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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 31-03-2020

    SECÇÃO: Crónicas


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    PASSEIOS DE BICICLETA À DESCOBERTA DO PORTUGAL REAL…

    “Havia um pessegueiro na ilha plantado por um Vizir de Odemira…”

    A manhã estava fresca. Não parecia o início de um dia de agosto em terras alentejanas. A porta do parque de campismo de São Miguel é à face da EN 120. Era por esta que iria até ao meu próximo destino.

    Começo a percorrer a mesma e penso que deveria andar mais devagar. Afinal ninguém andava atrás de mim. Hoje iria estar mais atento ao que me rodeava. A poucos Kms reparo na indicação de Azenha do Mar. Viro à esquerda e entro numa estrada camarária. Terras devolutas sem nada produzirem. Ao fim de uns Kms a paisagem muda. Terras lavradas, árvores juntas quase a imitarem sebes de arbustos, a delimitarem áreas de cultivo. Verdadeiros tapa ventos. Não tardaram a aparecer estufas. Enormes estufas a ladearem os dois sentidos da via. Numeradas. Em poucas pedaladas o número um depressa passou para trinta e cinco. Estufas de morangos, de framboesas, mamão, batata-doce. O pavilhão principal indicava “Atlantic Sun Farms”. Parei. Fui convidado a visitar.

    Tudo ou quase tudo era para exportação. Cento e cinquenta hectares de área agrícola, só de batata-doce eram produzidas aproximadamente 4 000 toneladas. Mais à frente passo por outra, mas esta quase só de morangos, estando estes em calhas da altura do nosso peito com rega de gota a gota, sendo esta firma conhecida por “Sudoberry, S.A.” Produção?? Toda para exportação.

    ILHA DO PESSEGUEIRO (PORTO COVO)
    ILHA DO PESSEGUEIRO (PORTO COVO)
    Depressa cheguei a Azenha do Mar. Povoado piscatório, com casas térreas, pintadas de branco com os contornos das janelas e portas ora de azul, ora de amarelo. Os quintais, junto do promontório, com belas vistas para o oceano, transformados em bares e esplanadas. Quem abusar terá que ter vertigens para a estrada, caso contrário...

    Daqui sigo para Asseiceira. Decidi cortar caminho, saindo da estrada e indo por uma de terra batida. Como de costume por ter esta bicicleta foi uma má decisão. Estrada com bastante areia, os rodados enterram-se e provocam desequilíbrio. Ao longe vislumbro um volume quadrado em andamento. Paro. Tento perceber o que é. Um Inglês numa bike, com atrelado. Alforges nas rodas, mais volumes aqui e acolá, viola, fogão, canecas penduradas, um autêntico TIR. Trocamos impressões e continuamos a nossa estrada. Passo pela praia da Amália e dos Machados e vou petiscar algo à aldeia do Carvalhal. Continuo a percorrer aquela via camarária. A terra é pobre. Pouca ou nenhuma está tratada. Pelas herdades nada vejo a não ser a placa de turismo rural. Gado muito pouco. O que vejo está deitado ao sol, sem nada para comer. O feno é lançado ao solo. Bando de corvos procura algo para comer, banheiras transformadas em bebedouros. O resto é esta terra castanha amarelada que nem erva brota.

    Dou de caras com Zambujeira do Mar. Vila agradável, chego até a pensar ficar por aqui. Mas não, há que seguir. Depois de um bolo e café, toca a mexer.

    Apanho a via CM 1158. Percorre a costa junto ao mar até Porto das Barcas. Por aqui cruzo com pessoas a fazerem caminhadas ou a correr e sem dar conta, estou em Cabo Sardão. Os promontórios fascinam-me. Pela altura a que estamos do mar, mas também admiro a força e energia do mar nas suas rochas. Parei na aldeia para almoçar. O bar cheio de turistas belgas. Caminhantes que estavam a fazer os trilhos da Costa Vicentina. Tive uma refeição esplêndida, servida no simpático bar da Adélia. O preço foi modesto, pelo que me foi servido. A custo vou para a praia de Almograve com a sua bela aldeia. Reentro na EN 393 até Vila Nova de Milfontes. Por já a conhecer vou até à sua praia e volto para a EN. Sorri. Havia movimento a mais. Isto de andar só dá nisto. Deixo a EN e entro na CM 1072. Percorro vários Kms, admirando praias ou mini praias de águas cristalinas e de um azul céu aguarela. Aqui está a mítica placa.

    A placa a indicar a Ilha do Pessegueiro. A mítica canção de Rui Veloso. “Havia um pessegueiro na ilha – Plantado por um Vizir de Odemira - Que dizem que por amor se matou novo – Aqui no lugar de Porto Covo ….”. A Praia é ótima, desta, quase dá a sensação de a tocarmos. O forte está como todo o nosso património militar, infelizmente. A estrada que nos leva até ela nem para bicicletas. Os buraquinhos, os buracos e as crateras estão assinalados por círculos de cor: verde, amarela e vermelha respetivamente. Uma dor de Alma. Chego ao pôr-do-sol a Porto Covo. O Parque de Campismo está bem localizado, quase no centro da vila. Quase, quase completamente esgotado. Só existem vagas para tendas. Estou com sorte. Levam-me para mostrar o único sítio disponível. Encaixado literalmente entre outras duas tendas, em cima de uma caixa de saneamento. Bolas!! Nas dunas estaria mais confortável. Mas preciso de um bom banho refrescante, não conheço Porto Covo. Acho que me terei de sacrificar pela família!!. Ainda vou para político. Disse que sim… Sim, fico ali…

    Por: Manuel Fernandes

     

     

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