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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 14-10-2013

    SECÇÃO: Desporto


    ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA DIREÇÃO, PAULO SOUSA, E COM A COORDENADORA DA SECÇÃO, MARIA EMÍLIA FERNANDES

    CPN ressuscita ténis de mesa em homenagem à lenda viva do clube Álvaro Mendes

    Dezenas de títulos nacionais, aos quais se juntam centenas de cetros regionais, alcançados por inúmeros campeões, breves palavras que caberiam num cartão de visita para apresentar o passado de uma das modalidades mais emblemáticas da história do CPN, o ténis de mesa. Estatuto alcançado graças aos atributos de uma figura que apesar de já desaparecida do mundo terrestre continua a ser uma lenda viva do clube ermesindense, do clube que ele próprio ajudou outrora a catapultar para o topo do desporto nacional e internacional através desta modalidade. O seu nome é Álvaro Mendes, e é em sua homenagem que o CPN reativa – após 17 anos de ausência – o ténis de mesa, com a criação da Academia Álvaro Mendes.

    Numa curta conversa com o mentor deste projeto de formação, o presidente da Direção cepeenista, Paulo Sousa, e com a coordenadora da regressada secção, a ex-mesatenista do clube Maria Emília Fernandes, o nosso jornal testemunhou de perto a ambição do CPN em querer regressar ao passado com os olhos postos no futuro.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    «Álvaro Jorge Ferreira Mendes é o paradigma do desportista na mais elevada acepção: exemplo de dedicação à causa eclética e do seu clube de sempre – o nosso Clube de Propagada da Natação – que ele considera como a sua segunda família, onde ingressou na década de 40. Álvaro Mendes vive e sente, como poucos, a vida do clube, rejubilando sempre com as suas glórias e sofrendo, por vezes, com os seus infortúnios. Sempre pronto a servi-lo, quer como praticante, quer como dirigente ou técnico, sempre intransigentemente amador, com maior entusiasmo, elevado aprumo e dignidade». Este é um pequeno excerto do texto publicado no livro “CPN: 50 anos de História” (da autoria de José Manuel Pereira) que traça a biografia daquela que é considerada uma das maiores figuras da vida do emblema ermesindense. Álvaro Mendes, que deixou o mundo terrestre há precisamente três anos, é hoje uma lenda viva do CPN. Recordado sempre com carinho e emoção pela grande família cepeenista, que não esquece a sua ímpar dedicação e amor dado ao clube, e sobretudo não esquece que foi graças à sua mestria na arte de formar atletas – e cidadãos, há que sublinhá-lo – que o CPN viveu momentos de glória numa modalidade que se encontrava extinta há 17 anos e que agora regressa com a ambição não só de resgatar esse glorioso passado como também como forma de homenagear o popular Mendes.

    O regresso do ténis de mesa ao quotidiano cepeenista é igualmente uma promessa agora cumprida pelo atual presidente da Direção, Paulo Sousa, ao próprio Álvaro Mendes, conforme o dirigente começou por recordar. «Fiz--lhe esta promessa ainda em vida, e lembro-me que no início ele não deu muito crédito à ideia, dizendo que a modalidade tinha acabado no clube, e que nunca mais ninguém se interessou por ela. Mas nos últimos dias de vida dele eu fiz-lhe uma visita e reforcei a ideia de reativar o ténis de mesa no CPN. Pedi-lhe alguns conselhos, e ele já com uma voz trémula, que quase não se percebia, pois já estava muito doente, lá me disse: só miudinhos, só pequeninos, pois esses vão ser os craques do amanhã, como eu fiz no passado. São esses que quando crescerem vão disputar os jogos por amor à camisola», relembra com emoção Paulo Sousa, que sublinha que nesse dia Álvaro Mendes começou a acreditar que o regresso da modalidade ao clube ia ser uma realidade. «Nunca mais me esqueço das últimas palavras dele nesse dia, ao confessar-me, com um brilho nos olhos, que gostava de ter saúde para me ajudar a levar avante o projeto», recorda ainda o dirigente que tem em Álvaro Mendes uma referência desde os tempos de menino.

