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Edição de 30-09-2019
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    Arquivo: Edição de 15-05-2011

    SECÇÃO: Destaque


    Formações geológicas do Ordovícico trouxeram até Valongo cientistas oriundos de todo o mundo

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Valongo recebeu na manhã do passado dia 7 de maio a visita de aproximadamente três dezenas de reputados geólogos oriundos de diversos pontos do Mundo (nomeadamente Austrália, China, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Reino Unido, República Checa, e Rússia), que aqui se deslocaram no sentido de estudarem in loco vestígios de formações rochosas existentes na Serra de Santa Justa alusivos ao período do Ordovícico. Formações essas que se assumem como únicas no mundo, sendo a sua visibilidade possível sem recurso a escavações, e que nos mostram como era todo aquele território há 490 milhões de anos atrás.

    Território esse que era coberto pelo mar, pois no período Ordovícico os continentes ainda não eram aquilo que hoje são, já que se encontravam numa fase de formação. Assim sendo, hoje em dia na Serra de Santa Justa é possível conhecer o que era o fundo do mar há 490 milhões de anos, visionar fósseis da era do Paleozoico, como os trilobites por exemplo, naquilo que se pode hoje considerar como um ímpar património da Humanidade que tem atraído até Valongo inúmeros e conceituados cientistas internacionais, como é exemplo a visita destes 30 geólogos que aqui propositadamente se deslocaram antes de marcarem presença no Simpósio Internacional sobre o Sistema Ordovícico que na semana seguinte iria decorrer em Madrid.

    Um desses geólogos foi Juan Carlos Gutierrez Marco, membro do Conselho Superior de Investigação Científica de Madrid, que após ter sublinhado a importância deste «extraordinário registo fóssil do mundo marinho» se mostrou surpreendido com o excecional estado de conservação em que estas formações se encontram. Recorrendo à História lembraria ainda que, apesar de 1849 ter sido a data em que estes registos fósseis foram pela primeira vez alvo de um estudo geológico, hoje em dia continuam a ser descobertas através desses mesmos registos novas espécies marinhas (!), e que Joaquim Filipe Nery Delgado teria sido o geólogo português que mais e maiores estudos desenvolveu sobre este tipo de fósseis.

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    Igualmente presente na conferência de imprensa que se seguiu à visita ao terreno destes investigadores internacionais esteve Artur Sá, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que começaria por dizer que «Valongo é um livro aberto sobre a Geologia do período Ordovícico», classificando a região como um património da Humanidade neste tipo de formações rochosas. Património esse, ou exemplos desse património, melhor dizendo, que se encontram espalhados por museus do Mundo inteiro, sendo o próprio Parque Paleozoico de Valongo, bem como o Centro de Interpretação Ambiental (local onde decorreu a conferência de imprensa), um passo dado no sentido da preservação desse mesmo património. Aliás, neste aspeto Artur Sá frisaria que não são precisos muitos “milhões” para levar este “tesouro” da Humanidade ao cidadão comum, dando para isso como exemplo a criação (em 1994) do Parque Paleozoico de Valongo, isto para seguir uma ideia do vice-presidente da Câmara Municipal de Valongo, João Paulo Baltazar, o qual também esteve presente nesta visita, que passava por criar uma vertente de turismo científico capaz de aproximar o público deste património. Para tornar isso realidade o vice-presidente da autarquia, que na sua intervenção agradeceu não só a vinda dos prestigiados investigadores como enalteceu sob o ponto de vista social e científico para Valongo a presença destes, frisaria que uma eventual parceria com a comunidade científica seria muito importante, e que esta visita poderia muito bem ser o início dessa ideia.

    Por: Miguel Barros

     

     

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