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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 15-11-2005

    SECÇÃO: Cultura


    Ágorarte promoveu seminário sobre Associativismo

    A Casa de Espectáculos do Fórum Cultural de Ermesinde recebeu no passado dia 4 de Novembro um seminário dedicado ao tema Associativismo. Organizado pela Ágorarte – Associação Cultural e Artística – este acontecimento contou com a presença de dirigentes de algumas associações culturais, sociais e desportivas da cidade de Ermesinde. Como orador, este seminário teve o vice-presidente da Federação das Colectividades do Distrito do Porto, Domingos Martins, cuja palestra assentou na leitura de um documento por si elaborado, que traçava as linhas essenciais para o bom funcionamento organizativo e financeiro de uma associação.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Intitulado de “Associativismo: Defesa de Bens e Valores Culturais da Comunidade”, este seminário teve o seu início com as palavras do presidente da Direcção da Ágorarte, Carlos Faria, que após uma mensagem de boas vindas dirigida a todos os participantes, expressou a sua vontade em que aquele fosse o primeiro passo para outros encontros realizados entre as diversas colectividades de Ermesinde. Posta esta intervenção inicial, deu-se então início a este seminário, tendo Carlos Faria passado a palavra ao orador desta iniciativa da Ágorarte, Domingos Martins, o vice-presidente da Federação das Colectividades do Distrito do Porto (FCDP). Começou por salientar que o mundo associativo dos dias de hoje comporta inúmeros problemas do seu ponto de vista organizativo e financeiro, acrescentando a esta sua opinião o facto de que na origem destes problemas aparerecem, na maior parte dos casos, dirigentes mal preparados para exercer cargos de gestão associativa. Perante estes dados, Domingos Martins elaborou em tempos um documento com o título de “Organização Administrativa e Financeira das Associações”, documento este que contém precisamente as “dicas”, por assim dizer, para que os dirigentes associativos possam ultrapassar as suas dificuldades no plano organizativo, administrativo e financeiro nas mais variadas áreas de actividade que desenvolvem, sejam elas do foro desportivo, social, ou cultural. Este documento encontra-se dividido em quatro fases, nomeadamente, “Situação Jurídica”, “Funcionamento dos Órgãos”, “Área Administrativa” e “Gestão Financeira”. O orador deste seminário e autor deste documento fez então uma incursão detalhada a cada uma destas fases. Na primeira, e só para citar alguns dos “conselhos” transmitidos por Domingos Martins durante a sua longa palestra relativamente a todos os pontos deste seu documento, as associações terão que proceder em primeiro lugar a uma análise rigorosa sobre si mesmas, no sentido de verificarem se se encontram devidamente enquadradas nas exigências da Lei, ou seja, se essa associação foi ou não constituída dentro de determinados Decretos-Lei. No segundo ponto, o orador abordou alguns aspectos essenciais para o bom funcionamento dos diversos órgãos de uma associação. Lembrou que não basta apenas ter uma boa sede para que tudo funcione em pleno, é preciso que os dirigentes tenham noção de como funcionam os determinados órgãos que compõem uma associação, o que na maior parte dos casos não acontece. «Existem casos em que o presidente pensa que é dono e senhor da colectividade, age como se não devesse satisfações a ninguém, o que, como é óbvio, não é bem assim. Os órgãos sociais desde sempre foram eleitos democraticamente. A Assembleia Geral, por exemplo, quando em exercício, é o órgão máximo de uma colectividade e a que tem os poderes deliberativos.

    Por exemplo, é da sua competência eleger os corpos gerentes da colectividade, aprovar o Plano de Actividades e Orçamentos, ou ainda tem a incumbência de aprovar o Relatório e Contas. Outro órgão que assume uma elevada importância numa colectividade é o Conselho Fiscal. Este é um órgão que tem entre outras funções a fiscalização das contas das Direcções, de dar o parecer sobre o Relatório e Contas, apresentar sugestões sobre o Plano de Actividades e Orçamento, ou acompanhar a contabilidade e gestão financeira e patrimonial da colectividade. Dadas as características técnicas deste órgão, torna-se premente que ele funcione conjutamente com a Direcção da colectividade. Isto porque existem muitos dirigentes que não têm noção do dinheiro, fazem más aplicações das verbas da colectividade, assim como, por vezes, fazem uma má gestão do património da mesma», elucidou. No ponto referente à “Área Administrativa”, Domingos Martins teceu explicações sobre o quão importante é para o bom funcionamento de uma colectividade existir uma boa organização administrativa. Aspectos de como lavrar correctamente a acta de uma reunião, ou de como organizar um arquivo que possa ser consultado sempre que necessário sem problemas, já que, nas palavras do vice-presidente da FCDP, uma área administrativa bem organizada pode facilitar a vida de uma colectividade. O último ponto deste documento faz alusão às medidas de enquandramento legal a ter em conta para a Gestão Financeira de uma colectivade, onde se destaca, por exemplo, a obrigatoriedade da existência de uma contabilidade organizada, sendo que para isso deve existir um técnico oficial de contas que faça a escrita dessa colectividade.

