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Edição de 30-06-2019
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    Arquivo: Edição de 31-03-2017

    SECÇÃO: História


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    60º ANIVERSÁRIO DO CENTRO SOCIAL DE ERMESINDE

    Festa da Entrega e Bênção da Bandeira da Sopa dos Pobres de Ermesinde (parte 2)

    Retomamos a evocação da cerimónia da Entrega e Bênção da Bandeira da "Sopa dos Pobres" de Ermesinde que teve lugar há quase 58 anos, mais concretamente, no dia 12 de abril de 1959, que nesse ano calhou a um Domingo. Esse dia foi de festa para as gentes de Ermesinde que não quiseram deixar de se associarem à festa desta tão importante instituição de solidariedade social

    O jornal "Sopa dos Pobres de Ermesinde", antepassado de "A Voz de Ermesinde", na sua edição de abril/maio de 1959, publicou vários artigos e uma desenvolvida reportagem sobre o evento, que, pela sua importância histórica, continuamos a transcrever.

    A reportagem, cuja transcrição começámos no número anterior e agora continuamos, é da autoria de Alberto Delgado, e tem por título, "Ermesinde em Festa".

    "(…) Numa tribuna delicadamente ornamentada com colgaduras e arbustos efectuou-se uma sessão solene. Presidiu o snr. Engenheiro Armando Magalhães, presidente da Câmara Municipal de Valongo, ladeado pelos snrs. Dr. José Ribeiro Pereira, Vice-Presidente do Município, deputado Major Aires Martins e esposa, Rev.° Luís Vieira dos Santos, Abade de Ermesinde, Feliciano Cruz, Presidente da Junta de Freguesia, Padre Brochado, pela "Cáritas Portuguesa", António Américo Pinto de Almeida em representação da imprensa diária, Manuel Ribeiro, director do Jornal "Sopa dos Pobres de Ermesinde" e esposa, Padre Azevedo, representando o Colégio de Ermesinde, Manuel Fernandes dos Santos, Presidente da Casa do Povo, Madre Superiora do Colégio Missionário de Ermesinde, Eduardo Reis Figueira, Presidente da Comissão Mu-nicipal de Assistência e António Figueiredo de Almeida, vereador da Câmara.

    Aberta a sessão, procedeu-se à bênção da nova bandeira, acto a que presidiu o Rev.° abade de Ermezinde e o qual foi apadrinhado pelo snr. Major Aires Martins e esposa. Trata-se de uma linda bandeira bordada oferecida àquela instituição de beneficência pelo grupo Excurcionista e Beneficente. "Nisto há Sinceridade", tendo seguidamente usado da palavra o Snr. António Reis Júnior, pelo Grupo ofertante e devotado colaborador da obra benemérita de Ermesinde, António Moreira da Silva, Presidente da "Sopa dos Pobres", Major Aires Martins, Feliciano Cruz e por fim o snr. Presidente da Câmara que, como os demais oradores, se referiu à obra inconfundível que aquela instituição está a levar a efeito em prol dos desprotegidos da sorte, e que tanta simpatia está a merecer de toda a população ermesindense.

    Deu-se depois início a um interessante sarau folclórico que vinha sendo aguardado com o maior interesse, sob orientação de snr. Alberto Delgado e no qual colaboraram o conjunto musical "Maria Albertina", de Ermesinde" e os grupos folclóricos "Fonti-neiros da Maia", "Andorinha de Alfena" e "Padeirinhas de Valongo" a cujos ranchos um júri atribuiu os prémios seguintes, respectivamente: Taça Major Aires Martins, Medalha em prata e Medalha em bronze. Em todos os estandartes presentes foram apostos artísticos laços pelas individualidades que formavam a mesa de honra".

    12 DE ABRIL DE 1959. O CONJUNTO ERMESINDENSE "MARIA ALBERTINA" FOI UM DOS GRUPOS QUE ANIMOU A FESTA DA BANDEIRA, AO MICROFONE A VOCALISTA FERNANDA GONÇALVES
    12 DE ABRIL DE 1959. O CONJUNTO ERMESINDENSE "MARIA ALBERTINA" FOI UM DOS GRUPOS QUE ANIMOU A FESTA DA BANDEIRA, AO MICROFONE A VOCALISTA FERNANDA GONÇALVES
    Outro colaborador, Aurélio de Sousa Ribeiro, escreve também sobre este acontecimento festivo, sob o título "Palavras dum colaborador":

    "Tarde cinzenta, opaca, um pouco agreste a querer tirar o brilho ao grandioso espectáculo daquele Domingo!...

    No entanto aqueles trez elementos desfavoráveis perdiam aquelas características que os tornam normalmente incomodos perante tanta grandeza de amor ao nosso próximo.

    Ermesinde regorgitava de gente, uma multidão heterogenea multicor e ruidosa espraiava-se desde todas as ruas circunvisinhas ao cimo dos sinos da torre da nossa igreja, no cume das árvores e nos muros e campos circunvizinhos.

    Todos procuravam indiferentes ao cinzento da tarde, absolver a maior quantidade possível de sensações novas, regalando os sentidos por aquele mostruário colossal de beleza e côr. O encanto paisajistico do lugar, mostrando a estrada nacional da Gandra e ao longe Ardegãis e mais algumas terras Maiatas, a alegria ao folclor o entusiasmo da boa gente de Ermesinde que se manifestava por todas as ruas, tudo contribuía para emprestar uma animação e uma atmosfera de festas verdadeiramente rara. Assistência das pessoas mais representativas do Concelho, autoridades civis, militares e eclesiásticas deram ao acto uma nota de verdadeira ternura e grandeza com a certeza de que estão de alma e coração com da Sopa dos Pobres.

    Afirmações sinceras de sua Ex.ª o Presidente da Câmara deram a certeza ao povo desta Vila que Sua Ex.a está connosco. Vibrante entusiasmo de boa vós, bem timbrada, de improviso assombroso, Sua Ex.a o Snr. Major Aires Martins disse-se admirado do espectáculo que a seus olhos foi dado ver de tanta magnitude de tanta certeza, pela esmagadora maioria do povo de Ermesinde presente nessa festa que era o significado eloquente de que o povo está com a Direcção da Sopa dos Pobres prometendo também trabalhar em pról da mesma.

    Perplexo diante do maravilhoso espectáculo ectonográfico que se lhe deparava em múltiplas facetas o bom povo de Ermesinde deixava-se inconscientemente imbuir de euforia geral, a policromia o bulício daquela gente toda, e a religiosidade da cerimónia da Sessão Solene.

    Integrado sempre naquela multidão alegre e barulhenta esquecendo o vento, os encontrões, toma lugar nas cadeiras que se estendem no largo da Igreja.

    Momento Solene!... Vai proceder-se à Benção da Bandeira!... O microfone clama em alto som a presença no tablado dos padrinhos da mesma!... Ex.mo Snr. Major Aires Martins e Sua Ex.ma Esposa. Depois chama pelo Reverendo Pároco!... Tudo a postos. O Sacerdote recita as palavras da praxe as máquinas fotográficas disparam, o povo aplaude freneticamente, as palavras ressoam nos ares, e viam-se os olhos de António Moreira marejados de lágrimas.

    Não admira foi o dia da sua consagração, o povo de Ermesinde premiava com a sua presença num espectáculo multicor a sua veneração com os homens da Sopa dos Pobres. Procede-se depois à condecoração das bandeiras presentes.

    Lindas fitas de sêda com letras a ouro ficam a atestar pelo tempo fora este dia magnífico de solidariedade humana como que a dizer que a Vila de Ermesinde é possuidora de corações diamantinos".

    (continua)

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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