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Edição de 30-06-2022
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    Arquivo: Edição de 15-12-2021

    SECÇÃO: Crónicas


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    A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA (27)

    A invasão e ocupação do Estado Português da Índia pela União Indiana

    Pese embora o tema desta nossa série de escritos tenha como principal objetivo uma abordagem, ainda que sucinta, do que foi a guerra colonial portuguesa, com especial enfoque nos ex-territórios ultramarinos africanos, não podemos deixar de fazer uma referência, ainda que breve, à invasão e ocupação do então designado “Estado da Índia Portuguesa”, constituído pelos territórios de Goa, Damão e Diu.

    Ora, como é sabido, tal feito foi levado a cabo pelo, então, recém-independente Estado designado por “União Indiana” que, mais tarde, face à natureza das suas duas principais religiões professadas pela sua imensa população, nomeadamente, a hindu e a islâmica, viria a dar origem a dois países, a atual Índia e o Paquistão, respetivamente.

    A esse acontecimento histórico de extrema relevância para o país, que abalou profunda e indelevelmente o conceito de “nação pluricontinental, multirracial e multissecular”, “herança sagrada” dos nossos ancestrais heróis marinheiros de quinhentos, religiosamente intangível para o regime vigente em Portugal, dedicaremos este breve apontamento.

    A União Indiana havia-se tornado independente do Império Britânico a 15 de agosto de 1947, no âmbito daquele “boom” anticolonialista e independentista, de que já aqui falámos noutra sede, que se seguiu ao termo da 2.ª guerra mundial. Ora, também por essa altura, alguns ativistas goeses ousaram reclamar a integração dos territórios sob administração portuguesa na “mãe pátria”. Como corolário dessa ousadia, foram severamente reprimidos, ao contrário do que acontecera com o império britânico relativamente à sua ex-colónia, em que a independência havia sido pacificamente negociada, depois de durante alguns anos reclamada pelos seus principais líderes políticos, nomeadamente Mahatma Ghandi e Jawaharlal Nehru, sem recurso à violência, simplesmente com base em greves gerais, resistência pacífica e desobediência civil.

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    Poucos anos após, aí por meados da década seguinte, o governo do novel Estado governado pelo pacifista Jawaharlal Nehru passou a pressionar o governo português no sentido de abandonar aqueles territórios, permitindo a sua integração na grande nação indiana a que os naturais chamavam a sua “mãe pátria”, como já se referiu. Contudo, todas as suas iniciativas levadas a cabo pela via diplomática, incluindo o recurso a instâncias internacionais, designadamente à ONU, onde a posição do governo português, alegando que aqueles territórios não constituíam nenhuma colónia, mas antes uma extensão territorial duma nação una e pluricontinental, vinha sendo sucessiva e repetidamente condenada, esbarraram sempre num rotundo não por parte de Oliveira Salazar.

    É, pois, neste contexto de negação, inflexibilidade e resistência política e diplomática de Salazar e seu regime aos “novos ventos” desencadeados pelo pós-guerra, não obstante a enorme pressão da grande maioria da comunidade internacional, que Nehru, contrariando a sua forma pacifista de estar na política, de reivindicar e lutar por aquilo que sempre julgou serem os seus direitos pessoais e os dos seus súbditos, decide mesmo recorrer à força das armas e anexar, invadindo-os, aqueles territórios integrantes do império colonial português, havia mais de quatro séculos e meio.

    Assim, faz agora 60 anos, mais precisamente na madrugada do dia 18 de dezembro de 1961, um contingente militar indiano incluindo forças terrestres, aéreas e navais, cifrado em cerca de cinquenta mil combatentes, tecnicamente bem preparados e equipados com modernos meios de combate, nomeadamente espingardas automáticas e, inclusive, aviões a jato, entra em Goa, Damão e Diu, simultaneamente, e força a guarnição portuguesa constituída por cerca de três mil e quinhentos homens, mal equipados, dispondo apenas de armas de repetição Kropatchek, de 1892, e deficientemente preparados para o confronto direto, a render-se. De início, ainda foi oposta alguma resistência, que terá durado umas 36 horas, da qual terão resultado três dezenas de mortos e cerca de meia centena de feridos do lado português. Porém, face à abismal desproporção de meios, o governador e comandante militar português, general Vassalo e Silva, contrariando as instruções recebidas de Lisboa uns dias antes, entendeu que seria muito mais prudente e sensato aceitar a rendição, evitando assim um confronto desastroso, um verdadeiro banho de sangue de consequências trágicas, devastadoras para aqueles milhares de homens e suas famílias.

    Escassos dias antes da invasão que, nos corredores do poder, já se vinha adivinhando, uma vez que a União Indiana, frustradas que haviam sido as inúmeras tentativas de negociação encetadas ao longo de vários anos, há algum tempo, vinha concentrando forças suas junto à fronteira. Perante a iminência do eclodir do conflito armado, o presidente do conselho de ministros, Oliveira Salazar, em jeito de advertência cominatória, envia uma mensagem àquele governante e comandante militar, dizendo-lhe, textualmente: “não prevejo possibilidade de tréguas nem prisioneiros portugueses, como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos”.

    (...)

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    Por: Miguel Henriques

     

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