Subscrever RSS Subscrever RSS
Edição de 31-07-2018
  • Edição Actual
  • Jornal Online

    Arquivo: Edição de 30-05-2018

    SECÇÃO: Destaque


    ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ERMESINDE, JORGE VIDEIRA

    «Às associações (humanitárias) o Estado paga mal e tarde e aos bombeiros paga-lhes muito mal»

    A sensivelmente duas semanas de assinalar mais um aniversário, neste caso o 97.º (cujo programa festivo no fim desta entrevista), a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (AHBVE), pela voz do seu presidente da Direção, Jorge Videira, esteve à conversa com o nosso jornal. Uma entrevista onde foi esmiuçado o quotidiano da associação, com destaque para os obstáculos financeiros que esta enfrenta no seu dia-a-dia e os projetos que esta tem em carteira para fazer face às suas despesas correntes. Pelo meio do seu discurso, o dirigente lança ainda críticas ao Estado pela forma como este tem tratado as associações humanitárias de bombeiros.

    foto
    A Voz de Ermesinde (AVE): Não poderíamos iniciar esta entrevista sem recuar até 2017, ano que ficou marcado pela tragédia dos incêndios, com o foco a incidir no que ocorreu em Pedrógão Grande, onde dezenas de pessoas perderam a vida. Enquanto membro de uma associação humanitária, perguntava-lhe o que falhou no sentido de se evitar tal tragédia, foi a prevenção, foram os apoios e meios disponíveis aos bombeiro (?)…

    Jorge Videira (JV): Quem melhor poderia responder a essa pergunta seria o Comando, pois é uma parte mais técnica, mas vou tentar dar a minha visão dos acontecimentos.

    O que eu entendo é que devia ter havido uma precaução por parte do Governo no que tem a ver com a prevenção. Só depois de esta catástrofe acontecer é que o Governo se lembrou de que é preciso ter cuidado na prevenção, porque se os terrenos estiveram limpos é meio caminho andado, pelo menos, para que nas zonas habitáveis não haja grandes riscos de incêndio. Os bombeiros fizeram o que puderam (no combate aos incêndios). Aliás, nós, bombeiros de Ermesinde, estivemos em várias frentes, não ficámos circunscritos à nossa área territorial e ao nosso distrito, estivemos em Trás-os-Montes, no Minho, no centro do país, pois entendemos que a missão dos bombeiros é estarem onde são necessários e não ficarem circunscritos à sua área. Isso trouxe-nos um desgaste muito grande de pessoal e de material, sendo que no que diz respeito ao material já recuperamos muito, pois a Autoridade Nacional da Proteção Civil indemniza as associações humanitárias pelos gastos com o material que é desgastado nos incêndios. Mas voltando à questão colocada, penso que a prevenção é a base necessária para evitar este tipo de situações e na minha ótica foi isso que falhou não só agora, mas já me apercebi há muito tempo que a precaução é o ponto fundamental para minimizar o flagelo dos incêndios.

    AVE: Depois do que aconteceu, vimos os bombeiros - através das entidades que os representam - virem mais vezes a público reivindicar junto do Governo mais apoios, mais incentivos, entre outras reivindicações. Acha que o Governo está hoje mais sensível e recetivo às reivindicações dos bombeiros?

    JV: Com muita tristeza acho que não. Estou aqui há quatro anos e há quatro anos que se fala na criação do estatuto social do Bombeiro Voluntário. Essa é uma discussão que já teve tempo para ser feita e ainda hoje não se discute. Como também não discutem as atualizações de preços a pagar pelos serviços que as associações humanitárias prestam ao Estado, que nos paga mal e muito tarde. Ou seja, às associações o Estado paga mal e tarde e aos bombeiros paga-lhes muito mal! Sente-se que o Estado está acomodado no trabalho desenvolvido pelas Associações Humanitárias de Bombeiros. Há um claro desprezo por estas associações e pelo bombeiro voluntário. Contudo, na hora, nós respondemos "presente". E é esta resposta fácil a que o Estado não sabe dar o devido reconhecimento. Não nos entrega equipamentos de proteção individual, muito menos viaturas, não cria um verdadeiro estatuto do bombeiro voluntário, nem tão pouco atualiza as tabelas de preços que permitam fazer face ao crescendo constante de aumentos de preços que as associações têm que suportar para fazer face a encargos que estas assumem para servir esse mesmo Estado. Já é difícil a gestão corrente das associações humanitárias de bombeiros, e se o Estado não mudar este status-quo, perspetivam-se tempos muito difíceis para o futuro das associações humanitárias de bombeiros e para o consequente bem-estar das populações.

