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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 20-10-2010

    SECÇÃO: Crónicas


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    Abertura das aulas

    A primeira consideração sobre o tema da abertura das aulas é :

    Tal como a historieta: «... porque há neve na serra?» – perguntava o rei ao aldeão – «é tempo dela, Senhor!» – começo de novo Ano Lectivo.

    No Hemisfério Norte teve início o ano escolar. Mas, nem sempre foi assim, em Portugal. O recomeço das aulas, após as férias grandes, era no mês de Outubro. A segunda época de exames, principalmente nos liceus e faculdades, ocupava muitos dias dos meses de Setembro e Outubro. Quais os motivos da antecipação? Novas tecnologias? Mudanças climáticas? Menos férias familiares e repartidas? Simples: a mão-de-obra infantil deixou de ser utilizada, senão proibida.

    As crianças, só depois dos trabalhos agrícolas efectuados (vindimas, colheita das batatas, feijão e das primeiras nozes e das primeiras castanhas) estavam livres para os trabalhos escolares. Mesmo assim, o Juca de Roalde batia à porta da Escola para o Toninho poder levar os bois à Fonte do Monte!

    Todas as Rogas das vindimas tinham no grupo (meninas e rapazes) para apanhar bagos e despejar as cestas nos cestos vindimeiros, levados pelos homens de trouxa para o lagar, com direito ao som da concertina, ferrinhos e bombo, tal como acontecia nas quintas do Barroqueiro (Provesende) ou da Roeda (Pinhão).

    Ainda o vinho fermentava nos tonéis, já apanhava a boleia do carro do tio Alvarinho, a caminho de Lisboa, para assistir à abertura das aulas do liceu de Vila Real.

    A alegria passava a tristeza. Na casa do João “Manhoso”, perto do Largo da Estação (CP), da janela do quarto, isolado, encarava as vinhas vindimadas da Araucária – a festa tinha acabado. Só os dióspiros, pendurados na árvore, sorriam!

    O tempo modifica a história do tempo. A sapiência de Salomão pouco conta, quando a identificação das pessoas é feita pelo ADN ou por chip, colocado à nascença do bebé ou no feto, no futuro próximo! Novos tempos – novas oportunidades ...

    Este ano, voltei à Escola!!! Na ausência dos pais, levei o João ao Colégio, no primeiro dia de aulas do 1º Ano, dia 9 de Setembro. Pelo caminho recebi informações das marcas dos carros (bem precisas), ditas pelo pupilo!

    No mesmo dia, comecei um curso de computadores. Pela amostra da primeira sessão, não me irei sair mal da incumbência assumida ...

    Se os seis anos de vida do João ansiavam por conhecer a professora e os colegas, “tudo na melhor” , eu fiquei perplexo com os saberes do formador!

    Princípio de qualquer escolaridade: Aprender é prazer. Diria mais: aprendemos uns com os outros. Nos actos formativos e informativos o prazer deve ser bivalente, tanto do lado do professor como do aluno. Fora deste contexto as aulas deviam ser canceladas. A Escola foi criada para facilitar a eficiente e rápida transmissão de conhecimentos. Grandes fontes de saber sempre houve e haverá. Os Egípcios aprenderam a construir pirâmides por processos ainda hoje ignorados, apesar dos mega--computadores realizarem maravilhas.

    E mais que isto

    É Jesus Cristo,

    Que não sabia nada de finanças/

    Nem consta que tivesse biblioteca..., como escreveu Fernando Pessoa. Ou Maomé a ditar o Corão à primeira esposa, por ser analfabeto!

    O amor, palavra tão degradada, deve levar a transmitir os conhecimentos aos que nos rodeiam. Razão tem o povo em chamar conversados aos namorados! Um bom médico pode contribuir para ter um filho sábio; ou um agricultor de tribo africana ter um descendente próspero, mostrando os terrenos férteis com minhocas!

    A Internet é um mundo, comparável à descoberta do Novo Mundo ou ao impacto de um Quinto Império. Pesquisar e informar são objectivos. Comunicar é importante. Linguagem cifrada, insultos, asneiras ou desinformação não.

    Por: Gil Monteiro

     

     

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