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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 30-04-2013

    SECÇÃO: Destaque


    GRANDE ENTREVISTA

    Adriano Ribeiro: esperamos eleger um vereador e que o eleitorado castigue bem o PSD em Sobrado

    Apresentado recentemente como o cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal de Valongo nas próximas Autárquicas, Adriano Ribeiro, operário metalúrgico reformado, começou a sua militância política no MDP/CDE após o 25 de Abril, tendo participado ativamente no movimento das Comissões de Moradores. Aderiu ao PCP em contraciclo, no 25 de Novembro. É atualmente deputado municipal.

    E espera ser eleito vereador em outubro.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    “A Voz de Ermesinde” (AVE) - Quem é o Adriano Ribeiro?

    Adriano Ribeiro (AR) - Eu sou natural de Campo, operário metalúrgico, ativista do PCP e da CDU desde os tempos da Aliança Povo Unido, tenho sido eleito na Assembleia de Freguesia de Campo, na Assembleia Municipal por mais do que uma vez, e também já desempenhei o papel de vereador da Câmara Municipal de Valongo. Atualmente exerço o papel de membro da Assembleia Municipal.

    AVE - Como é que se tornou membro do PCP? Com que idade e como foi esse processo? Já tinha antes simpatias pelo comunismo?

    AR – O partido que me conquistou após o 25 de Abril foi o MDP/CDE. Havia pouca prática e eu era jovem e tinha poucos conhecimentos políticos. No entanto, com o 25 de Abril, houve este desabrochar de movimentos e opiniões, e o MDP/CDE, tendo em conta as pessoas que a ele se ligavam e que vinham também de antes do 25 de Abril foi o primeiro partido a conquistar a minha simpatia. Mas após a evolução dos acontecimentos, naturalmente, fui-me apercebendo de algumas afinidades, e de um bom entendimento entre o Partido Comunista e o MDP/CDE, que me levaram a perceber, com a minha atividade, que o partido mais coerente e que apresentava melhores propostas e lutava pela defesa dos meus interesses era o Partido Comunista. E deu-se aí a minha adesão, numa altura um pouco complicada, pois aderi ao PCP por volta do 25 de Novembro. Era uma altura muito pouco propícia para os partidos de esquerda, mas também é nas horas difíceis que a gente tem de se definir.

    AVE – Como surge a sua atividade enquanto elemento do movimento associativo? É posterior a essa atividade militante ou já antes estava ligado a ele?

    AR – Um dos primeiros movimentos que me conquistou foi o das comissões de moradores. Na minha freguesia faltava tudo, as infraestruturas eram muito más. Do rio Ferreira para lá as vias eram praticamente intransitáveis, um autocarro não podia circular, eram só carreiros e quelhas. E com a criação das comissões de moradores e a participação popular, a freguesia de Campo desenvolveu-se muito e aquilo que eram então autênticos labirintos hoje são avenidas, como a Avenida 1º de Maio, a Rua 25 de Abril, onde circulam os transportes públicos, que ajudam a resolver os problemas de transporte daquela gente. Tal como os problemas da falta de água canalizada. Era uma luta por melhores condições de vida, em que os comunistas tiveram um papel importante e ainda hoje são lembrados por esse feito.

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    AVE – A freguesia de Campo sempre tem sido, no concelho, a freguesia que vota mais à esquerda, com uma componente sociológica que, se calhar, explica um bocadinho isso. Em seu entender o que é que sobretudo explica uma posição marcadamente à esquerda no concelho?

    AR – Esse movimento de que falei tem uma influência muito grande e o próprio Partido soube aproveitar os seus elementos mais destacados na freguesia e transmitir a sua mensagem. É inegável que a freguesia com maiores carências era a freguesia de Campo, onde havia muita miséria e era necessário dar combate a isso. O Partido Comunista esteve sempre na dianteira, com coerência, na luta por melhores dias para aquela gente, e isso acabou também por se traduzir nos resultados eleitorais.

    AVE – E agora, com esta lei da fusão das freguesias que vai levar à fusão de Sobrado e Campo, pelo menos no próximo ato eleitoral, o que é que se espera desta embrulhada que é a fusão das freguesias?