    Das reivindicações (que têm sido feitas) resultou um aumento de 5 euros aos bombeiros, ou seja, a norma diz que cada bombeiro vai receber agora 50 euros por cada 24 horas de serviço nos fogos, enquanto que antes recebia 45 euros. Foi a única coisa em que serão beneficiados. De resto mantém-se tudo conforme está.

    foto
    AVE: O Jorge Videira cumpre neste momento o último ano do segundo mandato à frente da AHBVE. Pedia-lhe por isso que nos fizesse um pequeno balanço do que tem sido este mandato.

    JV: Antes deste fizemos um primeiro mandato, do qual só cumprimos ano e meio, porque a Direção anterior após perder as eleições interpôs providências cautelares que atrasaram a nossa tomada de posse. Mas nesse primeiro mandato uma das primeiras medidas que tomámos foi a de alterar os estatutos em relação à limitação de mandatos. Ou seja, de acordo com os estatutos anteriores, os mandatos eram de dois anos e não havia limitação. Nós alteramos os estatutos para três anos (de duração de um mandato) com limitação a três mandatos. O que significa que todos os elementos dos órgãos sociais ao fim de três mandatos seguidos não podem recandidatar-se. Entendemos, quando propusemos a limitação de mandatos, que havendo alteração de pessoas nos órgãos sociais da associação também há alteração de comportamentos, de ideias, de propostas. Gente nova traz sempre novas ideias, e as "coisas" nós fazemos enquanto estamos com vontade de trabalhar, pois com o passar do tempo isto torna-se quase como um ciclo vicioso, um dado adquirido. Para além disto, alteramos alguns processos em relação àquilo que vinha sendo praticado pela Direção anterior que esteve 16 anos nesta casa. Alteramos alguns protocolos que foram então feitos, sempre na tentativa de fazermos melhor, com vários fornecedores. Alteramos seguros, sendo que neste momento estamos a pagar cerca de 50 por cento do valor dos seguros que pagávamos quer em relação às viaturas quer em relação ao pessoal efetivo. Reduzimos na ordem dos 50 por cento a fatura com a empresa que nos fornecia o oxigénio medicinal e em relação ao INEM negociamos o valor que é pago nas saídas de emergência. Ou seja, o INEM paga as saídas de emergências das ambulâncias em função dos quilómetros percorridos, sendo que na nossa área geográfica o hospital de referência é o S. João, que é para onde levamos o doente em caso de acidente. E para o primeiro escalão do INEM, que contempla (uma deslocação) até 15 quilómetros, há um valor estipulado, sendo que nós do extremo da nossa área de intervenção, que é Alfena, até ao S. João, ultrapassamos esses 15 quilómetros. Fizemos essa constatação e entrámos em contacto com o INEM, e melhoramos a situação. Ou seja, antes desta constatação recebíamos 2700 euros por mês do INEM e hoje faturamos na ordem dos 7000 e tal euros. Também há mais serviços, é certo, porque adquirimos mais equipamento, mas para além disso passamos para o segundo escalão, o que em alguns casos dobra o valor que é pago por essas saídas de emergência.

    AVE: Estamos a cerca de meio ano do fim do atual mandato, o Jorge Videira pensa em recandidatar-se a um terceiro mandato?

