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    Arquivo: Edição de 30-04-2013

    SECÇÃO: Destaque


    COMEMORAÇÕES DO 39º ANIVERSÁRIO DO "25 DE ABRIL" EM ERMESINDE

    Sessão política comemorativa do 25 de Abril na Junta de Freguesia de Ermesinde

    Fotos LC
    Fotos LC
    Decorreu, aliás como já vem sendo habitual, no Auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde, na manhã do dia 25 de abril, a comemoração da histórica data da Revolução dos Cravos.

    À tarde teve lugar a Corrida Juvenil comemorativa.

    Na sessão da manhã intervieram representantes de todos os partidos com assento na Assembleia de Freguesia de Ermesinde, o presidente da Junta e o presidente da Assembleia de Freguesia de Ermesinde. A nota mais comum nestas intervenções foi o lamento da situação presente e o consequente incumprimento de Abril.

    O primeiro a usar da palavra foi Adelino Soares, da CDU, que denunciou as tentativas malabaristas de destruição da Constituição e a alternativa vazia do “ora agora mandas tu, ora agora mando eu” entre o PSD e o PS, denunciou «os mesmos problemas da exploração».

    E continuou: «Mas fica o povo. Os trabalhadores, a população e muitos de nós aqui presentes que encaramos a nossa atividade solidária e militante na defesa das populações com o assumir de muitos problemas que se colocam no dia a dia. Num tempo em que aumentam as dificuldades dos trabalhadores e do povo em geral. Com níveis de desemprego cada dia mais preocupante pelos dramas individuais e familiares que provocam e que nos empurram a caminho de uma cada vez maior pobreza.

    Ficamos muitos de nós, que vamos fazendo o Poder Local (...) a aguentar diretamente todos as dificuldades criadas por estas políticas de destruição dos nobres objetivos do 25 de Abril de 1974.

    Seguiu-se-lhe João Arcângelo, da Coragem de Mudar, que com uma intervenção igualmente muito crítica sublinhou que «comemorar Abril não pode ser um ato circunstancial». O representante da força política independente apontou ainda que hoje não há vergonha quando os jovens são obrigados a emigrar.Denunciou também que se vive hoje num país «supostamente livre, democrático e soberano», «sem rumo, sem esperança e sem dignidade», em que «cada vez são menos os que podem comemorar Abril».

    A letra D, apontou ainda, já não é de “democracia”, mas de “derrota” e “derrocada”.

    E considerou ainda muito cáustico, que vivemos num «país onde o povo geme e já não grita, barafusta mas nada faz».

    Desejou, por fim, que nas próximas Autáqrquicas, o voto sirva para um momento de reflexão cívica.

    Também Tavares Queijo, do Partido Socialista, se não afastou deste registo muito crítico, que iniciou, aliás com uma referência aos “vampiros” de Zeca Afonso.

    Apontou depois a marca do PS em muitas das conquistas de Abril – o Sistema Nacional de Saúde, o parque escolar (aproveitando aqui para denunciar a atual situação da Escola Secundária de Ermesinde – que mais parece uma escola do 3º Mundo.

    «Passados 39 anos dizem-nos que são os troikos que nos deixam uns trocos», gracejou, mas apontou que quando a Troika manda baixar os preços da energia, por exemplo, o Governo não o faz.

    E traçou depois um quadro geral da degradação social que está em marcha, referindo por exemplo que «os idosos não compram medicamentos, as crianças vão para a escola sem pequeno almoço», apelando por fim a um outro Abril, não pela força das armas, mas ainda «contra o capitalismo selvagem, a quem só interessam os números».

    Luís Vasques, do PSD foi o orador seguinte, bem menos cáustico que todos os anteriores. Preferindo apontar para a realidade local em vez de uma realidade nacional, como as vozes anteriores, e citando de novo John Kennedy, tal como no ano passado, apelou a que «não perguntem o que Ermesinde pode fazer por nós, mas sim o que é que podemos fazer por Ermesinde?». E foi apontando neste patamar mais micro, as conquistas dos últimos três anos, em que «os interesses gerais se sobrepuseram a qualquer interesse particular».

    Luís Vasques defendeu ainda «uma sociedade civil livre mas mais ativa» e «uma cultura de responsabilidade». E advogando uma posição bem mais próxima da linha do Governo, ao contrário dos oradores anteriores, apontou que «O Estado tem de ser sustentável – tem que se mudar tudo o que possa ser um entrave. É necessário libertarmo-nos de estigmas e ortodoxias. Sim ao carácter ao método, à inovação».

    E defendeu depois a gestão social-democrata em Ermesinde: «O PSD está concentrado em Ermesinde no que é essencial, adiando projetos que consumiriam recursos». E terminou afirmando que, em Ermesinde, «os ideais políticos reformistas tiveram êxito, conseguido o consenso» [numa referência ao que tem sido a posição do PS local]. «O lema foi cumprido: A Vitória de todos!».

    Foi então a vez do presidente da Junta de Freguesia, Luís Ramalho, afirmar que «continuamos à procura da forma de podermos ser livres». E referiu alguns dos limites dessa liberdade, as cadeias de supermercados, a publicidade enganosa, a televisão.

    E retomando uma ideia já expressa por Luís Vasques, apontou que Abril é liberdade e responsabilidade.

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    Criticou depois os críticos que não votam.

    E a partir de um pequeno cravo feito na escola pelo seu próprio filho, considerou que o Estado do País era como aquele cravo, «preso por arames e frágil como o papel de celofane». Mas terminou com uma palavra positiva: «Abril é esperança e renovação de votos».

    O último orador foi o presidente da Assembleia de Freguesia de Ermesinde, Raul Santos.

    Começando por lembrar que este era o último 25 de Abril deste mandato, recordou, ao contrário do presidente da Junta, muito mais jovem, a sua vivência da data histórica do 25 de Abril, a concentração das pessoas na Rua do Heroismo, a libertação dos presos políticos, a caça aos pides, alguns tiros ainda disparados pela polícia afeta ao regime, felizmente sem consequências.

    Referiu depois o surgimento do Portugal democrático, «o sonhar constante» e também «a democracia que virou anarquia, culpa da quantidade de grupos partidários que se formaram». Para, a seguir, e referindo-se aos dias de hoje, os qualificar como o «período mais negro da história dos Portugueses desde que foi instalada a democracia». E exemplificou, entre outros com estes dados: «Os jovens, hoje mais habilitados para o mercado de trabalho, são convidados a emigrar» e os que não saem não têm outro remédio senão sobrecarregar a reforma dos pais. É uma «autêntica tragédia, sem fim à vista, fruto de uma crise europeia (...), mas «principalmente pelas políticas de austeridade que nos impuseram».

    No final, o presidente da Junta anunciou o restante programa da comemoração.

    Por: LC

     

     

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