    PASSADO GLORIOSO

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    Felicidade é pois o sentimento que invade neste momento Paulo Sousa, felicidade por ter cumprido a promessa de tornar um sonho chamado Academia Álvaro Mendes em realidade. Sonho este hoje real também muito por influência de outra figura do passado do ténis de mesa do CPN, mais concretamente Maria Emília Fernandes, curiosamente prima de Álvaro Mendes, antiga jogadora do clube que Paulo Sousa não teve dúvidas em ser a pessoa ideal para o ajudar a dar vida a este projeto. Emocionada ao recordar o primo, a ex-atleta regressa agora a uma casa que deixou há 40 anos (!), e onde viveu momentos inesquecíveis na sequência da obtenção de inúmeros títulos nacionais e regionais de uma modalidade que a par da natação nasceu com o CPN na década de 40 do século passado, como faz questão de recordar.

    Maria Emília Fernandes iniciou-se no ténis de mesa pela mão de outro impulsionador da modalidade dentro do clube, Álvaro Jaime, o seu pai, que a par do outro Álvaro, o Mendes, reativou na década de 60 o ténis de mesa no seio do CPN após uma temporada de paragem. Foi um período dourado, de títulos e mais títulos, nacionais e regionais, conquistados por meninas lendárias como própria Maria Emília Fernandes, a sua irmã Ludovina Fernandes, ou Laurinda Leite.

    E quando se fala no passado glorioso de uma modalidade que ajudou a colocar o CPN no mapa do desporto nacional, e internacional, não podiam faltar os nomes de lendas como Diamantino Pinto, Elmano Monteiro, Vítor Pina, Rui Jorge, ou José Carvalho, ídolos na década de 80, os quais ajudaram, e de que maneira, a enriquecer as vitrinas cepeenistas. «O CPN já disputou uma Taça dos Campeões Europeus em ténis de mesa!», lembra com orgulho Paulo Sousa, que em menino se recorda da antiga sede do clube repleta de entusiastas adeptos ansiosos por assistir aos escaldantes duelos com o Benfica ou o Sporting.

    Ícones da modalidade que o CPN pretende agora resgatar para ensinar os futuros atletas da Academia Álvaro Mendes. «Queremos que a filosofia da formação seja a mesma que durante anos foi ministrada pelo Álvaro Mendes, e para isso ninguém melhor do que aqueles que cresceram com ele para o fazer, casos do Diamantino, do Pina, do Elmano, entre outros. Neste momento estamos a falar com eles no sentido de os trazer para este projeto, embora saibamos que não é fácil, pois todos eles têm a sua vida pessoal e profissional. Mas, como disse, estamos a conversar ainda», informa Paulo Sousa.

    A apresentação oficial, por assim dizer, da Academia Álvaro Mendes foi feita no passado dia 14 de setembro, no auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde, com a pompa e circunstância que a figura do homenageado merece.

    FORMAÇÃO,

    FORMAÇÃO,

    E FORMAÇÃO

    Seguindo as últimas palavras de Álvaro Mendes a ressuscitada secção de ténis de mesa do CPN irá estar completamente virada para a formação. Apenas e só. A fórmula do sucesso do passado que agora se pretende voltar a usar. «A nossa academia funcionará com crianças, com idades compreendidas entre os 5 e os 11 anos. Só», frisa Maria Emília Fernandes que ultima a preparação de cartazes para colocar nas escolas, colégios, e alguns cafés locais para cativar os mais novos a aderirem ao projeto. Como tal, e para já, ainda não há vida na Academia Álvaro Mendes, mas a coordenadora da secção não tem dúvidas de que assim que a palavra esteja espalhada a adesão vai ser enorme. «Temos um potencial imenso nas escolas, até porque em Ermesinde a modalidade não existe. Só temos de receio de não ter capacidade para dar resposta às solicitações, isto porque queremos arrancar com um máximo de 20 miúdos», sublinha a ex-mesatenista.

    Contactos foram já mantidos com a Associação de Ténis de Mesa do Porto (ATMP), entidade que assim que soube do regresso do CPN à modalidade prontamente se colocou à disposição do clube para dar total apoio ao projeto. Paulo Sousa recorda que a notícia deste regresso deixou a entidade associativa muito feliz, já que se trata do ressuscitar de um gigante do ténis de mesa nacional, de um clube que outrora foi considerado como o melhor em Portugal no âmbito desta modalidade. O apoio da ATMP passa no imediato pela colocação de mais três mesas nas instalações do clube (que entretanto já adquiriu outras tantas), e ao nível do auxílio técnico, ou seja, nos primeiros meses de funcionamento da academia os treinadores da associação vão ministrar os treinos de forma a dotar os jovens atletas de conhecimentos técnicos e táticos, digamos assim, atuais. Esta será aliás uma época de clara iniciação, apenas de aprendizagem, estando o regresso à competição previsto apenas para a próxima temporada.