    JV: Ainda é cedo para dizer se me vou recandidatar. Ainda não abordamos essa questão (entre a Direção), mas a probabilidade é mais a de ficar do que a de não ficar.

    foto
    AVE: Falando agora daquilo que de mais importante foi feito neste segundo mandato (?)…

    JV: O segundo mandato está a correr dentro daquilo que era expectável, em que tínhamos apostado na substituição de viaturas. Temos aí viaturas com 40 anos, embora hoje tenhamos menos do que as que tínhamos, porque entretanto já abatemos algumas. Destaca-se neste mandato os investimentos avultados que fizemos. Somos uma associação que vive com grandes dificuldades. Temos apoio da Câmara de Valongo e das Juntas de Freguesia, que dão aquilo que podem. Nós temos um orçamento de 831.000 euros, o que é um movimento muito grande para uma associação de bombeiros. E todos os meses precisamos de ter entre 50.000 a 60.000 euros disponíveis para suportar os encargos com o pessoal; com as despesas correntes, como a água, a eletricidade, o combustível - onde gastamos 5000 euros por mês -; material pré-hospitalar (para as ambulâncias); ou oxigénio. São gastos bastante avultados. Temos 31 funcionários, 27 deles são bombeiros efetivos e mais quatro funcionários (na parte administrativa), e só com vencimentos, mais encargos sociais, mais seguros de acidentes de trabalho vão aproximadamente 40.000 euros. Depois temos ainda os seguros com as viaturas e a reparação dessas viaturas, pois se não tivemos viaturas capazes, também não conseguimos dar resposta às solicitações, e o que nos faz ganhar dinheiro são as ambulâncias não são os carros de incêndio. Tudo isto são despesas correntes. Mas por falar em ambulâncias, este ano compramos três ambulâncias novas. Aliás, nestes últimos três anos gastamos 247.000 euros em viaturas, sendo que em equipamentos de proteção individual e fardamento gastamos 32.000 euros, em formação gastamos 18.000 euros e em obras no quartel 8.000 euros, o que significa que em três anos investimos qualquer coisa como 305.000 euros. Se me perguntar como é que gastaram esse valor se está a queixar-se que não tem dinheiro? Recorremos a algum crédito, e o que me pode levar a fazer outro mandato é eu ficar até ao fim dos compromissos que assumi até agora. Compromissos que são muito grandes para a capacidade financeira da AHBVE, são compromissos de grande envergadura para nós, mas foi um risco calculado, pois nós não compramos para depois nos acomodar e pagar se pudermos e se não pudermos não pagamos. Temos de procurar algumas receitas extraordinárias para fazer face a isto, ainda o ano passado saímos para a rua e fizemos um peditório, e este ano temos previsto fazer ou um sorteio, ou um grande espetáculo no sentido de arranjarmos fundos. Mas isto para dizer que destes 305.000 euros que gastamos já pagamos à volta de 160.000 euros, sendo que neste momento devemos à volta de 145.000 euros, destes encargos que assumimos. Fizemos, como disse, grandes investimentos. Na formação, por exemplo, quando aqui chegamos tínhamos sete bombeiros habilitados com o curso de TAS (Tripulante de Ambulância de Socorro), que é o curso mais avançado - graduação máxima - dado pelo INEM aos bombeiros, ou seja, estão habilitados a fazer o socorro, o suporte básico de vida. Hoje temos 42 bombeiros habilitados com esse curso.

    Em termos de ambulâncias se calhar precisávamos de fazer mais algumas substituições, mas vamo-nos aguentando, porque este ano compramos três, como já disse, e o ano passado compramos outra. Vamos ter agora no nosso aniversário a promoção de 12 recrutas a bombeiros de 3.ª classe, e precisamos de mais de 12.000 euros para os equipar, além de que precisávamos de renovar alguns equipamentos de proteção individual dos nossos bombeiros.

    AVE: Por falar em bombeiros, por quantos elementos é composto o atual corpo ativo da corporação?

