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Edição de 31-01-2024
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    Arquivo: Edição de 30-11-2022

    SECÇÃO: Cultura


    O legado d’ “Os Romanos em Valongo” retratado em livro

    Fotos CMV
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    No passado dia 24 de novembro, na Oficina da Regueifa e do Biscoito, em Valongo, foi apresentado o livro “Os Romanos em Valongo” da autoria conjunta de Lino Tavares Dias, Cristina Madureira, Paula Costa Machado, Pedro Aguiar e Alexandre Lima.

    O trio de apresentação era constituído pelo primeiro autor, Lino Tavares Dias, pelo presidente da Câmara, José Manuel Ribeiro, e pelo professor jubilado da Universidade de Coimbra, Jorge Alarcão. Estavam presentes, o presidente da Assembleia Municipal, Abílio Vilas Boas, alguns vereadores, outros autarcas, a chefe de Divisão dos Serviços de Cultura, funcionários da Câmara de Valongo e bastante público, enchendo por completo a sala.

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    José Manuel Ribeiro foi o primeiro a falar para se congratular com esta publicação que vem divulgar um património único que é a existência de um grande complexo subterrâneo de mineração do ouro nas serras do Porto, quiçá o maior do império romano. Este assunto tem merecido grande atenção da autarquia que tem investido algum dinheiro na investigação do tema de que é prova o presente livro, mas também a elaboração de vídeos de divulgação e já de dois congressos que trouxeram a Valongo os maiores especialistas europeus nesta temática. A ligação dos romanos a Valongo é mais uma das logomarcas de que o município se ufana.

    A apresentação do livro, propriamente dito, coube a Jorge Alarcão, um dos nomes mais sonantes no país, no que respeita à história dos romanos entre nós e com mais obras publicadas sobre o domínio romano no espaço que hoje é Portugal. Considerou a presente publicação um bom trabalho, e em português muito acessível a qualquer um, sem perda do rigor científico, o que é ótimo, e que procura responder a questões como, onde eram as povoações dos mineiros(?), onde se situavam os seus cemitérios(?), onde seriam os seus campos de cultivo(?) e se situavam as estradas(?). Depois, o professor de Coimbra, com a autoridade do seu conhecimento e dos seus 88 anos, deu uma aula de história a todos. Explicou algumas das dúvidas que a presente publicação lhe levanta, considerando-as não propriamente como uma crítica mas antes como novas pistas de investigação e reflexão, uma vez que vai haver um 2.º volume dos mesmos autores. Jorge Alarcão explicou que, provavelmente, a povoação dos mineiros seria o castro de Couce; o cemitério se localizaria na Corredoura, a 1,5km (os romanos situavam o cemitério perto das estradas mais importantes, onde era vulgar a existência de lápides com uma inscrição latina que, em português, dizia mais ou menos o seguinte: Peço-te viajante que me desejes que a terra me seja leve). Em Ivanta foi de opinião que não viviam os mineiros mas a elite ligada à administração da exploração das minas, porque apareceram artefactos (como ânforas) que evidenciavam uma vida mais faustosa. Certamente aí viveriam o delegado do Imperador, o “Procurator” (a administração da mineração romana do ouro era monopólio do Estado), os técnicos de engenharia daquele tempo que diziam como e onde prefurar a terra; os escribas e homens das contas. Concordou com a forma de transporte do minério (carroça até ao Sousa e depois de barco para Roma), mas colocou grandes reticências nas regueiras que foram identificadas como infraestruturas dos campos de cultivo. Disse que a centuriação das terras só ocorreu perto das cidades que eram colónias (que tinham um estatuto elevado na administração romana, pois gozavam de cidadania plena ou romana) e aqui perto não havia nenhuma (nem Bracara Augusta o era). Mais tarde, o professor Lino Tavares Dias afirmaria que no livro não fala nunca em “centuriação” mas em cadastração de terras. Relativamente aos bosques, onde ir buscar a lenha e levar os gados a pastar, considerou que podia ser o “Salto”, mas achou que o topónimo estava incompleto. A terminar fez questão de frisar a qualidade da obra.

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    Por fim, falou o principal autor da obra e seu coordenador, Lino Dias, que agradeceu as achegas do professor Alarcão que, com sacrifício, leu a obra e se deslocou propositadamente de Coimbra para estar presente no lançamento e fazer a sua apresentação, agradeceu o desafio da Câmara Municipal de Valongo, na pessoa do seu presidente e falou do contributo de cada um dos coautores agradecendo também a revisão/harmonização do conteúdo da obra a Isabel Santos Moura. Referiu-se ainda ao 2.º volume, que anunciou para breve, e que vai debruçar-se sobre alguns elementos que neste 1.º volume não foram devidamente aprofundados. Ficamos, então, à espera desse 2.º volume.

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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