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Edição de 31-05-2020
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    Arquivo: Edição de 30-04-2020

    SECÇÃO: Opinião


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    MANUEL TEIXEIRA GOMES (parte 2) - Diplomata influente da entrada de Portugal na Grande Guerra (1914/1918)

    Em 10 out 1914 Manuel Teixeira Gomes (MTG), recebe em Londres um memorando do Foreign Office a convidar o Governo Português a terminar com a postura de neutralidade assumindo a ligação à Grã-Bretanha (GB) e seus aliados. Na sequência deste convite desloca-se a Londres uma missão militar constituída pelos capitães do Estado-Maior, Ivens Ferraz, Fernando Freiria e Azambuja Martins (todos sócios efetivos da Revista Militar), para organizar o processo duma convenção com a GB para o envio da Divisão Auxiliar, para França. Em 23nov1914 o Parlamento sanciona a participação de Portugal na guerra, mas pouco depois, jan1915, surge outro governo adiando-se os preparativos e discutindo-se o merecimento da intervenção que no entanto prosseguiram após a revolução de 14 maio. Em Londres MTG ia esclarecendo e influenciando no sentido da entrada de Portugal na Guerra o que acabou por acontecer em mar 1916 na sequência do apresamento dos navios alemães ancorados no Tejo. A persistente ação de MTG é reconhecida pelo general Norton de Matos em declarações à imprensa: “’Para consolidar a nossa posição em França e melhorá-la tanto quanto possível, realizei então a minha viagem a Londres. Aí encontrei o auxiliar precioso que foi o nosso ministro na capital inglesa e mais tarde ilustre presidente da República, Sr Manuel Teixeira Gomes. A sua inteligência, o seu tacto político e talvez ainda acima de tudo isso, o seu grande prestígio em Londres, muito contribuíram para o completo êxito da minha missão’”. (pp. 117/118 de O Exilado de Bougie).

    MANUEL TEIXEIRA GOMES (7.º PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DE 6-10-1923 A 11-12-1925 (IN WIKIPEDIA, CONSULTADA EM 16-3-2020)
    MANUEL TEIXEIRA GOMES (7.º PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DE 6-10-1923 A 11-12-1925 (IN WIKIPEDIA, CONSULTADA EM 16-3-2020)
    Os pontos de vista de MTG sobre a GG aproximavam-se das posições inglesas, mas nos assuntos decisivos conseguiu impor os interesses de Portugal, orientando os assuntos para a entrada na guerra, tendo as suas atitudes provocado amizades e contrariedades, mas já com Portugal na GG recebe em Londres a visita do Presidente da República, Bernardino Machado e do Chefe do Governo, Afonso Costa, que decorre bem. Mais tarde, jan 1918, chega ao poder Sidónio Pais, queo chama a Lisboa, acusa-o de ter mudado de posição em relação à guerra e demite-o de ministro em Londres. Em fev 1919 é nomeado, pelo governo de José Relvas, ministro de Portugal em Madrid e em abril retoma o seu lugar, ministro em Londres, onde se mantém até ser eleito Presidente da República.

    Ao longo da vida desempenhou cargos com mérito, brio e honradez reconhecidos pela História como Ministro (Embaixador) em Londres de 1911 a 1918, tendo regressado a Portugal em 1923, por ter sido eleito Presidente da República, naquela missão foi caluniado e insultado, resistiu algum tempo, mas acabou por deixar Portugal em 1925, exilando-se em Bougie (Argélia) onde morreu em 1941. O corpo de Manuel Teixeira Gomes regressou a Portugal em 18 de dezembro de 1950 estando sepultado no cemitério de Portimão.

    A paixão de MTG pelo desporto, pela agilidade e utilização controlada da força, pela vida livre e beleza física, foi constante, desde os pontapés na bola durante a infância à ginástica respiratória na velhice. Durante a presidência visitava a carreira de tiro de Pedrouços pedia uma espingarda e fazia fogo e observava exercícios desportivos no Colégio Militar e Pupilos do Exército. Neste artigo resumem-se algumas atividades ligadas à Instituição Militar começando por se duvidar da sua passagem pelo Exército, “Após ter cumprido o serviço militar, vai viver para o Porto (…)” ou “Cumpre, breve, o serviço militar e, aos vinte e um anos, ei-lo no Porto (…)” e, com mais pormenor, o mencionado na obra de Urbano Rodrigues (pp. 312 e 313), A Vida Romanesca de Teixeira Gomes – notas para o estudo da sua personalidade e da sua obra, onde se diz, “À falta de melhor base na vida deixou-se fazer militar quando chegou à idade própria: Mas ainda na áspera carreira das armas o seu temperamento irrequieto o prejudicou. Uma das mil peripécias que se contam do seu tempo foi um castigo que sofreu por andar sempre de capote, no verão…(…). Em chegando o inverno empenhava o fardamento e à aproximação do estio ia buscá-lo, deixando o capote. Mas precisava arranjar na altura própria uns mil réis para fazer a transferência e daquela vez não os conseguira a tempo!”. Neste aspeto concorda-se com a Biografia de José Alberto Quaresma p. 56, “Talvez a tropa o tivesse amansado. Todavia não se encontram vestígios de ter feito o serviço militar. Não integra a lista de mancebos, nascidos no seu ano e anos contíguos, recenseados ou recrutados”. Para além de apreço pela condução da instrução e prática da educação física nas Forças Armadas e como responde aos envolvimentos políticos relacionados com as tentativas de tomada do poder pelos militares, salientam-se três pormenores. A Revista Militar de novembro de 1923, em editorial da sua Direção de que era presidente o general de divisão José Estêvão de Morais Sarmento, expressa uma “SAÚDAÇÃO”: “Assumiu em 5 de Outubro a suprema magistratura da Nação Portuguesa S. Exª o Presidente da República, Manoel Teixeira Gomes. A Revista Militar, na plena e ufana consciência do papel que representa como sendo o mais antigo e mais divulgado órgão da grande família militar em Portugal (inscreve-se até, nos seus títulos de justo desvanecimento, ser hoje o mais antigo jornal militar do mundo), respeitosamente depõe perante S. Exª a homenagem da sua alta consideração e os mais ardentes e sinceros votos (…)”. Num segundo pormenor salienta-se, ainda não observado em nenhuma das muitas biografias, que por portaria de 11 jul 1925, Presidente da República, autorizou a nomeação do major de Engenharia Carlos de Barros Soares Branco [no posto de capitão tinha sido o Chefe do Serviço Telegráfico do Corpo Expedicionário Português (França/Flandres) na Grande Guerra] para ingressar no Banco de Portugal como secretário-geral. O terceiro pormenor interligado com Teixeira Gomes observador do mundo militar, relaciona-se com a visita do Presidente à Escola do Exército, em março de 1925, quando o general Gomes da Costa, em discurso solene, “manifestou o seu descontentamento, que dizia traduzir o mal-estar duma parte do Exército pela marcha cada vez mais degradante dos acontecimentos políticos.”.

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    António Pena*

    *Coronel do Exército (TecnManTm), em situação de reforma (84 anos); doutorado em Ciências da Comunicação [FCSH/UNL (jan2006)]; membro emérito do Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias (CICANT)/Universidade Lusófona (filiação institucional). Agradecemos esta sua colaboração em exclusivo para o jornal “A Voz de Ermesinde”.

     

     

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