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Edição de 30-11-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


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A GUERRA COLONIAL PORTUGUESA (2)

A ocupação territorial

A presença portuguesa era, por essa altura, praticamente e até ao último quartel do séc. XIX, assegurada através de fortalezas e feitorias, entrepostos fundamentalmente comerciais localizados junto à costa marítima, administrados por um feitor. Além de servirem de apoio à navegação, funcionavam também como armazéns de produtos a comercializar e de postos alfandegários, cobrando os impostos relativos às mercadorias que por ali transitavam.

A propósito do tráfico de escravos, convém esclarecer que era prática corrente, ancestral, entre os reinos africanos, e até entre as tribos que constantemente se digladiavam, os vencedores procederem ao saque dos bens e fazerem dos vencidos seus reféns e escravos e que, depois, eram como tais vendidos.

Com a independência do Brasil, em 1822, cessa o tráfico de escravos para aquela ex-colónia portuguesa, pese embora a escravatura se continuasse a manter como uma prática corrente. Perdida esta fonte de receita económica, havia que procurar outras. Foi então que os portugueses começaram a avançar mais para o interior do território, utilizando para o efeito os cursos de água propícios à navegação.

Com efeito, diversas expedições foram realizadas ao interior, aproveitando a via fluvial (rios Zambeze, Cunene, Cuanza, Cubango, etc.), pois não havia, à época, estradas que o permitissem, tendo quase sempre associado ao interesse económico, o científico, o político e até o religioso.

Além disso, urgia assegurar uma ocupação efectiva do território (exercício da soberania nacional). Território esse que, em finais do séc. XIX, era cobiçado por outras nações europeias, nomeadamente, a Alemanha, a França e a Inglaterra, que também detinham as suas colónias em África, sendo que as fronteiras ainda não estavam devidamente definidas. E só o vieram a ser, através de vários tratados celebrados entre si, os quais, por fastidioso, aqui nos dispensamos de elencar. A título de exemplo, a fronteira sul de Angola veio a ser fixada em 1886, através dum acordo luso-alemão, já que a Alemanha havia ocupado e fundado na região, desde 1884, uma colónia designada Sudoeste Africano Alemão. Colónia esta que, em plena I Grande Guerra (1915), durante a designada Campanha do Sudoeste Africano, a África do Sul, ex-colónia britânica e membro da Commonwealth, veio a integrar no seu território e que, em Março de 1990, se veio a tornar independente, dando origem à actual República da Namíbia.

Ora, é nesse contexto de afirmação da soberania que Portugal, que até então apenas dominava as feitorias costeiras e pequenas áreas territoriais adjacentes, decide, em 1877, enviar várias expedições, sendo a mais importante a que integrou Hermenegildo Brito Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto, no sentido de conhecerem e explorarem, sob os auspícios da Sociedade de Geografia, fundada dois anos antes por Luciano Cordeiro, e “no interesse da ciência e da civilização”, os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique e bem assim procederem «…ao estudo do rio Cuango nas suas relações com o Zaire e com os territórios portugueses da costa ocidental, assim como toda a região que compreende ao Sul e a Sueste as origens dos rios Zambeze e Cunene e se prolonga ao Norte, até entrar pelas bacias hidrográficas do Cuanza e do Cuango…».

(...)

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(continua)

Nota: o autor opta por utilizar a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

Por: Miguel Henriques

 

 

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