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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 05-04-2012

    SECÇÃO: Crónicas


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    Guerreiros da paz

    No nosso gabinete de trabalho temos como colega a Mariazinha, uma “Senhora” de Ermesinde. Aquele tipo de pessoa que se ergue na adversidade como uma árvore forte e robusta, apesar da sua fragilidade como mulher e como mãe, que tem que existir e que deve existir porque é isso que faz de nós seres humanos.

    Há tempos atrás esta colega falava do seu apreço e admiração pelos Bombeiros Voluntários de Ermesinde e ainda, mostrava-nos um papel “mata-borrão” onde em 1985 se atreveu a escrever o seguinte:

    Destroem a natureza

    Presto aqui uma homenagem

    Nesta breve mensagem

    Aos Bombeiros Voluntários

    Homens tão necessários

    Que acorrem a todo o lado

    A sirene tocando

    Por eles chamando

    Deixam o trabalho ou a cama

    Correndo para o seu posto

    Encurtando caminhos

    De suor no rosto

    Há que salvar quem corre perigo

    Que importa seja inimigo

    Para isso são voluntários

    Correndo perigos vários

    Acidentes, incêndios e muito mais

    Sem se queixarem isso jamais

    Dão as forças que têm

    Não é porque lhes convém

    Nem sequer ganham um tostão

    Fazem tudo com o coração

    Pondo o interesse de lado

    Às vezes dorme acordado

    Sempre atento ao chamamento

    Da sirene da sua terra

    Quer seja no norte, sul ou centro

    Às vezes assistindo à morte

    Sem espírito mercenário

    Os Bombeiros Voluntários

    Mas os senhores importantes

    Dizem por vezes assim:

    “Já chegaram atrasados,

    já chegaram no fim”

    Esquecem-se de colaborar

    Só servem para criticar

    Tapem os ouvidos e

    Não se deem por vencidos

    És soldado da paz

    Sejas velho, novo ou rapaz

    Continuai heróis

    O povo gosta de vós

    Deus está do vosso lado

    A dormir ou acordado

    Foto ARQUIVO GL
    Foto ARQUIVO GL
    Esta conversa de gabinete fez acender um debate de ideias entre nós os quatro que reforçamos a importância do espírito altruísta desta nobre gente e não é por acaso que as crianças, quando pequeninas, normalmente querem sempre um carrinho de bombeiros ou ainda é uma das primeiras profissões eleitas por eles: ser bombeiro ou ser polícia e deve ser porque isso não os fará sentir-se importantes mas seguros, ou heróis.

    Para lá dos filmes que enaltecem esta profissão, o que me levaria a conhecer a parte mais ingrata desta atividade serão as imagens que vejo através da televisão e onde este homens e mulheres estão sempre que há catástrofes, desastres naturais, incêndios, acidentes, etc. E eu, se calhar igual a muita gente, também fico com o coração apertado quando ouço o tocar da sirene ou ainda quando vejo passar o carro dos Bombeiros – algo de errado se passa.

    Em cruzamentos com que a vida nos surpreende lembro-me ainda de ter encontrado o sorriso amigo do Emídio, um excelente ser humano e bombeiro de Cête – uma das pessoas com quem tive a honra de trabalhar durante cerca de 14 anos – tinha ido transportar um doente ao Hospital de S. João que ajudava a descer por ter problemas de mobilidade e pude assistir ao carinho e compreensão com que, solícitos, apoiavam esta pessoa, que era idosa.

    Ainda, no caminhar pela vida tenho-me cruzado com imensa gente que precisa recorrer aos seus serviços para serem transportados a fisioterapia, consultas, etc.. Nas mais variadas situações percebi que os Bombeiros se tornavam mais do que conhecidos: amigos, que já lhes conheciam “o jeito” e se calhar as “manhas” de quem quer ser estimado e acarinhado e também mimado porque isso, nos mais idosos, passa a ser um direito mais do que merecido.

    Pessoalmente também conheço o outro lado destes soldados da paz: a prevenção. A parte em que são requisitados para que ajudem a velar para que nada aconteça, atentos, cuidadosos e profissionais que atuam no imediato em caso de necessidade pontual.

    Para mim, mais do que soldados, eles/elas são “guerreiros da paz” porque fazem de tudo para que ela exista e por vezes vão mesmo até ao limite que lhes custa a vida, quer seja na natureza, nos edifícios, nas estradas, etc, mas também no coração das pessoas salvando ou devolvendo corpos que poderão descansar em paz, nos braços de quem os amará sempre.

    Bombeiro de um qualquer cantinho de um qualquer país, homem ou mulher, voluntário ou não também representa luz, que ajuda a acender quando tem que apoiar um parto, quando tem que ajudar a colocar mais uma semente no mundo - um ser humano, com um começo que é igual e comum a todos: as mãos e os braços de alguém, que os aparam e amparam, no seu primeiro contacto com esse mesmo mundo e que a partir desse momento também passa a ser o seu.

    Por: Glória Leitão

     

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