    JV: Temos um corpo ativo com cerca de 115 bombeiros, sendo que 27 são os tais bombeiros efetivos de que falei atrás.

    foto
    AVE: Por tudo o que ouvimos até aqui podemos então considerar que os principais obstáculos atuais que os Bombeiros Voluntários de Ermesinde (BVE) enfrentam para levar por diante a sua missão são de ordem financeira (?)…

    JV: Basicamente são de ordem financeira, mas isso acontece também, e como já disse, porque o Estado além de pagar mal, paga tarde. Como referi anteriormente, mensalmente precisamos de ter disponíveis entre 50.000 e 60.000 euros para as despesas correntes, e muitas vezes, três ou quatro dias antes (do fim do mês) não temos ainda esse dinheiro e ficamos preocupados. Se o Estado nos pagasse a tempo não precisávamos de ter essa preocupação. E quando digo que o Estado paga mal dou o seguinte exemplo: nós fazemos o transporte de doentes não urgentes, que são aqueles que têm de ir à fisioterapia, ou fazer tratamentos aos hospitais, e estamos a receber por esse serviço o valor que recebíamos há cinco anos atrás. Mas entretanto, o combustível para nós aumentou, a energia elétrica aumentou - quando passou de 6 para 23 por cento e nós suportamos os 23 por cento. O Estado aumentou os preços ao consumidor mas depois não nos ajusta os preços. Mas temos outros problemas. Como eu já disse temos um corpo ativo com cerca de 115 bombeiros, muitos dos quais são mulheres, e a parte nova do quartel, que é onde estão as camaratas, quando foi projetada não foi pensada para mulheres, uma vez que na altura não havia mulheres no corpo ativo. Atualmente, as mulheres (bombeiras) têm dois quartos muito pequenos, dois cubículos, além de que faltam instalações sanitárias para elas, faltam roupeiros. Nós temos estudado a situação, no sentido de resolver este problema, e tivemos um arquiteto da Câmara de Valongo que colaborou connosco na realização de um projeto que visa permitir a ampliação/alteração do quartel no sentido de termos camaratas e balneários para as mulheres. Só que essa alteração fica-nos entre os 180.000 e os 200.000 euros. Isto tem-nos preocupado, queríamos resolver a situação, só que não há concursos a nível do Estado para nos podermos candidatar a essas verbas. Temos outro problema na parte velha do quartel, cujo telhado é em amianto, embora esteja coberto com uma chapa de alumínio por cima. Acontece que com a dilatação do alumínio começamos a ter infiltrações de água. Precisamos de um telhado novo. Só que esse telhado, grosso modo, ficará à volta dos 90.000 euros. Já pedi uma reunião com o presidente da Câmara Municipal de Valongo no sentido de ver se ele nos ajuda a resolver pelo menos este problema antes que venha o próximo inverno. Nós fizemos algumas obras no quartel, como eu já referi, mas não pudemos contemplar o telhado porque o dinheiro não esticava.

    AVE: Falamos até aqui de despesas, e quanto a receitas, de onde provêm as principais fontes de receitas dos BVE (?)...

    JV: Dos serviços das ambulâncias, se não tivermos ambulâncias na rua, chegamos ao fim do mês e temos uma certeza: não há dinheiro. Mas além disso, temos as cotas dos associados, o subsídio da Câmara Municipal de Valongo - que todos os meses é certinho -, o subsídio da Proteção Civil, e depois temos de três em três meses um subsídio do INEM, em virtude do avultado número de saídas de emergência que temos por mês. Temos entre 450 e 550 saídas de emergência por mês, e face a isso recebemos então esse subsídio do INEM.

    AVE: Falou na cotização dos associados, sendo que para a maior parte das associações humanitárias esta é uma das principais fontes de receita. No entanto, o que se tem assistido a nível nacional é um decréscimo do número de associados, isso também se tem verificado nos BVE?

