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Edição de 31-07-2018
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    Arquivo: Edição de 30-05-2018

    SECÇÃO: Desporto


    ENTREVISTA COM JOSÉ FONSECA, PRESIDENTE DA DIREÇÃO DOS MAGRIÇOS DE ERMESINDE CULTURA E DESPORTO

    Magriços de Ermesinde mostram que estão vivos do alto dos seus 50 anos

    A História diz-nos que estamos não só perante umas das mais antigas coletividades desportivas, culturais e recreativas da nossa freguesia, como também uma das que mais dinâmica popular criou à sua volta durante anos a fio. Dinâmica essa que face a algumas circunstâncias comuns a tantos outros filhos do associativismo popular esmoreceu num passado recente, mas que agora, a pouco e pouco e com os pés bem assentes no chão, vai sendo recuperada. Uma coisa é certa: os Magriços de Ermesinde estão bem vivos, e dispostos a continuar a escrever uma História que neste mês de maio conheceu um capítulo digno de registo: as comemorações do seu 50.º aniversário. Foi este tema que serviu de mote para a nossa conversa com José Fonseca, que desde fevereiro último assume as funções de presidente da Direção do clube.

    Fotos MIGUEL BARROS
    Fotos MIGUEL BARROS
    No 13 de maio de 1968 assinala a fundação em Ermesinde do Grupo Desportivo Unidos à Casa Magriço, patrocinado pelo então guarda-redes do Futebol Clube do Porto e da seleção nacional, Américo, e na altura proprietário de uma casa de artigos desportivos na cidade do Porto, conhecida como Casa Magriço - numa alusão à seleção nacional que brilhou no Campeonato do Mundo de 1966. Cinquenta anos passaram, e este clube - que alguns anos volvidos à sua fundação alterou a sua denominação para Magriços de Ermesinde Cultura e Desporto - continua de portas abertas na velhinha sede da Travessa 5 de Outubro, a qual ao longo deste mês se engalanou para celebrar as Bodas de Ouro da coletividade que acolhe. José Fonseca pode estar há pouco tempo na presidência dos Magriços, dirige uma Direção que tomou posse em fevereiro último, mas conhece o clube como ninguém, já que ao longo dos últimos 16 anos foi membro de Direções anteriores.

    Recorda que a sua entrada no clube enquanto dirigente coincidiu com a derradeira época desportiva que este fez no hoje extinto Campeonato de Amadores da Associação de Futebol do Porto (AFP), prova onde os Magriços competiram durante muitos anos e onde se tornaram por isso muito conhecidos e populares, não só no nosso meio como em toda a região.

    «Os Magriços tinham muita força no futebol amador. Por causa do futebol, o clube movimentava e atraía muita gente, pessoas na casa dos "vinte" e "trinta" anos que paravam na nossa sede por causa da modalidade», lembra o atual presidente.

    Entretanto, com o fim do futebol federado o clube foi perdendo fulgor, seguidores, «perdeu muita vida», diz José Fonseca. Durante uma temporada - e logo após o fim do futebol de competição - a coletividade criou uma equipa de futsal, tendo competido nas provas da AFP, participação essa que segundo o nosso interlocutor até correu bem em termos desportivos, mas devido aos elevados valores de taxas de inscrição e à ausência de seguidores (adeptos) também o futsal federado chegou ao fim.

    A APOSTA

    NO CICLOTURISMO

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    Foi nesta altura que surgiu a atual modalidade rainha dos Magriços: o cicloturismo, que hoje em dia tem devolvido vida ao clube. Por alturas deste 50.º aniversário a coletividade organizou mais um (já) tradicional Passeio de Cicloturismo (do qual damos conta nestas páginas), neste caso, o 14.º. «O cicloturismo é a nossa grande aposta. Temos um know-how e experiência já enraizada no que concerne à organização de passeios de cicloturismo, e isso faz com que todos os anos participem no nosso evento equipas de outros pontos da região, que conhecendo a nossa boa forma de organizar estes passeios fazem questão de participar», diz José Fonseca, que acrescenta que os passeios de cicloturismo do clube são já uma bandeira da modalidade em toda a região (norte), de tal maneira que há dois anos quando os Magriços decidiram deixar a Associação de Cicloturismo do Norte esta entidade não ficou lá muito contente, «porque sabiam que a nível organizativo e do número de participantes em passeios nós éramos um parceiro muito importante». A provar a popularidade da modalidade no seio dos Magriços está o número de atletas que compõem atualmente a equipa: 65. Homens e mulheres, com idades compreendidas entre os 20 e os 60 "e tal" anos, que treinam semanalmente e ao fim-de-semana e participam com regularidade em diversas provas que acontecem do norte ao sul do país. Fátima, Lisboa, ou Gerês, são alguns dos passeios em que os Magriços participam anualmente. «Temos pessoal que leva a modalidade muito a sério, treinam muito e quando vão a qualquer prova é para ganhar. Este ano já temos pelo menos três pódios», conta o presidente da Direção. Para além do cicloturismo, o clube mantém ativas as secções de pesca desportiva e de campismo, ambas sem o fulgor de outros tempos, é certo, sobretudo a pesca, que ainda vai tendo um ou outro praticante em ação. Já no campismo, o facto de o clube ser federado nesta atividade faz com que muitos sócios o procurem para obter licenças anuais (para acampar). O futebol e o futsal também voltaram a fazer parte do ADN dos Magriços de há uns tempos a esta parte, mas de forma lúdica, já que junta um grupo de cerca de 20 atletas veteranos (a maioria defendeu as cores do clube nos tempos em que este tinha futebol federado) que semanalmente se divertem em treinos realizados quer no Estádio Municipal de Ermesinde (no que diz respeito ao futebol), quer no pavilhão da Escola D. António Ferreira Gomes (no que concerne ao futsal).

