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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 31-03-2020

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    Dia Internacional da Mulher – Ciclo de Cinema

    Fotos JFE
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    Fotos JFE
    A Universidade Sénior de Ermesinde participou nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, evento promovido pela Junta de Freguesia de Ermesinde intitulado “Ciclo de Cinema”, com dois filmes. O primeiro filme foi “Volver”, do realizador Pedro Almodóvar, projetado no dia 26 de fevereiro. O segundo filme, “20th Century Women”, do realizador Mike Mills, foi exibido no dia 5 de março. No final da exibição seguiu-se um pequeno debate com as moderadoras (do projeto voluntariado Erasmus+, Núria Abril e Lúcia Garriga) e as oradoras Ana Guerreiro – União Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Ilda Pinheiro – Universidade Sénior de Ermesinde (USE) e Márcia Oliveira – Movimento Democrático de Mulheres (MDM).

    É de enaltecer esta iniciativa que dá voz às mulheres na luta pelos seus direitos e a importância na nossa sociedade de Organizações Não Governamentais como por exemplo a MDM e a UMAR, que está representada desde 1977 no Conselho Consultivo da Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres.

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    Os movimentos feministas da segunda vaga, que na década de 1960 saíram dos Estados Unidos com renovação de valores e retratados no filme de MiKe Mills, enquanto que em Portugal à época do filme tinha ocorrido há pouco tempo o 25 de Abril, mas dentro das casas o papel das mulheres permanecia inalterado, em casa a sua opinião não era considerada, não tinham poder, só deveres. Ainda éramos uma sociedade profundamente patriarcal, apesar de a nossa Constituição, desde 1976, dizer no artigo 13.º no ponto 1 “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”. A diferença face ao código civil de 1966 é profunda, mas a igualdade não chegou a todos os domínios da sociedade, por exemplo: desigualdades salariais, existência de quotas, setores da sociedade sem direitos laborais (empregadas domésticas), violência doméstica, abuso sexual, discriminações raciais e contra as mulheres transexuais, etc.

    O “empowerment” das mulheres, através de debates públicos, como foi o caso deste evento do “Ciclo de Cinema” no Dia Internacional da Mulher ao conceder o poder social às mulheres é de realçar a sensibilização e o contributo do poder local para a igualdade de género. As batalhas pelos direitos das mulheres são muito prolongadas no tempo, é preciso muita persistência e não desistir facilmente.

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    Em “Volver”, as figuras femininas aparecem robustas face às masculinas, mesmo moldadas por uma sociedade tão tradicional e religiosa e isso fica bem patente pela personagem Raimunda (Penélope Cruz) quando ela assume o assassinato do marido (pelo abuso sexual da filha). As mulheres de “Volver” fazem o que for preciso, inclusive matar. A morte dos homens é secundária, a figura masculina surge apequenada, é muito peculiar e singular a forma como Almodóvar vê o feminismo e quebra as barreiras da ética.

    Na nossa legislação o abuso sexual de crianças é crime público podendo ser denunciado por qualquer pessoa e o processo-crime é aberto independentemente da vontade da vítima, basta que o Ministério Público (corpo de magistrados que representa o Estado) tenha conhecimento. À sociedade cabe o importantíssimo papel de denunciar e não ficar indiferente, pois diz respeito a todos nós enquanto comunidade e devemos valorizar bastante e não desvalorizar a opinião da criança, que é um sinal de alerta entre muitos outros.

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    Em suma, é sempre bom lembrar as mulheres que lutaram pelo direito ao voto e acesso à plena cidadania, que no nosso caso só foi consagrado a todas as mulheres após o 25 de Abril, ou seja, há menos de 50 anos. Significa que os direitos consagrados na Constituição da República muitos deles ainda não estão efetivados, dado o enorme hiato necessário para mudar a cultura e as mentalidades. É uma tarefa fundamental do Estado promover a igualdade entre homens e mulheres, daí a importância de celebrar o Dia Internacional da Mulher.

    Ilda Pinheiro

     

     

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