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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 05-04-2012

    SECÇÃO: Cultura


    MOSTRA DE TEATRO AMADOR DO CONCELHO DE VALONGO - 2012

    Nova apresentação da “Bailarina...” no encerramento da Mostra de Teatro Amador

    Foto ARQUIVO URSULA ZANGGER
    Foto ARQUIVO URSULA ZANGGER
    Apresentada no Fórum Cultural de Ermesinde, no passado dia 27 de março, a peça “A Bailarina Vai às Compras” encerrou a Mostra de Teatro Amador de Valongo 2012. A sala estava cheia para a apresentação do consagrado espetáculo da companhia profissional ENTREtanto TEATRO, quer para assistir à ótima atuação de Júnior Sampaio (também responsável, a par com Quico Cadaval, do texto e da dramaturgia), quer para estar presente na cerimónia de entrega dos prémios que a Câmara Municipal de Valongo distribuiu aos grupos de teatro amador que participaram este ano.

    Quem é a bailarina? As opiniões podem facilmente divergir – um poeta, um artista, um homem que dança pelos corredores do supermercado como quem cala, com a sua loucura, a loucura de um mundo que o despreza e se recusa a compreendê-lo? Ou antes uma mulher frustrada com as escolhas da sua vida, com problemas de alcoolismo, droga e uma patologia séria ligada ao consumismo crónico, como forma de esbater na alma todas as dúvidas e tristezas do seu atribulado percurso de vida? Um incompreendido ou alguém que se recusa a compreender? Vítima das circunstâncias ou das próprias prerrogativas?

    A própria obra, que se inicia num tom jocoso e termina numa espécie de apoteose libertadora (sim, claro, mas com que fim?, com que meio?, com que explicação além da recusa de explicação – o sentido e o sentimento como fontes egoístas de autojustificação é talvez a temática mais imperativa ao longo da obra) acabou por confundir a plateia. Nas alturas de maior cadência, em que o ritmo do drama caminhava nervosamente para a epifania da personagem única da peça, a Bailarina (ou Bailarino?) despontava, em espetadores mais desatentos, reações análogas àquelas que ativara no início da peça. Será que é a peça que exige uma maior argúcia? Sim, claro, mas é também o espírito que reside na personagem (a que o texto da obra foi sempre fiel, preservando uma lúcida compatibilidade entre os momentos de loucura e de clarividência) que causa o riso e um incompreendido divertimento ao espetador que não consegue ver que ali, naquele momento, já não se joga a comédia vivida de um homem, mas antes a tragédia desesperante de uma mulher.

    Por: Manuel Rezende

     

     

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