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Edição de 28-02-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


10.º ANIVERSÁRIO DOS CABEÇAS NO AR E PÉS NA TERRA - ENTREVISTA COM HUGO SOUSA

Há uma década com a cabeça no ar mas com os pés assentes na terra

Dez anos na vida de alguém ou de uma instituição podem significar ainda muito pouco em termos de experiência adquirida, de trabalho desenvolvido, ou simplesmente de História para contar. Porém, há exceções à regra. É o caso da companhia de teatro profissional Cabeças no Ar e Pés na Terra, que no mês de fevereiro completou uma década de existência. Uma década em que esta associação, com sede em Ermesinde, trilhou um percurso artístico a pensar… “fora da caixa”. Por outras palavras, desenvolveu um trabalho diferenciador, inovador e simultaneamente criativo e arrojado, que faz com que seja hoje com a tenra idade de 10 anos um “personagem” imprescindível na promoção e dinamização da cultura no nosso concelho.

À margem do programa comemorativo destes 10 anos de existência (cuja maior parte das iniciativas acompanhámos e reproduzimos nesta edição) da companhia, estivemos à conversa com Hugo Sousa, Diretor Artístico, Encenador e mentor da associação, o qual nos traçou o percurso (do passado ao futuro, passando pelo presente) de uma companhia que vive com a cabeça no ar mas com os pés bem assentes na terra.

Fotos ALBERTO BLANQUET
Fotos ALBERTO BLANQUET
Os Cabeças no Ar e Pés na Terra nasceram oficialmente numa sexta-feira 13 (de 2009), mas essa particularidade esteve longe de dar azo a uma vida de azar. Muito longe, conforme se pode concluir após fazer uma retrospetiva destes primeiros 10 anos de existência. Nesse dia 13, a cabeça dos mentores/fundadores da associação – Hugo Sousa, Ana Morina e Sandra Silva – era habitada por muitos sonhos. Alguns deles com a missão de serem materializados no imediato, sem pensar muito em chegar sequer aos 10 anos de vida enquanto associação. «No imediato sabíamos que no Concelho de Valongo faltava formação (em teatro) para crianças. A nível artístico, não existia praticamente nada, apenas um curso de teatro amador na Retorta. Queríamos desenvolver um trabalho profissional com as crianças», lembra Hugo Sousa.

Esse trabalho foi então iniciado com as Férias Artísticas, tendo o objetivo da formação para crianças ganho maiores proporções com a criação das oficinas de iniciação ao teatro. «Eu acho que essa aposta (na formação) foi ganha. Nós tínhamos muita qualidade naquilo que fazíamos, e lembro-me que os pais ficavam espantados como é que numa semana de trabalho os miúdos conseguiam representar um espetáculo de meia hora completamente sozinhos em palco! Porque eram eles, os miúdos, que no fundo construíam o espetáculo, nós espicassáva-mos a criatividade de cada um, e como a memória liga facilmente à criatividade era mais fácil estar em palco de uma forma natural». Na sequência das oficinas de teatro para a infância nasceram os Batatas com Salsichas, o grupo de teatro infanto-juvenil, digamos assim, dos Cabeças no Ar e Pés na Terra. Um projeto que viu a “luz do dia” no sentido de encaixar os jovens atores que iam saindo das oficinas de formação. Atualmente este grupo é composto por 12 jovens atores, todos eles saídos dessas oficinas de formação dos Cabeças, e todos com um nível elevado no que concerne à representação, sendo a prova disso o facto de todos os anos fazerem inúmeros espetáculos em vários pontos da região.