    AR – Aquilo que nós esperamos – e por nós falamos – é que nestas duas freguesias, aquelas onde se faz sentir o problema, e muito mais em Sobrado, tendo em conta que a própria lei define, para já, provisoriamente que a sede da fusão das freguesias de Campo e Sobrado seja instalada em Campo, é que as pessoas de Sobrado, que na sua maioria têm dado o seu voto ao partido do Governo, o qual destruiu a sua freguesia, reconheçam que o PCP tem, de uma forma coerente, quer nas Autarquias Locais quer na Assembleia da República, desempenhado um papel na luta pela não concretização desta medida, que prejudica, no meu entender mais a freguesia de Sobrado do que a freguesia de Campo. No entanto, a própria retirada da identidade à freguesia de Campo, com a sua extinção, é também um golpe contra o qual lutamos. Eu creio que uma das grandes possibilidades de haver uma reviravolta era a queda deste Governo. Àqueles que pensam que não há nada a fazer nós respondemos que há muito a fazer, e que o Partido Socialista tem uma palavra importante a dizer.

    AVE - Espera que o Partido Socialista, confrontado com a possibilidade de alterar a lei, o faça?

    AR – Aquilo que gostávamos de ouvir era o Partido Socialista dizer que, se porventura nas próximas eleições as viesse a ganhar, o que nós admitimos, faria voltar isto à estaca zero, anulando esta lei – o que é mais fácil do que a pôr em prática. Mas nós não ouvimos o Partido Socialista a dizer isto. Se houver eleições no curto prazo, uma das medidas que iremos apresentar na Assembleia da República será uma proposta de revogação desta lei. E nós esperamos que as pessoas de Sobrado percebam que não podem contar com quem destrói a sua freguesia. Têm de nos dar força para podermos melhor combater esta questão.

    AVE – Se o Governo não cair antes, pensa que o resultado das Autárquicas pode eventualmente precipitar uma queda do Governo?

    AR – Espero bem que sim, porque este Governo não está a fazer esta política por engano, é coerente com aquilo que faz. Embora localmente as suas organizações tentem provar o contrário, na prática este é um rumo que o PSD e o CDS escolheram. Por isso esperamos que o resultado das Autárquicas contribua para reverter este caminho e mostre, pelo menos, um cartão amarelo ao Governo, para que este perceba que este rumo não está certo.

    AVE – Duas questões distintas: quais são as expetativas da CDU nestas Autárquicas e, realisticamente, quem pensa que vai conseguir conservar ou tomar a liderança da Câmara?

    AR – Neste momento quem tem os cordelinhos e o aparelho na mão é o PSD, agora desfasado do CDS, porque tudo indica que não concorrerão coligados. E por isso vai utilizar todos os meios ao seu dispor no sentido de ganhar a Câmara. Está numa posição de vantagem dados os apoios financeiros que tem. O Partido Socialista também, tradicionalmente, tem tido um bom apoio por parte da população de Valongo e é um dos dois partidos melhor colocados. No entanto fazemos depender o resultado da vontade da população e esperamos que ela perceba que o caminho traçado pela coligação PSD/CDS ao longo destes 20 anos deu no que deu! E também de certa forma isso foi facilitado pelo Partido Socialista, que lhe estendeu o tapete em muitas ocasiões. Pensamos que o PSD não merece continuar ganhar a Câmara e o PS, pelo que tem feito na oposição, também não é merecedor. Por isso nós fazemos um apelo para que as pessoas reconheçam que a CDU deve estar representada na Câmara, naturalmente a uma distância considerável, com mais dificuldades, mas que deve dar uma oportunidade à CDU.

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    AVE – Considera possível a CDU, claramente – isso tem sido afirmado – eleger um vereador. E quanto à Assembleia Municipal?

    AR – O nosso grande objetivo é eleger um vereador, e quanto à Assembleia Municipal o nosso objetivo é reforçar a representação, porque é muito difícil a intervenção de um elemento isolado – no que não somos caso único – entre trinta e dois deputados municipais. No caso de aumentarmos a representação na Assembleia Municipal, o objetivo não é aliviar o trabalho de um ou do outro, mas o de reforçá-lo e abordá-lo com mais profundidade, o que com uma só voz não é possível.

    AVE – O que tem a dizer sobre esta gestão camarária?

