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Edição de 31-12-2021
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    Arquivo: Edição de 10-09-2011

    SECÇÃO: Crónicas


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    Após a invasão árabe, Portugueses e Espanhóis

    Esta foi a consequência mas como seria se esta invasão não tivesse acontecido?

    Vamos entrar no campo das conjeturas historiográficas que, por analogia, por exemplo, com o que aconteceu em França e Alemanha, concluiríamos que o feudalismo se teria instalado e haveria hipóteses de algumas cisões no reino visigótico como nos sempre rebeldes povos montanheses, os vasconços, cantabros, astures e também galegos, onde existiu um reino germânico pré-árabe, católico, com uma identidade muito própria, o Reino dos Suevos. Mas isto são conjeturas, são apenas hipóteses. Entremos na realidade.

    É certo que a invasão árabe alterou o destino da Península Ibérica e marcou fortemente a sociedade hispânica no campo político, científico e cultural. Embora a religião muçulmana fosse banida completamente, ficaram alguns monumentos grandiosos, em Espanha, como a grande Mesquita de Córdova, construída logo no início da islamização, por volta de 784, o Alcázar e a Girândola de Sevilha e o grandioso Alhambra de Granada, etc.. Em Portugal, nada ficou de notável, foi tudo destruído, apenas uns resquícios aqui e ali. Muitos étimos de origem árabe entraram na linguagem peninsular, a arte foi muito influenciada nomeadamente as artes e ofícios, processos de exploração agrícola, as ciências, medicina e, principalmente a matemática, com a adoção dos algarismos árabes criados por povos semitas do Médio Oriente.

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    Naturalmente que a influência islâmica é mais vincada no Sul, onde dominaram e permaneceram mais tempo. Estabeleceram emiratos, um califado e diversos reinos. No Norte, apenas incursões, correrias, saques e domínios efémeros. E não foi pouco tempo, pois, em Espanha, até à expulsão do último rei mouro de Granada, em 1492, pelos Reis Católicos, decorreram 781 anos e, em Portugal, apenas 538 anos até à conquista definitiva do Algarve, em 1249, por D. Afonso III. Foi muito tempo e algo teria que ficar, principalmente por intermédio dos cristãos moçárabes que permaneceram concentrados em muitas cidades como Coimbra, Mérida, Toledo, Saragoça, Córdova etc. e, muitos deles, ainda vieram ajudar a povoar as terras do norte. As cidades a norte do Douro foram presuradas e ocupadas pelos cristãos vindos da Galiza, Astúrias e infanções ou chefes locais praticamente sem qualquer luta ou conquista. Já, para sul deste rio, onde existia ocupação de cidades amuralhadas e potentados árabes, a luta foi rija como é do conhecimento geral.

    O poderio árabe, na península, começou a decair após a luta pelo poder que se seguiu à morte do hashib de Hixam II, Abi ‘Mir Al-Mansur (Almançor), nos princípios do Séc. XI, seguida pela extinção do próprio Califado de Córdova, em 1031, dividido em pequenos reinos ou taifas (muluk at-twa if) que ficaram mais vulneráveis, à mercê dos cavaleiros da Cruz. Embora houvesse algumas tentativas e até muito sérias, de restaurar a hegemonia perdida, com os almorávidas dos Yussuf e os almóadas (al-Muwhhidun) dos Yakub, a queda definitiva iniciou-se após a batalha de Navas de Tolosa, em 1212, quando as tropas cristãs, dos reinos peninsulares (exceto Leão), reunidas, Castela, Aragão, Navarra e Portugal, com reforços vindos de além Pirenéus, derrotaram um grande exército almóada que reunia todas as tropas disponíveis do Al-Andaluz e Norte de África, comandadas.pelo “miramolin” ou sultão de Marrocos, Mohamad ben Yakub Al-Nasir. A partir desta grande vitória dos cristãos das Hespanhas, o poderio árabe nunca mais se ergueu, apenas algumas tentativas, como foi o caso do Salado.

    A invasão árabe alterou profundamente o panorama político da península, pois o Reino Visigótico, que dominava a Hispânia a partir de Toledo, dividiu-se nos célebres “Cinco Reinos” do historiador espanhol Menendez Pidal, pela ação da reconquista, entre os quais Portugal.

    A tese dos “Cinco Reinos” cristãos medievais que, pela sua união, exceto Portugal, formaram a Espanha sob a hegemonia castelhana que dizia concentrar, em si, o ideal da hispanidade, é da autoria do historiador nacionalista espanhol, Ramon Menendez Pidal que, juntamente com Sanchez Albornoz, outro historiador conservador, veio dar o conceito duma unidade espanhola, como continuidade do extinto reino visigótico, em que a existência de Portugal, como nação independente, seria uma anomalia ou aberração. Este ideal ou conceito, assente em argumentos pouco credíveis, foi aproveitado pelos falangistas espanhóis, do tempo de Franco, para a defesa duma Espanha dos Pirenéus ao Atlântico.

    Todas estas ideologias nacionalistas que vêm afirmar o imperialismo ou hegemonia castelhana no seio da Espanha, são muito fáceis de desmontar historiograficamente, mas perduram agora com o nome de Iberismo, para gáudio de muitos portugóis da nossa praça que não são só de agora, do tempo de crise, mas existiram sempre.

    Por: Reinaldo Beça

     

     

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