    JV: A noção que eu tenho é de que noutros tempos as pessoas faziam-se associadas para ajudarem os bombeiros. Hoje, pela experiência que tenho, apercebo-me que já não é assim. As pessoas fazem-se associadas dos bombeiros porque preveem que "amanhã" vão precisar dos bombeiros por alguma razão. Dou um exemplo: em 28 propostas que recebemos num dia destes, 14 delas eram de pessoas nascidas nas décadas de 30 e 40 do século passado, pessoas que hoje têm na ordem dos 80 e tal anos. E fizeram-se associadas dos bombeiros porque preveem que vão precisar de uma ambulância para ir "aqui ou ali" e normalmente o associado tem que ter um benefício qualquer. Por exemplo, se tivermos de aplicar a nossa tabela de taxas, o sócio paga 50 por cento do que paga um não associado. E depois, também pensando nos sócios, nós procuramos fazer alguns protocolos com diversas entidades da cidade. Isto é, temos acordos com clínicas, com farmácias, etc. Atualmente temos dez protocolos estabelecidos com outras entidades que fazem um preço com uma redução na ordem entre os 20 e os 50 por cento a quem é associado dos BVE. Temos feito esses protocolos no sentido de ver também se captamos alguns novos associados. O ano passado, quando decorreu o período do peditório que fizemos junto da comunidade, também entregamos propostas às pessoas no sentido de se fazerem nossas associadas. No ano de 2017 entraram mais de 200 associados, mas saíram mais de 300. Porquê? Porque muitos dos nossos associados são de um escalão etário elevado, andam na casa dos 70, 80, ou 90 anos. São as pessoas com maior probabilidade de risco de morte. Depois, temos outros associados que mudam de casa e não nos dizem rigorosamente nada, e temos ainda uma situação que é o facto de as pessoas por falta de dinheiro não pagarem cotas. A nossa cota é de 21 euros por ano, é uma cota que pode ser paga de uma só vez, (dividida) de seis em seis meses, ou de três em três meses. Temos associados, por exemplo, que pagam os três primeiros trimestres e chegam ao último e dizem-nos que têm de tomar opções, ou seja, entre comer e pagar aos bombeiros deixam de pagar as cotas à associação.

    AVE: Atualmente qual é o número de associados da AHBVE?

    JV: Andamos na ordem dos 7400 associados. Esta é uma receita que não podemos perder. É das melhores receitas que temos.

    foto
    AVE: Também em 2017, e com a chegada de um novo comandante aos BVE, foram traçados alguns objetivos para a corporação, entre outros aumentar o número de bombeiros voluntários e apostar na formação de novos bombeiros, sendo que neste ponto foi dada a conhecer a intenção de criar uma escola de infantes e cadetes. Como estão a correr esses projetos?

    JV: Têm corrido bem. Aliás, agora por alturas do nosso aniversário, e como já disse antes, vamos ter a promoção de 12 recrutas que terminaram a formação, estão neste momento em fase de estágio e depois disso vão passar a bombeiros de 3ª. classe. Nos infantes e cadetes temos 30 miúdos, que, aliás, também vão estar no aniversário. Eles têm instrução como têm os adultos, só que proporcional às capacidades deles. Há o empenho do Comandante, do Comando, e também o empenho de alguns bombeiros que se disponibilizaram para monitorizar os miúdos. Essa foi uma das promessas que propus quando vim para aqui: criar uma academia de infantes e cadetes e isso está conseguido. Para o ano vamos continuar a nova escola de recrutas, sendo que já estão abertas as inscrições para a admissão de novos recrutas. Tem-se feito esse recrutamento junto das escolas, e isto é importante referir, porque os bombeiros enquanto associação têm de estar abertos à sociedade, e nesse sentido temos feito algumas iniciativas junto das escolas, dando formação - sem custos para essas entidades que recebem formação - de suporte básico de vida, quer a alunos quer a professores, e isto também tem sido uma aposta ganha da nossa parte. Para além disso, e já que estamos a falar em formação, uma das possibilidades que vimos também com o intuito de podermos rentabilizar quer as instalações, quer o know-how que temos aqui - pois temos muitos bombeiros com formação em diversas áreas e possuidores de CAP -, foi a de sermos uma entidade formadora certificada pela DGERT. Já submetemos essa candidatura à DGERT, e que provavelmente irá ser aprovada, pois não vejo motivos para isso não acontecer, sendo que nos inscrevemos em três áreas de formação, isto é, o Suporte Básico de Vida, Proteção de Pessoas e Bens (que é função de bombeiros, ou seja, ensinar as pessoas como se lida com extintores, etc.), e Higiene e Segurança no Trabalho. Nós temos as salas, temos equipamentos (como retroprojetores, por exemplo) e temos pessoal formado nessas áreas todas, e então decidimos avançar, no sentido de esta ser mais uma atividade que nos possa criar riqueza para fazer face a estas despesas todas. Estamos expectantes que isso nos vá trazer alguma rentabilidade. Além de que pretendemos não só dar formação nas nossas instalações como também ir às empresas, dizer-lhes que estamos habilitados a dar formação nestas áreas, a preços mais acessíveis se elas como contrapartida se fizerem associadas dos bombeiros, ou seja, damos uma contrapartida às empresas para elas nos apoiarem.

