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Edição de 31-10-2020
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    Arquivo: Edição de 31-12-2017

    SECÇÃO: Crónicas


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    Epifania

    Festividades consagradas à adoração dos Reis Magos e ao Menino Jesus.

    Era, e ainda vai sendo, as Festas do Natal e das prendas, que não passavam dos piões (bicos de ferro e várias "baraças"), piões facetados e rapas de tira e deixa; e pinhões de pinheiros mansos; pedras de ardósia da serra de Valongo, eram os "livros" para as contas, redações e desenhos, enquanto o "regrão" se mantinha afiado, ou se afiava! Até os bocados partidos se utilizavam, ou serviam para jogos de trocas, comos os grãos de feijoeiros; pinhões e confeitos gostosos. Os brinquedos de rodas e varas para mexer as asas de pombas, palhaços de circo, conjuntamente, com os coloridos carros de lata, pareciam mais que reais!

    Como os pedidos têm muita força, e as alegrias são muitas, os segredos das prendas eram conhecidos após a Missa do Galo. Os de maior volume ficavam para o nascer do sol mais, brilhante do que nunca, no meio da neblina, chuva de neve miudinha!

    Alguns brinquedos entravam em exercícios, à luz dos lampiões, nas escadinhas da capela, enquanto o Sr. Prior regia os cânticos natalícios e os socos invernosos, cravejados de tachas, batiam no empedrado granítico. O crepitar dos cavacos nas lareiras, ia festejando a opípara Consoada do bacalhau, polvo e rabanadas! Depois eram as leituras, contos orais e jogatinas!...

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    Os confeitos e rebuçados passavam, pelas faringes enfumaradas, deglutidos a sumos de tangerinas e água-pé. A Noite-Bela era festejada a cálices de vinho do Porto, colhido nas quintas rio Pinhão!

    A noite só terminava com a ida de novo à Capela beijar os pezinhos do Deus - Menino, agora já calçado, pois o tempo e o Templo eram bem gelados; apesar dos saltos e das correrias, e o nevoeiro não deixar arrefecer demasiado a atmosfera!

    Apesar de se saber que os seres vivos nascem, crescem e morrem, conforme o local terrestre, imploravam o bom tempo para as crianças e pobrezinhos, ainda que o Sr. Abade ordenar aos mortos-vivos de irem para o Paraíso (!)...

    Ao ler, numas férias do Natal, na aldeia transmontana, o famoso romance " Mãe" do russo Máximo Górki, tive que guardar as lágrimas nos olhos de tempestades e dores! Jesus salvou e salva os apertos do coração, ainda que o feriado do dia de Reis tenha sido extinto.

    Se os seres, das bactérias aos vírus crescem aos milhões, os elefantes e baleias aos milhares; já na existência terreal o contrário e os ciclos rápidos e longos, mesmo nos bons sulcos, não dariam equilíbrios na evolução biótica dos trilhos...

    Voltar a ler Crime e Castigo de Dostoiewsky e a obra-prima Guerra e Paz de Tolstoi, faremos a introspeção da nossa alma da homeostasia de caminhos culturais; e criatividades religiosas.

    Vivam os Reis Magos e os seus reinados, e todos os seres representados nos Presépios.

    Por: Gil Monteiro

     

     

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