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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 15-11-2005

    SECÇÃO: Destaque


    As explicações do jornalista

    José Caetano assume para comigo nesta carta um tom que estranho e, ele sim, corta com uma prática de urbanidade e cortesia a que seria normal corresponder.

    Invocando o direito de resposta ao abrigo da lei de imprensa – e excedendo largamente esse direito como qualquer pessoa conhecedora da referida lei (2/99, de 13 de Janeiro) facilmente o constatará –, dirige contra mim várias acusações e um pedido de desculpas que teria eu bem mais razões para exigir.

    Acusa-me de o insultar e ofender ao tratá--lo a ele e ao seu partido como «pessoas vulgares e de ética e carácter duvidoso e que só andam à procura de poleiros».

    Retira esta acusação dos textos em que comentei as reuniões de instalação da Assembleia Municipal de Valongo (AMV) e da Assembleia de Freguesia de Ermesinde (AFE) e que se resumem a pequenos trechos dispersos.

    Os únicos em que se refere explicitamente José Caetano rezam como segue. O primeiro: «A direcção dos trabalhos esteve, de início, a cargo do presidente da Mesa da Assembleia cessante, José Caetano, que tinha a seu lado o presidente da Junta cessante, Casimiro Gonçalves», texto intitulado Antonino Leite é o novo presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia. O segundo: «Sagaz, foi José Caetano (CDU) quem interveio a seguir, ajudando o Grupo Parlamentar do PSD a perceber que não tinha necessidade de retirar a candidatura de Campos Cunha (de facto bastava-lhe apenas votar em Sofia de Freitas)», texto intitulado Sofia de Freitas (CDU) eleita presidente da Mesa da Assembleia Municipal. Não há, pois, qualquer tentativa de ofensas pessoais nem «tons acintosos e insultuosos relativos» à sua pessoa.

    Mas esclareçamos então as questões que, supostamente com gravidade, foram dirigidas contra o seu partido.

    José Caetano acusa-me de afirmar que «os comunistas e os eleitos na CDU não têm moral e são desprovidos de carácter e de ética». Refere-se provavelmente ao trecho seguinte: «A CDU, por sua vez, obteve importantes vitórias tácticas, que podem ainda tornar-se mais expressivas, revelando muita maneabilidade e poder de manobra, o que está bem explícito no texto do líder concelhio Adelino Soares inserto neste número do nosso jornal, na página 3.

    Sendo, todavia, na nossa opinião, uma brilhante vitória táctica, é uma pesada derrota estratégica, que mina o prestígio do partido, cada vez mais enredado em acordos com a direita que diz pretender combater, a troco de um ou outro lugar remunerado aqui ou ali, de uma presidência, ou de um mandato num Executivo, que fazem perceber uma flexibilidade ética de carácter duvidoso.

    A prazo, parece-nos evidente, isto cai que nem sopa no mel no prato do Bloco de Esquerda, a não ser que esta força, por sua vez, não saiba tirar todo o partido da situação. Por exemplo, na reunião que elegeu a Mesa da Assembleia Municipal, o eleito do Bloco de Esquerda entrou mudo e saiu calado. Mas quem saiu menos mal, à esquerda, apesar de erros evidentes, acabou por ser o BE. Por uma questão de ética ou de fraqueza».

    Como é óbvio – e se não o foi que o fique agora definitivamente –, não se trata de uma acusação pessoal aos militantes do Partido Comunista (a este ou àquele), trata-se de uma constatação de uma forma de entender a política, que concebe os meios como caminhos para um fim, e não como parte integrante e indissociável desse fim. Era a essa ética duvidosa que se exprime nas práticas frequentes de acordos com a direita que, por outro lado diz combater, bem visíveis no domínio autárquico, mas não exclusivamente aí, que me referia. Por isso falava em “vitória táctica” e “derrota estratégica”, dada a possibilidade de o Bloco de Esquerda poder capitalizar o natural descontentamento dos eleitores do PCP perante esses sucessivos acordos, que são assumidos, e estão claros, por exemplo, nos textos quer de Adelino Soares no número anterior de “A Voz de Ermesinde”, quer agora no de José Caetano.

    A propósito de dois comentários que teci a propósito da presença do Bloco de Esquerda nas referidas reuniões – penso eu –, José Caetano declara que eu não espere que, para ser figura de destaque em “A Voz de Ermesinde”, ele entre mudo e saia calado. Precisamente o que, nesta última peça referida critiquei ao representante do Bloco de Esquerda (BE). Esquecendo que o BE elegeu representantes quer para um quer para o outro dos órgãos autárquicos referidos (AMV e AFE), José Caetano confunde-os: «Na nossa opinião, o Bloco de Esquerda errou ao recusar integrar a Junta de Freguesia de Ermesinde (...). Porém, com o decorrer da Assembleia e os factos verificados em Alfena e na Assembleia Municipal de Valongo, a posição de Luís Santos acaba por ganhar uma inesperada qualidade. E tornar-se a figura deste início de mandato autárquico no concelho.

    É que, se não retirámos uma vírgula ao que dissemos linhas atrás, é por outro lado surpreendente a recusa de um lugar no poleiro quando, a troco de meras negociatas de posições de maior relevo, PS e PSD em Alfena e PSD e CDU sobretudo em Valongo (Assembleia Municipal) mostraram uma completa indiferença pelo sentido do voto expresso que tanto dizem respeitar».

    E também não chamei “vulgar” a José Caetano e ao seu partido. O que disse foi, referindo as vitórias do PSD no período de instalação destes órgãos autárquicos: «O PSD lançou novos autarcas – Antonino Leite e Artur Pais em Ermesinde – menorizou o papel do Partido Socialista e amesquinhou a esquerda, vulgarizando o Partido Comunista». O que é diferente.

    José Caetano refere ainda, na sua carta terem sido sempre as nossas relações amistosas, ser o nosso relacionamento antigo, de quando então ambos participávamos nas estruturas das Comissões de Trabalhadores, e eu o rotulava, a ele, de «Imperialista Soviético e Revisionista», o que na verdade, quanto a este último aspecto, nunca se passou, independentemente da minha posição crítica sobre a União Soviética

    Mas confirmo o carácter da relação cordial que sempre mantive com José Caetano e que, da minha parte, não pretendi alterar, nem creio que os meus comentários, por muito duros para com o seu partido na situação em apreço – são a minha opinião –, merecessem alterar.

    Tal como confirmo a relação de boa colaboração que com ele mantive, enquanto desempenhou o cargo de presidente da Mesa da AFE, cuja eleição, que comentei com a mesma independência com que agora o fiz a propósito das recentes instalações da AFE e AMV, José Caetano certamente recordará.

    E não é por causa deste confronto de opiniões, ou de outras que, a propósito das minhas posições, me acusam de ter a carteira profissional achada num pacote de flocos, ou expressas a mando de outros colegas, que deixarei de as exprimir.

    E não será também por isso que deixarei de elogiar, caso lhe reconheça o mérito, as intervenções de José Caetano ou outro qualquer dos seus camaradas, quando for caso disso (mas evidentemente, sempre, humildemente e só, na minha modesta opinião).

    Por: LC

     

     

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