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Edição de 30-06-2022
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    Arquivo: Edição de 31-12-2021

    SECÇÃO: Crónicas


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    “De repente, das árvores transbordou vida”

    A declaração da entrada de um novo período de Estado de Emergência abalou-me. Para mim era expectável que não voltássemos a tal. Apoiado em números estatísticos de vacinados e não vacinados, pensei para os meus botões “acabou, estamos safos”. Erro meu. Ele modifica-se à velocidade dos saltitos de pardal. Não dá descanso. Voltamos à máscara. O mal menor. Mas por ser mimado, causa-me desconforto. O melhor era mesmo ir para o campo, menos humanos, mais natureza.

    Pena é o parque da Resineira ainda não ter ligação ao de Alfena. Teríamos um belo percurso para caminhar e observar a natureza. Não falo em passadiços feitos em madeira, que não considero ecológicos, mas sim de caminho à beira do Leça. Também não sei se é possível. Havia ou ainda há a lei da obrigatoriedade de cedência de passagem das pessoas pelos campos à beira rio? Lembram-se das fontes de água em que estava escrito ou ditas em palavras sábias do povo como “águas sem posse”? Mas eu não sei nada, nem de coisa alguma. Por isso fui para longe.

    Percurso de Salreu - Aveiro
    Percurso de Salreu - Aveiro
    Saltei na estação/apeadeiro de Salreu. Porquê aqui? Nem sei, mas saí do comboio. A sorte estava do meu lado. Há um percurso pedestre e circular denominado de “Esteiro de Salreu”. A distância é de 7,7 Km. A estrada de acesso aos campos está bem conservada, com bom piso, tanto para se fazer de bicicleta como a pé. A chuva caída no dia anterior não se fazia notar no piso. Os campos alagados, com os seus caniços já de cor castanha, que com o reflexo do sol pareciam prateados. Os esteiros transportam a água para os campos da Ria, braços estes que outrora acabavam em portos de carga e descarga e permitiam a produção do moliço, que deu o nome às embarcações tradicionais da ria de Aveiro, “Os Moliceiros“. A vegetação marginal é composta por salgueiros, amieiros e o abundante caniço. Neles se ouve o alegre canto do rouxinol ou a passagem veloz do guarda-rios, o cantar dos verdilhões, do pisco. Aqui ou ali umas galinholas de água, vislumbram-se nas margens dos canais, ainda alguns patos reais. Por cima de mim, em voo circular, um grupo de milhafres… No sapal escuta-se o chapinhar do salto do sapo. Por ter um alto teor salino, as plantas tiveram que se adaptar. Pequenas folhas e grande densidade das raízes. São o filtro natural destas águas. Olhando para os campos descortinamos várias tonalidades do espectro do arco-íris. No caminhar lento e atento quase que não se percebe o fluxo de vida. Temos de parar e ficar quietos, lembrei-me. Uns simples minutos bastaram. De repente, das árvores transbordou vida e desta, belas melodias canoras. A cegonha de asas pretas perdeu a vergonha, e lentamente veio investigar aquele vulto que não deveria estar ali. Mas ali também se ouve o frenesim humano. O barulho do trânsito, o grito aflito da ambulância, o toque abençoado, para os trabalhadores, da sirene da fábrica a anunciar o fim do turno. Ao longo do caminho, temos indicações precisas de onde nos encontramos e por onde teremos que ir. Uns pontos de observação de aves ou de outros mamíferos. Umas mesas e bancos para o devido descanso dos caminheiros e reposição de energias. O relógio não pára e o sol acompanha-o. Estava na hora de acelerar o passo, com muita pena minha. Dei um salto a um campo plantado de milho. Os pés secos assim como o milho por retirar. Intrigado voltei para o caminho.

    O dia estava no fim e ia já projetando novas visitas a outros percursos, talvez mais junto da Ria. Consegui apanhar mais um caminhante, mas este pelo ritmo que levava mais parecia um atleta. Depois do cumprimento, devido e respeitoso e sabendo que era natural daquela localidade, indaguei sobre os campos de milho. Dos arrozais? Perguntou. Não, respondi-lhe. Do Milho. Olhou para mim e sorriu: Sabe! Não sei de nada.

    (...)

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    Por: Manuel Fernandes

     

     

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