    AVE: Também há cerca de um ano a Câmara de Valongo anunciou publicamente o aumento do subsídio mensal que dá às duas corporações de bombeiros do concelho, aumento esse que foi de 33 por cento. Neste ponto, perguntava como é a relação hoje em dia entre autarquias (Câmara e Juntas de Freguesia) e os bombeiros?

    JV: A relação é boa. A Câmara Municipal de Valongo dá-nos 6000 euros por mês de subsídio, e de facto houve um aumento de 33 por cento no último ano, como referiu, mas fora desse subsídio que está fixado, por vezes precisávamos de um ou outro subsídio pontual. Eu já abordei isso junto do presidente da Câmara, ele disse-me que para nos dar a nós também tinha de dar aos Bombeiros Voluntários de Valongo e o que está instituído entre nós e os Bombeiros de Valongo é que nenhum de nós faz qualquer reparo se o presidente da Câmara entender dar um subsídio a Valongo sem nos dar a nós, ou vice-versa, desde que tenha um objetivo, uma necessidade premente. Mas, o presidente da Câmara diz que é avesso aos subsídios pontuais, e eu não entendo o porquê de ele não dar um subsídio pontual quando for necessário.

    PROGRAMA DO 97.º ANIVERSÁRIO

    DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ERMESINDE:

    Sábado, 16 de junho de 2018

    16H00 - Exercício simulacro no quartel pela Escola

    de Infantes e Cadetes;

    17H00 - Exercício simulacro de Salvamento e Desencarceramento

    em Alfena, pelo Corpo de Bombeiros

    Domingo, 17 de junho de 2018

    08H15 - Formatura geral no quartel;

    08H30 - Hasteamento de bandeiras;

    09H00 - Missa na Igreja Paroquial de Ermesinde;

    10H00 - Desfile apeado e romagem ao cemitério n.º 1 de Ermesinde;

    10H30 - Desfile apeado e homenagem ao bombeiro na Rotunda

    da Rua José Joaquim Ribeiro Teles, em Ermesinde;

    11H00 - Desfile motorizado e romagem ao cemitério de Alfena;

    11H30 - Desfile motorizado e romagem ao cemitério de Águas Santas;

    12H00 - Desfile motorizado e romagem ao cemitério n.º 2 de Ermesinde;

    12H30 - Regresso ao quartel;

    15H00 - Formatura no quartel;

    15H15 - Receção às entidades convidadas;

    15H30 - Sessão solene:

    Promoção a bombeiro de 3.ª;

    Promoção a bombeiro de 2.ª;

    Promoção a sub-chefe;

    Entrega de emblemas a associados com mais de 50 anos;

    17H30 - Lanche convívio.

    Por: Miguel Barros

     

     

    este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu
    © 2005 A Voz de Ermesinde - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital.
    Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.