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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 30-08-2005

    SECÇÃO: Crónicas


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    O mar

    Escreveu e canta Chico Buarque da Holanda: «O Brasil ainda vai ser um imenso Portugal». Creio que sim. O Quinto Império de Fernando Pessoa, não em território mas em falantes de língua portuguesa, virá breve. Mesmo em quilómetros quadrados, o Brasil é mais extenso que os outros países da América do Sul!

    Foi o Atlântico que nos uniu e vai, agora, ligar o Novo Império.

    Não é preciso sonhar, ou ser adivinho, que passadas décadas, os cariocas serão os “camones” dos tempos actuais. Destreza, manhosice e finura não vão faltar. Se uns chegaram a elevado desenvolvimento, com riqueza própria ou de outra parte do globo, outros se seguirão. Sendo o cinema o embaixador da cultura americana, os brasileiros, ainda com fontes de riqueza (floresta amazónica), são os inovadores das novelas televisivas, vistas, desde a China à nova Zelândia, em diálogos na língua de Camões e de Vinícius de Morais.

    ILUSTRAÇÃO: Rui Laiginha
    ILUSTRAÇÃO: Rui Laiginha
    Se os filmes de coubóis, aventuras e bailados, dos grandes dançarinos Gene Kelly e Fred Astaire, nos mostravam o nível americano dos anos idos, hoje, o desempenho dos actores brasileiros prende a atenção e acultura os povos, via pequeno ecrã ou DVD.

    O mar foi o destino de Portugal. Sê-lo-á novamente, não só pela via Brasil mas pelas fontes de energia a explorar. Quando ouço: «Somos um país pequenino», as entranhas reagem; basta retorquir: «Quantos portugais temos nas águas do Atlântico?!».

    No futuro, não sabemos se o viver na costa marítima ou no alto mar, será a chance de escapar à poluição do Continente, imprópria ao ser humano.

    Diz o António Armando:

    – Emigrar para Marte é solução!

    Os recursos marinhos continuam a ser imensos. São dois terços dos terrestres. Quando ouço dizer o número das toneladas de pescado retiradas, pela nossa frota pesqueira e em vias de extinção, fico de pasmar! Na visão ambientalista, o mar já devia ter esgotado!...

    O que resta? Muito, mesmo muito: granjas agrícolas e aquaculturas.

    A flora marinha utilizada na alimentação humana é quase inesgotável (não precisa de ser regada, sachada ou adubada). Só as algas podem fornecer os elementos básicos da nossa alimentação.

    Quantas granjas poderemos por a funcionar na nossa costa marítima? Não terão conta.

    UM MUNDO NOVO

    As alterações climáticas e a desertificação serão responsáveis pelo regresso aos mares. Se já temos a criação de mariscos, salmão e outros peixes (veja-se a riqueza da ria de Vigo) e outras se seguirão, até envolvendo as ilhas dos Açores, Madeira e Porto Santo.

    Os estuários dos rios poderão não produzir ostras e amêijoas, mas outros seres irão dar novas quantidades de alimentos. A genética e a clonagem estão aí…

    As culturas do arroz e outras, geneticamente transformadas, irão sobreviver em águas quase salinas.

    Quando as chuvas deixarem de cair no Continente, podemos, mesmo assim, produzir mais alimentos. Portugal, virado para o mar, será um país próspero! Mais: «E a energia retirada das ondas e das marés?»; «E as orlas das praias, rodeadas de painéis solares, a produzirem electricidade?». Vamos ter energias para dar e vender...

    Fomos uma Terra de notáveis marinheiros. Agora, os recursos marinhos vão conquistar um Mundo Novo!

    * Director do Colégio Vieira de Castro

    Por: Gil Monteiro

     

     

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