Hugo Sousa salienta ainda que desde o primeiro momento o conceito da formação para jovens não se prendeu apenas com a ideia de criar artistas e dar-lhes a técnica para estarem em palco, mas também utilizar as ferramentas do teatro para terem uma melhor desenvoltura pessoal. Por exemplo, saber projetar a voz, saber respirar em diversos contextos, ou seja «tudo o que necessitamos para ter alguma desenvoltura pessoal. E utilizar estes instrumentos de teatro é fantástico, pois a partir do momento em que eles (jovens) tiverem a noção desses instrumentos, das capacidade que têm, eles conseguem dominar melhor o nível emotivo, não ficarem tão frustrados, por exemplo», explica. Formação que entretanto está colocada, no que concerne às oficinas de iniciação, em stand by no quotidiano dos Cabeças, sobretudo porque no momento a associação carece de recursos físicos para desenvolver este trabalho inicialmente realizado na antiga Casa da Juventude, em Alfena. Com a saída forçada deste espaço, a companhia foi colocada num espaço nas Saibreiras (Ermesinde), que, no entanto, não reúne as condições ideais para ensaios e assim levar por diante um trabalho de formação que exige que haja uma atividade regular. Perante este cenário a companhia colocou de lado este projeto até encontrar um espaço amplo e com condições para o voltar a colocar em prática. Mas entretanto, e como lembra Hugo Sousa, já existem atualmente outras opções dentro do concelho ao nível de cursos de teatro para jovens e crianças, mais concretamente formações organizadas pelas autarquias (Câmara e juntas de freguesia), que no passado não existiam.

PENSAR "FORA DA CAIXA" PARA FAZER DIFERENTE

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Mesmo «dando um passo atrás», como considera o Diretor Artístico, no que concerne à formação para jovens e crianças, os Cabeças não baixaram os braços e foram à procura de outros caminhos. Desde cedo a companhia estava ciente não só do seu potencial como do facto de haver muitas pessoas que andavam à sua volta e que poderiam contribuir para o crescimento deste projeto artístico. Neste aspeto, Hugo Sousa lembra muitos atores/atrizes com raízes no concelho e com formação em teatro, muitos deles com formação a nível superior, que estavam a trabalhar na Maia, ou no Porto porque não havia trabalho aqui. «Era um desperdício de recursos humanos», diz o mentor dos Cabeças. Dá como exemplo a atriz Sandra Santos - que hoje em dia faz inúmeros trabalhos em televisão - ou o ator Jorge Neto, dois nomes que trabalharam, ou trabalham, no caso do ator valonguense, várias ocasiões com a companhia e que ajudaram a dar uma enorme desenvoltura a este projeto artístico.

Dois nomes, entre tantos outros, que ajudaram a concretizar outro dos sonhos iniciais dos Cabeças no Ar e Pés na Terra: fazer espetáculos não convencionais. No fundo, espetáculos que fugissem um pouco à norma do que era feito não só em Valongo como em toda a zona norte do país. «A nossa ideia sempre foi fazer uma coisa diferente. Fazer coisas mais arrojadas, formatos que fossem “fora da caixa”, como se costuma dizer. O que a mim me motiva é fazer coisas diferentes. Enquanto companhia profissional motiva-nos que o nosso trabalho transforme a normalidade das pessoas e sempre que fazemos qualquer coisa tentamos ao máximo “meter-mo-nos” dentro das coisas e tentar perceber o que aquilo tem a ver connosco e o que podíamos fazer de forma diferente para que as pessoas sintam que estão a viver uma experiência diferente. Se não fizermos estas coisas mais arrojadas, se fizermos coisas que o público facilmente pode ver na televisão, acho que as pessoas não vão aderir.».

E essa diferenciação fez-se sentir de pronto no primeiro espetáculo dos Cabeças: “Portugal dos Cabeçudos”. Um espetáculo que contava a História de Portugal em 15 minutos, em que o público tinha de entrar em pequenas tendas e ouvir/ver várias histórias num espetáculo intimista, algo nunca visto por estas bandas. Seguiram-se muitos outros trabalhos pensados “fora da caixa” que catapultaram a companhia para um nível alto em termos qualitativos.

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Por: Miguel Barros

 

 

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