    AR – A atual gestão camarária vem na senda do percurso iniciado com a vinda de Fernando Melo para Valongo. Não se trata de uma governação unipessoal, mas da governação de um partido, que traçou este caminho, que infelizmente – em nosso entender – conseguiu algumas maiorias absolutas que lhe permitiram continuar desabridamente, sobretudo em anos de eleições, a levar o concelho a uma situação financeira catastrófica da qual dificilmente agora nos vamos ver livres. Quando se diz que há uma alteração nos últimos tempos, nós consideramos que apenas houve uma alteração fruto da perda da maioria absoluta e portanto, o PSD foi obrigado a pôr um travão.

    Depois, independentemente do estilo, João Paulo Baltazar foi vicepresidente de Fernando Melo, foi membro da Assembleia Municipal e assessor de Fernando Melo, e portanto está ligado à Direção do PSD no concelho e a esta política traçada ao longo dos últimos anos, que não se trata de obra do acaso ou fruto da ação de uma pessoa isolada.

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    AVE – Quais são as principais críticas que a CDU tem a apresentar?

    AR – Nós temos muitas críticas a fazer, naturalmente. Pensamos que a concessão dos SMAES, a entrega dos serviços de limpeza e a concessão dos parquímetros se mostraram ruinosas, prejudiciais ao concelho, e é necessário reverter esse caminho.

    Foram feitos investimentos megalómanos nunca justificados, estou a lembrar-me da Biblioteca, sobre a qual tenho grandes dúvidas da sua utilidade presente. É necessária uma biblioteca, mas não atirada para o sítio que foi. Muito provavelmente será mais um serviço a encerrar.

    Consideramos o PSD como um partido bipolar, ou vítima dessa doença, é capaz de fazer tudo, de se meter em grandes aventuras, e depois, a seguir, começa a encerrar piscinas, bibliotecas, serviços essenciais para o concelho. É um partido com comportamentos desequilibrados.

    AVE – Fale-me de algumas propostas que a CDU tem para apresentar.

    AR – Se nós tivermos representante na Câmara, uma das nossas principais propostas será iniciarmos o caminho de reversão desses serviços para a tutela do município. Ainda há bem pouco tempo foi publicado um estudo feito por uma empresa da especialidade no âmbito do Plano de Saneamento Financeiro entretanto abortado, que reconhecia algumas asneiras que foram feitas e a possibilidade que há de renegociar a concessão. Por exemplo nos SMAES, a utilização de instalações municipais pela entidade a quem o serviço foi concessionado, não trazia nenhum benefício para a Câmara. Nós sabemos que não podemos chegar lá e rasgar tudo, há compromissos assumidos a respeitar, mas devemos explorar a possibilidade de iniciar a reversão desses serviços para a tutela do concelho. Naturalmente que com uma gestão melhor isso permitiria dar apoio ao associativismo, pois em nosso entender, a gestão atual, mais nuns casos do que noutros, está a trazer malefícios às associações pela falta de atenção e disponibilidade financeira da Câmara, uma vez que se meteu num buraco de que agora tem dificuldade em sair. Com uma gestão melhor deveríamos dar atenção a outras frentes que têm sido abandonadas.

    AVE – Tem esperanças de que a revisão do PDM possa trazer um ordenamento do território mais harmonioso e consentâneo com o que são as aspirações e interesses do povo do concelho?

    AR – Nós temos acompanhado os trabalhos da revisão, e vão sendo dados alguns esclarecimentos sobre a evolução da revisão, e estamos confiantes em que o PDM irá clarificar melhor a situação no concelho. Pelas informações de que dispomos, creio que o PDM pode ser uma mais-valia para o concelho, a sua conclusão é que está atirada eternamente para as calendas. Já vem sendo anunciada a sua conclusão desde 2000 ou 2001, é todos os anos assim! Temos grandes reservas em que o PDM seja concluído ainda neste mandato.

    AVE – Já está a trabalhar para construir a candidatura e lista de candidatos? Há alguma coisa mais que possa ser anunciada, por exemplo às freguesias, não às cinco mas às quatro, à Câmara e Assembleia Municipal?