    AS INTERVENÇÕES DO MOVIMENTO ASSOCIATIVO ERMESINDENSE

    Após a palestra de Domingos Martins, deu-se entrada no período destinado às intervenções dos vários dirigentes associativos presentes. O presidente do CPN, Raul Santos, usou então da palavra para opinar que o documento apresentado falava do que deve ser uma “associação modelo”, mas que a realidade do movimento associativo nacional é bem diferente. «Tenho quase a certeza de que nenhuma das colectividades de Ermesinde aqui presentes representa aquilo que deve ser a “associação modelo” transcrita neste documento. Era bom que assim fosse, mas quem está no terreno, quem vive diariamente a realidade das colectividades, sabe que é muito complicado cumprir à regra com todos estes pontos. Hoje em dia as preocupações das colectividades centram-se em três pontos, o primeiro é em arranjar uma Direcção, o segundo em arranjar dinheiro para sustentar a “casa” e o terceiro é de como manter de pé essa mesma “casa”». O presidente do CPN, em jeito de desabafo, referiu ainda que actualmente os associados das colectividades estão mais interessados em saber se a equipa ganhou ou perdeu o último do jogo do que em tomar conhecimento dos problemas com que a colectividade da qual é associado se depara.

    Em resposta a esta intervenção, Domingos Martins reconheceu que é difícil colocar em prática todos os aspectos deste documento, mas que, no entanto, é dever da FCDP transmitir às colectividades estas indicações legais e éticas para um bom funcionamento das mesmas. O orador, pegando nas palavras inciais de Raul Santos, levantou ainda uma questão bastante pertinente que atravessa o movimento associativo dos dias que correm, ou seja, o facto de as colectividades terem dificuldades em arranjar Direcções mas, ao mesmo tempo, não encontrarem quaisquer tipo de complicação para angariarem atletas. «Porque razão é que os jovens não se escusam a participar em actividades desportivas, culturais, ou sociais e se recusam constantemente a assumirem cargos de dirigentes? É sobre isto que temos de reflectir. A presença dos jovens nos cargos de dirigentes associativos seria uma mais-valia para as colectividades, já que a juventude actual tem uma formação diferente da dos dirigentes mais antigos. Os jovens possuem uma formação mais actual, têm uma cultura mais rica e tudo isso seria benéfico para o mundo do associativismo», frisou.

    A intervenção seguinte pertenceu à representante da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB 2,3 de S. Lourenço, que questionou Domingos Martins de como é que as associações de pais poderão funcionar sob todos os aspectos da mesma forma que a “associação modelo” apresentada pelo vice-presidente da FCDP. «A maioria dos encarregados de educação que exercem funções numa associação de pais não permanece lá mais do que quatro anos, pois por lei cessam automaticamente funções a partir do momento em que os seus filhos deixam de ser alunos daquela escola. Devido a isto, as associações de pais estão sempre a conhecer novos corpos dirigentes, e como é sabido muitas dessas pessoas que chegam pela primeira vez a um organismo como este, muitas das vezes não têm noções de como tudo funciona. O que pretendo saber essencialmente é se existem escolas de formação para encarregados de educação, que os possam preparar de forma a exercerem cargos numa associação de pais. Isto, sem que estas associações sofram grandes alterações a nível organizativo e funcional sempre que entram ou saem dirigentes, como se tem verificado actualmente». Antes de responder a esta questão, Domingos Martins referiu que as associações de pais são um belo exemplo de como tudo deve funcionar dentro de uma associação ou colectividade. Seguidamente, e com a ajuda de Fernando Cântara, presidente da Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação do Concelho de Valongo, que também marcou presença neste seminário, respondeu então concretamente à questão colocada pela interveniente, informando que de facto existem escolas de formação específicas para encarregados de educação que queiram fazer parte deste movimento associativo.

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    CARLOS FARIA LANÇA REPTO ÀS COLECTIVIDADES

    Pouco depois este seminário chegava ao seu fim. Não sem antes Carlos Faria agradecer a participação de todos, tendo em seguida lançado um repto às colectividades de Ermesinde que se encontravam na sala.

    O presidente da Ágorarte propôs que se escolhesse entre todas as colectividades uma comissão que promovesse a “Festa das Colectividades em Ermesinde” no Dia do Associativismo. Uma ideia que desde logo foi bem recebida pelos dirigentes presentes, tendo Raul Santos disponibilizado de imediato as instalações do CPN para que todas as colectividades se pudessem reunir para dar corpo a este projecto.

    Os elementos ligados ao Centro de Atletismo de Ermesinde e da Associação Académica e Cultural de Ermesinde mostraram igualmente toda a sua disponibilidade para partcipar neste projecto, sugerindo de imediato algumas actividades que poderão ser implantadas nessa altura.

    Por: Miguel Barros

     

     

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