próprio vendedor dos materiais acima referidos, e que curiosamente é também funcionário do cemitério, e consequentemente funcionário da JFE, de seu nome António Magalhães, interveio na sessão para num tom de voz altivo e agressivo também ele demonstrar a sua revolta perante a situação. Paroquiano este que foi mais longe ao acusar a Junta de andar a meter-se na sua vida privada, informando que lhe havia “chegado aos ouvidos” de que se havia falado nos meandros da Junta de que ele havia comprado uma casa e outros bens pessoais, supostamente à custa do dinheiro que havia angariado com a venda de flores e cera.

    CONTOS E DITOS

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    Muito sinceramente, esta última parte da intervenção de António Magalhães aludiu mais à “política de contos e ditos” do que a argumentos fundamentados. Ideia esta que ficou bem patente no Salão Nobre da JFE e que não mereceu quaisquer comentário da parte do Executivo. Após a intervenção destes dois paroquianos, o presidente da Junta, Artur Pais, tomou a palavra para recordar aos presentes que esta proibição decretada pela JFE, que entrou em vigor precisamente no passado dia 1 de Março, ficou a dever-se única e exclusivamente ao facto de esta comercialização não ser legal. «Quando tomei posse como presidente desta Junta fui alertado para esta situação ilegal que decorria no cemitério nº 1 de Ermesinde há já vários anos. Perante este alerta fomos obrigados a tomar a decisão de proibir a comercialização de flores e cera dentro daquele espaço. Era uma situação perigosa, pois se um qualquer dia destes aparecesse no cemitério uma fiscalização não era apenas o funcionário do local que ia ser penalizado, mas também a própria JFE, uma vez que nós somos os responsáveis por aquele espaço. A Junta não pactua com ilegalidades, e por isso havia que pôr cobro de uma vez por todas a essa ilegalidade», frisou Pais. O presidente voltou ainda a lembrar que, no entanto, a Junta está a estudar uma alternativa para a venda destes materiais fora do cemitério. Artur Pais informou então que numa recente reunião que o Executivo teve com o presidente da Câmara de Valongo foi pedido a este que ajudasse a Junta a concretizar a alternativa para este problema. Alternativa essa que, segundo Pais, passa pela colocação de uma banca fora do cemitério que possa ser explorada por quem esteja interessado a comercializar aqueles materiais, hipótese esta que foi então já colocada junto de Fernando Melo, tendo o edil de Valongo prometido dar em breve uma resposta a esta proposta.

    INDIGNAÇÃO DOS RESTANTES MEMBROS DA JUNTA

    Estas manifestações do público perante esta proibição deliberada pela Junta, mereceram alguns comentários de insatisfação por parte dos restantes membros do Executivo. O mais indignado com esta atitude dos paroquianos era o socialista Artur Costa, que começou por lamentar que hajam pessoas que queiram pactuar com ilegalidades como esta, referindo ainda em jeito de desabafo que «perante atitudes de irresponsabilidade como a que estes senhores tiveram nem dá gosto trabalhar em prol da população desta cidade». Os restantes membros do Executivo desaprovaram igualmente a atitude dos paroquianos, voltando a sublinhar que a lei é para se cumprir, e se existia ilegalidade na venda daqueles produtos o caminho a seguir pela Junta só podia ter sido o da proibição da sua comercialização. Outro assunto trazido à superfície nesta sessão voltou a ser o da deficiente limpeza das ruas da freguesia, tendo ainda no período destinado à intervenção do público, a paroquiana Juliana Silva, que por sinal é também membro da Assembleia de Freguesia, denunciou a sujidade das artérias da zona da Santa Rita. Quem também voltou a tecer duros comentários sobre a fraca limpeza das ruas ermesindenses foi Alcina Meireles, que durante o período destinado à intervenção dos membros do Executivo se referiu à Rua da Índia Portuguesa como sendo a artéria mais imunda da cidade, pedindo em seguida que a Junta intervenha o mais rápido possível para alterar esta situação. Perante estas duas intervenções, Artur Pais deu a saber que a autarquia de Valongo já contratou uma nova empresa para efectuar a limpeza das vias públicas. Empresa esta (que Pais ainda não sabia o nome, mas que deu como certeza que não irá ser novamente a Resin) irá efectuar limpeza num número mais alargado de ruas da freguesia, ao contrário do que fazia a anterior concessionária. Ainda neste período é de destacar a satisfação de Alcina Meireles para com a decisão tomada pela Câmara de Valongo em suspender a fiscalização dos parquímetros, uma decisão que «apenas peca por tardia, pois já devia ter sido concretizada há mais tempo», referiu a autarca.

    Por: Miguel Barros

     

     

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