    AR – Estamos a trabalhar nisso. São processos diferentes, mas as candidaturas à Câmara e Assembleia Municipal envolvem elementos das freguesias e, por isso, estamos a trabalhar em paralelo. E pensamos apresentar publicamente as listas completas à Câmara e à Assembleia Municipal e às freguesias durante o mês de junho.

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    AVE – Que critérios é que vão presidir a essas candidaturas, o que é que se privilegia? Que as pessoas tenham trabalho associativo, que sejam reconhecidas pela comunidade, que tenham uma ligação de ideias ao PCP? E o que é que o PCP considera que é importante fazer na CDU relativamente a pessoas vindas de outras áreas de ideias?

    AR – Eu penso que colocou bem o leque de questões que nós privilegiamos quando contactamos os nossos candidatos. Tem que ser gente ligada aos problemas da população, gente com conhecimentos, gente dedicada à causa pública e naturalmente gente que esteja disponível, porque há muita gente que conhece as questões mas não está disponível. A nossa batalha é no sentido de ir à procura dessas pessoas, para que, dentro daquele espírito que possuímos e preside à nossa intervenção progressista, encontremos pessoas dedicadas à causa pública e que estejam naturalmente em coerência com os princípios que defende o PCP. E encaramos isto com uma grande abertura – gente que muitas das vezes não tem ligações partidárias mas nas quais reconhecemos um grande valor. Muitas vezes conseguimos convencer as pessoas, outras não. Esta está a ser uma batalha que já estamos a desenvolver.

    AVE – Do ponto de vista da História daquilo que têm sido as candidaturas da CDU há algumas más experiências no passado recente – lembremos, por exemplo, a pessoa que foi presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Valongo, Sofia de Freitas – e que depois fez o percurso que se conhece, lembremos até, em certa medida, por exemplo o candidato à presidência da Câmara anterior, Serafim Vieira. Esses perigos que decorrem da abertura das listas foram ponderados?

    AR – Nós não temos uma visão estática sobre o que as pessoas foram. Naturalmente que analisamos e há pessoas que, pelo seu empenho no setor em que estão inseridas, nos oferecem alguma confiança que, às vezes, não se confirma, como por exemplo no caso concreto da referida candidatura à Assembleia Municipal. No entanto, com Serafim Vieira a situação é diferente. Ele era um homem dos movimentos católicos em quem a gente apostou, um sindicalista, alguém ligado ao movimento dos trabalhadores. Não foi um tiro no escuro. Às vezes as coisas não correm como a gente espera. Mas isto também prova que damos oportunidades às pessoas e é com elas que a gente trabalha.

    AVE – Sofia de Freitas foi um tiro no escuro?

    AR – Foi um pouco mais arriscado.

    AVE – O trabalho da CDU pode ser seguido com interesse, mesmo por outros setores?

    AR - Está criada alguma expetativa tendo em conta o nosso trabalho na Assembleia Municipal. É um trabalho reconhecido, em que a CDU se tem prestigiado por aquilo que apresenta. Ainda há bem pouco tempo, e na sequência de uma proposta da CDU, está – creio – resolvido o problema dos limites entre as freguesias, falta-me apenas conhecer o resultado da Assembleia de Freguesia de Sobrado, que foi no dia 30 de abril. Este foi um problema que se arrastou ao longo dos tempos e em que não havia vontade de resolver – não seria por todos naturalmente, quem se manifesta mais a favor da resolução era a freguesia de Alfena. Todos acabaram por reconhecer que foi uma importante decisão da CDU apresentar essa proposta em que num prazo quase recorde se resolveu um problema que poucos acreditavam que fosse resolvido. Também agora, na última Assembleia, apresentamos uma proposta para analisar a concessão dos SMAES. Esperamos que isso possa clarificar a situação, e isso irá permitir que todos tenham acesso ao processo, mesmo os que não têm acesso à vereação – e são alguns. Enfim, creio que o nosso trabalho de iniciativa – não é só resistir mas também ir apresentando propostas – nos permite acalentar a esperança de que, na próxima vereação, iremos estar representados.

    AVE – Mas acha que esse trabalho é conhecido pela população?