    PAPEL SOCIAL DE RELEVO

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    Para além deste grande evento anual que é este passeio de cicloturismo aberto ao exterior, os Magriços organizam todos os anos outra atividade de relevo por alturas do seu aniversário: o convívio que junta associados e amigos na Consolata de Ermesinde «ao longo de um sábado bem passado, onde temos um almoço e ao fim da tarde uma sardinhada». Este convívio é apenas um exemplo que espelha o papel social que os Magriços desempenham. A sede do clube é diariamente frequentada por sócios e amigos que ali passam um bocado do seu seu tempo, convivendo, jogando cartas ou dominó. «Clubes como o nosso têm um papel social importante, pois conseguem muitas vezes substituir as instituições dando ocupação às pessoas que deixam de trabalhar e não têm onde ocupar o seu tempo», refere José Fonseca, que acrescenta que na cidade não existem muitos locais onde os cidadãos seniores possam passar o seu tempo livre.

    Sede do clube que está aberta todos os dias, embora apenas da tarde, já que à noite dada a escassez de frequentadores não se justifica essa abertura, a não ser que haja futebol na televisão, o que de imediato faz com que a sede ganhe vida no período noturno.

    Associados que neste momento são cerca de 140, com as cotas em dia, e que pagam uma cota anual de 15 euros.

    Um dos grandes obstáculos do movimento associativo atual está bem patente no dia a dia dos Magriços, por outras palavras, cativar pessoas mais jovens a integrar os quadros diretivos do clube, cuja média de idades no presente ronda os 60/70 anos. «É uma dificuldade chamar pessoas mais jovens para a Direção. Apesar de sermos um clube pequeno dá trabalho organizar o passeio de cicloturismo e o convívio anual, arranjar patrocínios para estas atividades, ou seja, temos de despender muito do nosso tempo e o jovens hoje em dia não estão para perder o seu tempo com o associativismo».

    Apesar deste obstáculo e de algum esquecimento a que tenha sido vetado pela cidade de Ermesinde ao longo dos últimos anos como consequência do fim do futebol federado, o clube orgulha-se de uma coisa: «não devemos nada a ninguém e disso podemos gabar-nos. Não fazemos muito (em termos de atividades), mas o que fazemos é bem feito e sem entrar em loucuras», diz o presidente, que sublinha ainda que passo a passo, «sem entrar em ações que sejam feitas fora do nosso controlo financeiro», a sua Direção está a recuperar a vida que os Magriços tiveram no seu passado. Aproveita esta oportunidade para evocar e agradecer aos amigos/patrocinadores e às entidades oficiais (Câmara de Valongo e Junta de Freguesia de Ermesinde) que têm apoiado o clube na organização dos seus eventos. «Felizmente ainda temos amigos aqui na cidade a quem estamos muito gratos, Graças a eles há eventos que conseguimos levar a termo, e se já é difícil organizá-los, sem os apoios deles era praticamente impossível».

    Quanto ao futuro, José Fonseca diz que gostava de trazer o atletismo para o clube, «até porque há muitas provas (trails, por exemplo) atualmente e acho que era um bom meio de divulgar o clube, a cidade e o concelho». Outro sonho passa por uma sede nova, um espaço «com outras condições para oferecer às pessoas que frequentam a sede e também para o próprio clube», diz. A terminar, deixa uma mensagem: «as pessoas que frequentaram os Magriços no passado e pensam que já não existimos, digo que estamos vivos, e convido-os a aparecerem na sede».

    Por: Miguel Barros

     

     

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