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Edição de 30-09-2022
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    Arquivo: Edição de 15-09-2005

    SECÇÃO: Crónicas


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    Muros

    O s muros são anti-sociais. São feitos para dividir, afastar e esconder. Entre tantos e tantos implantados, veja-se o que rodeia a grande mansão do artista de cinema americano!

    Mais modestos são os que dividem propriedades rurais, quando a cerca contém o impacte das águas bravas ou dos animais domésticos.

    Os muros das aldeias preservam as árvores de fruto das investidas da canalha, principalmente nos quintais de pereiras e ameixoeiras. Alguns resguardavam as vinhas e pomares dos passantes nos caminhos públicos. Quando as uvas pintavam, as paredes eram recobertas de silvas, onde as amoras morriam em favor das uvas para o lagar!

    Ilustração RUI LAIGINHA
    Ilustração RUI LAIGINHA
    E nas cidades não existiram tantos outros?! Quando observamos as ruas, grandes avenidas e zonas verdes, não imaginamos quanto era difícil comunicar pelas traseiras dos edifícios. Que o digam os namorados antigos, quando queriam catrapiscar, sem os familiares saberem!

    Hoje, há peritos em saltar de quintal em quintal. São os assaltante, viciados nas drogas, à procura de tudo que possam reconverter em estupefacientes para o estado letárgico. A Polícia Judiciária, quando os envia a tribunal, já são responsáveis por dezenas de assaltos.

    Uma divisão de quintais, na zona de Costa Cabral (Antas) digna de admiração, é duma alta, alta parede, mais que as casas do rés-do-chão e primeiro andar, e de largura de metro, em granito bem conservado do Porto. Visto por qualquer um parece um “bunker” em altura! Razão da construção: como o vizinho não acedeu ao pedido de acabar com a pocilga, os porcos deixaram de ter direito ao sol da tarde, e os maus cheiros só em tempo de turbulência perturbavam o outro lado!

    A queda do muro de Berlim foi a alegria de muitos. Mas o destino está marcado, outros se erguem em novos sítios e noutros contextos, veja-se o que está a ser levantado pelos judeus na Palestina.

    Só neste Agosto de altas temperaturas, terra queimada e ausência de chuva, deu para visitar Berlim. Ir ao nordeste da Alemanha não é de fácil deslocação. Só a ida há grácil Polónia, onde se anda ao ritmo dos acontecimentos do falecido João Paulo II; Nossa Senhora de Czestochowa (ícone de Virgem Negra, mas de feições eslavas) e o Campo de Concentração de Auschewitz, proporcionou a passagem por Berlim, uma das maiores cidades do Mundo.

    A capital da República Federal Alemã não tem subúrbios. Tudo é novo e desimpedido ou velho reconstruído. Não se imagina como foi sujeita a tantos bombardeamentos! Os edifícios “antigos” têm alguns vestígios de reconstrução, apenas topados pela Beatriz e Mário, portuenses ligados às artes e cultura citadinas.

    Só quando vi nos semáforos a passarem de vermelho a amarelo, antes do verde, em uso na antiga União Soviética, é que tomei consciência de que estava na zona da ex-República Democrática Alemã, e era a zona mais rica e monumental da cidade, antes de ter chegado às portas de Brandenburgo. Nem tudo foi mau na RDA. E, ironia do destino, os lanços do muro, deixados de pé para turista ver, fotografar e levar pedrinhas, estavam em obras de restauro!

    Nunca o fiz, mas tive de o fazer, diante do famoso muro todo pintado e rabiscado, tirei a tampa à esferográfica e escrevi:

    - Viva a liberdade global - Porto, Portugal!

    * (Director do Colégio Vieira de Castro)

    Por: Gil Monteiro

     

     

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