    AR – Nós temos alguma dificuldade em divulgar esse trabalho, naturalmente contamos, como é o caso de “A Voz de Ermesinde”, com a comunicação social local. Não contamos com todos, porque alguns não existem para uma comunicação isenta, existem apenas para o período das eleições e ao serviço de um partido. Mas, como dizia, os órgãos de comunicação social local têm desempenhado um papel importante na divulgação do nosso trabalho e nós, internamente, também vamos divulgando dentro das nossas possibilidades, o trabalho que vamos desenvolvendo e, por isso, esperamos chegar junto das populações, mostrando o nosso papel coerente, em que aquilo que defendemos ao nível local é o mesmo que defendemos na Assembleia da República. Não temos duas caras, como tem sido o caso do PSD, que até está «contra a extinção das freguesias», mas são eles que acabam com as freguesias. Esperamos que essa coerência acabe por ser reconhecida.

    AVE – Tem esperanças então que em Sobrado o PSD possa ser castigado por esta situação?

    AR – Espero bem que sim. Aliás, numa Assembleia Municipal fiz uma intervenção no sentido de as pessoas perceberem o que se estava a passar, quem os estava a castigar, etc.. E todas as vezes que temos ido a Sobrado temos sido bem recebidos. Já fizemos lá uma sessão de esclarecimento, já fomos à feira e fizemos uma visita à freguesia e as pessoas têm-nos recebido muito bem. Aquele receber o papel e olhar de lado já não é o mesmo, e as pessoas procuram saber o que há de novo, porque há, de facto, um sentimento de revolta em Sobrado. É conhecida uma certa tendência em Sobrado para a abstenção, o que seria um erro. As pessoas devem é com o seu voto castigar quem as está a prejudicar.

    AVE – A CDU é às vezes acusada de divisionismo...

    AR – Sim, muitas das vezes somos acusados da falta de união. Mas nós não queremos estar unidos só por estar unidos, queremos estar unidos é em termos de coisas concretas. E se aparecerem propostas, venham elas donde vierem, nós analisamo-las e não vamos, à partida, distinguir as propostas pela sua cor.

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    AVE – Quanto às vossas ideias e propostas, por exemplo no campo da saúde?

    AR – Há vários assuntos que nos preocupam. Por exemplo, o não encerramento dos serviços do Hospital de Valongo, de que temos grande receio que após as eleições seja um processo retomado – e que já esteve em cima da mesa, e a solução definitiva – porque até aqui eram terrenos que faltavam, para a construção dos centros de saúde de Alfena e Campo. O problema de Alfena está resolvido em termos de terreno. Quanto ao problema do Centro de Saúde de Campo foi anunciado o início da a sua construção no ano 2011, para conclusão em 2012, e até hoje... nem um prego! Foi mais uma promessa, anunciada com pompa e circunstância, com a presença do secretário de Estado, o presidente da Câmara, as autoridades... Foi um tiro de pólvora seca. Continuará a ser uma das nossas lutas.

    AVE – Que questões lhe merecem maior atenção na maior cidade do concelho, Ermesinde?

    AR – Ermesinde foi uma cidade fustigada pelos efeitos da Fertor, problema que foi resolvido com os dinheiros públicos, intermunicipais e comunitários, na sua maior parte. Mas hoje começa a temer-se a privatização [da Lipor]. Isto é, antes não apareceu nenhum privado a querer tomar conta do problema, mas hoje, que no fundamental está resolvido, já aparece.

    O público é de todos e o privado só do interesse de alguns. Outra questão é o problema da água, de que se reconhece a mérito a quem o resolveu, mas que hoje também nos preocupa.

    AVE – Voltando – e finalizando – com a freguesia de Campo. Recentemente foi anunciado um grande papel da Câmara na resolução do problema do campo de jogos do Sporting Clube de Campo...

    AR – Isso foi abordado na última reunião da Assembleia Municipal. Surgiu uma notícia que basicamente dizia que «bastou uma hora para [a Câmara] resolver um problema de 15 anos». Nós requeremos uma cópia do documento assinado entre a Câmara e os proprietários e... não se resolveu nada. A Câmara só deu uma gorjeta aos proprietários do terreno. Se o Sporting Clube de Campo subir de divisão terá de ir jogar para Sobrado ou Valongo. Se a Câmara resolveu alguma coisa, então diremos que levou 15 anos a resolver um assunto que se resolvia numa hora. Mas nem isso!

    Por: LC

     

     

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