    PESO DA

    RESPONSABILIDADE

    É ENORME

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    O nome de Álvaro Mendes só por si é sinónimo de sucesso e prestígio, pelo que a fasquia em levar avante este projeto é bem elevada. «O nome de Álvaro Mendes é muito grande. É uma grande responsabilidade para o CPN arrancar com um projeto em que o nome dele está associado, mas ao mesmo tempo significa que esta escola tem tudo para ser uma referência no ténis de mesa nacional», projeta o presidente da Direção cepeenista.

    Regressar ao passado com os olhos postos no futuro parece ser pois o lema da renascida secção de ténis de mesa. E um regresso ao passado foi o que recentemente fizeram alguns mesatenistas lendários do CPN, entre outros a própria Maria Emília Fernandes, e a sua irmã, Ludovina Fernandes, que após um alegre almoço na sede do clube – alguns já não o visitavam há décadas! – foram bater umas bolas para as novíssimas mesas de competição. «Foi um momento muito engraçado. Recordámos os nosso tempos de jovens, de atletas ao serviço deste clube, e foi curioso ver que alguns desses antigos jogadores(as) ainda não perderam o jeito. A minha irmã, por exemplo, continua com uma (mão) esquerda formidável! É caso para dizer que quem sabe não esquece», sublinha com espanto a coordenadora da secção.

    Aliás, e já que falamos em passado, com o regresso do ténis de mesa o CPN pretende resgatar o velho hábito que os ermesindenses tinham na antiga sede do clube, ou seja, de aos fins de semana alugarem as mesas por uma hora – ou mais – para bater umas bolas entre amigos. «Queremos que as pessoas voltem a trazer essa dinâmica ao clube, e as mesas vão estar ao serviço da população que as queira utilizar para bater umas bolas. Até para trazer alguma rentabilidade ao clube», frisa o presidente.

    Dúvidas parecem não existir quanto ao sucesso da Academia Álvaro Mendes por parte dos nossos interlocutores. «Esperamos ter casa cheia, com movimento, e assim fazer jus ao nome de Álvaro Mendes. Como já disse é uma grande responsabilidade, porque o nome dele está lá no topo. Ele continua a ser uma referência, e uma grande recordação para todos, e as recordações não morrem, pois cabe-nos a nós mantê-las vivas. E sem dúvida que ele merece esta homenagem», sublinha Paulo Sousa, enquanto Maria Emília Fernandes vai dizendo emocionada que foi pelos dois “Álvaros”, o Mendes e o Jaime, que não teve dúvidas em aceitar o convite feito pelo presidente do CPN para coordenar a secção.

    A terminar esta curta conversa Paulo Sousa quis deixar claro que o renascimento da modalidade no seio do clube não significa que este “nade em dinheiro”, muito pelo contrário. O CPN continua a viver momentos de aperto financeiro, e com muito rigor e sacrifício vai cumprindo os acordos de pagamentos de dívidas à EDP, à Segurança Social, ou aos antigos funcionários e professores. Aliás, é a ex-funcionários e a ex-professores que Paulo Sousa faz um agradecimento público, pela tolerância que estes têm tido muitas vezes tido para com o clube, o qual não podendo pagar “hoje” as dívidas para com eles paga “amanhã”.

    «Não quero que as pessoas pensem que pelo facto de o clube estar a criar uma nova secção tenha mais dinheiro, nada disso. Reativamos o ténis de mesa porque queríamos homenagear o Álvaro Mendes.

    Mas é bom que se diga que à semelhança das outras secções também esta vai ter de ser autónoma, de viver das mensalidades pagas pelos atletas e dos patrocínios que vier a angariar. Pois todo o dinheiro que o CPN (clube) recebe é para pagar a quem deve, e estamos a fazê-lo neste momento. E nesse ponto os ex-funcionários e ex-treinadores têm sido de uma compreensão fantástica, ao facilitarem-nos o pagamento das dívidas que temos para com eles. Se eles hoje quisessem reclamar o pagamento na íntegra dessas dívidas o CPN fechava as suas portas. Por isso, o nosso muito obrigado a eles por nos ajudarem a manter o clube aberto», finaliza o presidente da Direção propagandista.

    Por: Miguel Barros

     

     

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